ORTODONTIA

Quem me conhece ou me acompanha, sabe como eu amo ser Clinica Geral, ou Dentista da Familia, como gosto de chamar.

Gosto de poder orientar meus clientes sobre todas as duvidas, mas quando o assunto é Ortodontia, o bicho pega. Não entendo nada.

Frequentei as aulas normalmente, e até que tentei, mas não é minha praia.

No meu caso, fazíamos a análise cefalométrica na nossa propria radiografia. Não sei se sempre é assim.

Sobre a  radiografia lateral de face, colávamos um papel manteiga e transferíamos os pontos cranianos:  porio, nasio, ângulo ANB, gônio, pogônio, sela, base, etc, além do desenho dos primeiros molares e dos incisivos centrais.

Depois riscávamos os planos horizontal, de Frankfurt etc.

Analise do padrão dentário, análise do perfil, discrepância de Tweed.

Tudo devidamente marcado, era só analisar os ângulos e, voilá, classifica-lo!

Classe I, II ou III de Angle. Mordida aberta, cruzada, etc.

No meu caso, marquei os pontos, tracei os planos, mas na hora dos cálculos…

Passados dias sem conclusão, e chegada a hora da entrega a cefalometria, resolvi meu problema copiando os dados de outro colega. Não achei que os professores fosse analisar um a um. Mas analisaram, e no meu caso, ao lado de cada dado incorreto estava escrito em vermelho: Onde você achou esse valor? Ainda bem que a pergunta não foi ao vivo, senão eu teria de dizer: Colei!

A clinica da graduação é quase que um braço da odontopediatria. Ou era!

Não começávamos nenhum tratamento complexo, primeiro porque não sabíamos, e segundo porque fatalmente não o terminaríamos.

Grade palatina, Disjuntor palatino, mantenedores de espaço.

Na realidade fazíamos mesmo Ortopedia, visto que não se mexia com os dentes. Eram só aparelhos móveis.

No laboratório dobrávamos muito fio.

Não tínhamos os arcos pre curvados que existem hoje em dia, então, bora queimar os dedos no aço.

Mui simples e prático.

Placa de Hawley – De posse de um modelo de gesso, ajuste o fio na curvatura da vestibular dos superiores anteriores, seguindo uma carta guia. Se vc exagerar, retifique o fio.  Na altura do canino faça uma alça.  Siga com a parábola até a altura da distal canino superior de ambos os lados e passe o fio para a palatina. Faça dois grampos circunferenciais nos primeiros molares superiores, que também é muito simples. Vc só precisa dobrar o fio, o mais próximo da circunferência do dente, na altura da linha do equador e fazer dobras de retenção no final. Encere o palato, inclua, acrilize, dê acabamento e… Tente readaptá-lo no modelo. Fatalmente ele não encaixará :/

E os alicates??? 121, 139, 125 de corte, para fios 0,6 – 0,7 – 0,8mm etc.

E a confecção das bandas? Também nada de pré fabricadas. Isso, graças à Deus, eu nem cheguei a fazer.

Bem, acho que deixei claro que Ortodontia nunca fez meus olhos brilharem como está fazendo brilhar os olhos do meu amigo Fabricio do Vida de Dentista, que está amando a especialização.

Como eu nunca mais fiz nada de ortodontia, tudo o que sei sobre isso hoje é que pode-se escolher a cor das borrachinhas 😉 e essas considerações fiz de memória. Perdoem se me enganei em algum ítem.

Brincadeiras à parte, admiro muito esta cadeira e os avanços são gritantes.

Ortodontia lingual, fios com memória, brachets de cerâmica, auto ligados, alinhadores sequenciais, etc.

Se você quer tem um sorriso alinhado e qualidade de mastigação, procure um bom profissional, veja qual mais se encaixa na sua necessidade e vá em frente.

Sua saúde agradece!

Fonte imagem: CETROBH

Published in: on 9 de outubro de 2012 at 14:43  Comments (1)  
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Radiologia

Ahhh, a Radiologia!!!

O que dizer dessa cadeira?

Pra nós que adoramos endodontia, a radiologia é a possibilidade de enxergar, em parte, o que estamos fazendo. Se bem que as vezes seria melhor não ver.

No meu curso de graduação, a clinica de radiologia era aos sabados. Veja se isso tem graça!

Pouco me lembro das aulas teóricas. Neste caso, muito teóricas mesmo.

Já a clínica era um “sucesso”.

Quem aos vinte anos consegue algum raciocínio lógico num sábado de manhã?

Eeeeuuu! E alguns colegas, que como eu, não tinham grana pra balada na sexta 😦

Entrar na clínica com sol pra nós era raridade, pois estudávamos à noite. Claro as vezes chovia e fazia frio. Ahhh! Isso fazia! Ô lugar frio do ca…ramba!

Roupa branca, cara séria para tentar convencer aquelas pessoas que nossas caras de crianças não deveriam preocupá-los.

Nós não fazíamos as tomadas panorâmicas. Só periapicais (eu acho).

Nada de posicionadores.

Paciente sentado. Linha de Camper ou linha trago comissura labial paralela ao chão (né @kcbelmonte).

Posicionado o filme, o paciente segura com o polegar (se ele não vomitar) vc posiciona o cabeçote do aparelho seguindo angulos pré determinados para cada técnica e dente a ser radiografado. Se não me falha a memória a sequência 50 – 40 – 30 – (-20) – (-10) e zero, para técnica da bissetriz.

Os filmes eram posicionados na colgadura (uma duzentospéia metálica horrorosa e  triste de transportar) na ordem. Ou deveriam ser.

Repetido este passo 14 vezes para cada paciente, íamos para a câmara escura.

Filmes abertos e recolocados na colgadura para serem processados.

CUIDADO não pode entrar luz!

CUIDADO que o grampo não pode ficar sobre a imagem!

CUIDADO pra não marcar o filme com o dedo!

Não havendo nenhum susto, mergulhavamos a tal colgadura no revelador. Acho que íamos pra câmara em trios, e tinhamos também que:

CUIDADO: não encoste uma colgadura na outra pra não riscar!

Revelador-Água-Fixador-Água (que deveria ser Benta, afinal essa hora era digna de oração)

Daí vinha a hora da verdade, a avaliação do professor!

Não revelou o suficiente;

Revelou demais;

Algumas tomadas não estão no centro do filme.

Bora repetir!

Então voltávamos a sala de espera, chamávamos o “paciente” novamente e na maior cara de pau dizíamos:

_Vamos ter que repetir algumas que não saíram boas. Não são todas. (Só 11!)

Mas, analisar as radiografias, diferenciar estruturas e  identificar suspeitas diagnósticas ainda demoraria algum tempo.

Atualmente os aparelhos são digitais, e apesar de caros, arrisco dizer que em breve dominarão os consultórios. Afinal, quer coisa melhor que não precisar revelar radiografia, se livrar do cheiro horroroso das quimicas nas mãos e das terríveis e DEFINITIVAS manchas de fixador na roupa 🙂

Em tempo: Certa vez, quando o paciente usou o polegar pra posicionar o filme, pedi que trocasse pelo indicador, que naquela situação me parecia mais adequado, e ele respondeu que não… pra logo depois completar: eu não tenho o indicador o.O (ele era amputado). O clima estava leve e rimos, mas a saia ficou um pouco justa :/

Published in: on 30 de maio de 2012 at 15:08  Comments (4)  
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Histologia

Fazer Odontologia pra mim foi uma decisão sem data certa.

Um dia, durante uma daquelas intermináveis discussões do que eu vou ser quando crescer, uma colega me perguntou: Célia, já que você vai fazer Odonto, esse ano vai ter técnico em Prótese Dentária, por que você não presta?

Eu também não sabia muito bem o que era prótese dentária, mas isso conto outra hora.

Pois bem. Nunca me interessei pelas disciplinas que teria, mas imaginava que teria Biologia. E tive mesmo, fracionada em muiiitas sub-matérias.

Odontologia é um curso caro. Mas as listas de materiais são MUITO piores. A maioria da população não sabe, mas todo o material utilizado, sim TODO, é comprado pelo aluno. Na minha época, na OSEC, o material de consumo era fornecido, mas hoje, quase nada.

Mas no primeiro ano, a lista não tem muitos itens. As aulas são muito teóricas. O peso ficava por conta dos livros e apostilas xerocadas (numa época  em que isso não era crime), mas um item da lista de Histologia chamou atenção pelo inusitado: UMA CAIXA DE 12 LAPIS DE COR? Oi? Cuma?

Bem, para isto eu tinha dinheiro e pude comprar à vista. Comprei logo um FABER CASTELL!

Histologia  é o estudo dos tecidos biológicos, sua formação, estrutura e função. É uma das disciplinas fundamentais dos cursos das áreas biológicas e de saúde (wikipedia).

Por exemplo: alguns anestésicos utilizados em odontologia são metabolizados no figado, então, saber as propriedades hepaticas se faz necessário.

Tecido conjuntivo, nervoso, epitelial, etc.,  é o tema nessa disciplina. Mas e os LAPIS??

Ah, os lapis!!!

Aula de laboratório de histologia. Um microscópio, uma lâmina preparada com o tecido tema e, voilá!

Com os tais lápis nós tínhamos que reproduzir, em DETALHES e com FIDELIDADE, o que víamos no microscópio.

http://blog.clickgratis.com.br

Para odontoblastos, amelobrastos e dentinoblastos, o rosa caía bem!

Para epitelio plano estratificado, ocre (se você tivesse comprado a caixa de 24 cores) ou marrom.

Para tecidos musculares, as variações do azul!

Prolongamentos odontoblásticos, túbulos de dentina, neurônios, fase de germe, fase de capuz, tudo isso visto nas lâminas e reproduzidos no sulfite.

E,  MARAVILHA das MARAVILHAS, a prova prática.

Sentado em frente ao microscópio, você era confrontado com uma LÂMINA!

Acho que mentalmente todos pediam: Tomara que seja de dente! Tomara que seja de dente! Claro que era para nós o mais familiar, mas nem sempre dava certo 😦

Neste caso não precisava desenhar, bastava lembrar de todos os desenhos que tínhamos feito, de cada camada, analisar  a imagem e nomeá-las.

Essa disciplina não me deixou traumas, a não ser a confirmação de que eu não tenho nenhuma aptidão artística, mas até hoje reconheço uma fase de campânula 🙂

Não sei se hoje ainda é assim. Você acadêmico ou recém formado, deixe nos comentários como são as aulas atuais e quais matérias são dadas ano a ano.

Valeu! 🙂

Published in: on 10 de maio de 2012 at 14:34  Comments (4)  
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