Mensagem subliminar. Será?

monica

 

Oi pessoal.

Muitas pessoas me perguntam como e quando eu decidi ser dentista e minha resposta é pronta e direta: Não sei.

Explico.

Era meados do ano de 1980 e eu estava no último ano do ginásio (fundamental 2 se preferirem). O próximo ciclo seria o colegial (ensino médio) que naquela época podia ser feito na forma dos cursos Técnicos Profissionalizantes.

Numa conversa entre colegas, todo mundo meio perdido no rumo que tomar, alguém comentou que a partir de 1981 um colégio municipal bem conceituado na época EMPSG Prof. Derville Alegretti passaria a ter o curso de Prótese Dentária e que as inscrições pro vestibulinho já estavam abertas e então eu pensei, taí, vou prestar.

Entrei. Esse foi meu primeiro contato com dentes.

Eu e meus colegas de turma fomos uma espécie de cobaias por sermos a primeira turma. A grade curricular foi adaptada e nós tivemos matérias básicas somente no primeiro ano. No segundo e terceiro anos o curso era totalmente voltado pra carreira.

Física e química dos materiais, Materiais Dentários, Escultura Dental, Prótese Total, etc.

Éramos adolescentes e descobrindo um mundo novo.

Gesso tipo I e tipo II, cera 7 e cera utilidade, ligas de CrCb e NiCr, troquéis, articuladores semi ajustáveis e tipo charneira, gotejadores, LeCron, cadinho, muflas, etc., etc., etc.

Foram dois anos de esculturas de molares que mais pareciam amoras. Montagem de PT que poderiam fazer parte do Thriller do Michael Jackson, alginatos tomando presa antes do tempo e gesso que não tomava presa nunca.

A grande maioria de nós estava ali numa ponte para a Odontologia, mas alguns levaram a Prótese Dentária como profissão.

Hoje, passados 35 anos lembro com imenso carinho dessa época.

Em 1986 entrei na faculdade de Odontologia e em 1990 me formei. A prótese me deu alguns segundos de vantagens para os meus colegas, afinal conhecer e diferenciar molares e pré molares superiores e inferiores na prova prática de anatomia num deixa de ser uma vantagem.

Mas por quê o titulo do texto?

A boneca da foto, uma Mônica de plástico da empresa Troll, foi presente de formatura que ganhei. Sim, formatura do pré primário em 1972.

Aqueles dentes “ligeiramente” desalinhados podem ter sido uma mensagem subliminar para que eu em 1980 decidisse pelos caminhos da saúde bucal.

OK, pode ser viagem, mas eu gosto de pensar assim. Mesmo que eu não tenha me encantado pela ortodontia.

A boneca precisa de restauro, afinal, ela sobreviveu aos filhos e netos da Dona Cidinha, mas não sem prejuízos a sua integridade.

Mensagem subliminar, o destino escrevendo certo por linhas tortas ou apenas alguém que gosta tanto daquilo que um dia foi uma boneca e fica procurando uma razão pra mantê-la por perto.

Freud explica!

 

Published in: on 26 de janeiro de 2017 at 17:22  Deixe um comentário  
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