A Evolução – parte 2

Essa matéria foi publicada em 01/11/2007 e é de autoria de

Mariana Sgarioni no portal Guia do Estudante da Editora Abril.

Uma amiga me mostrou e eu resolvi compartilhar com vocês.

 

Os dentes do ofício: a evolução do trabalho dos dentistas

Deitado, de boca aberta há vários minutos, o homem não pára de suar frio. Na luta para lhe extrair um den­te do siso, o dentista apóia os cotovelos no peito do paciente. O sangue jorra até que, enfim, o dente sai na ponta do alicate – o temido boticão. Esta cena aconteceu há mais de 2 mil anos. Mas pode também ter acontecido agora há pouco, em um consultório perto da sua casa. “O cirurgião deve agarrar firmemente a cabeça do paciente entre seus joelhos e aplicar um boticão robusto, extraindo o molar verticalmente, para que não se quebre”, escreveu Albucassis, cirurgião árabe do século 5. É lógico que hoje contamos com novas tecnologias – a começar pela anestesia –, mas o método e os instrumentos para esse tipo de intervenção não mudaram tanto assim. Deve ser por isso que, quando se fala em dentista, muita gente sente um certo incômodo (para não dizer pânico).

Embora nosso imaginário sugira outra coisa, os dentistas estão bem longe de serem torturadores sádicos. Foram eles que batalharam, por exemplo, para inventar a anestesia, que nos livra de dores muito piores que as de dente. Tiveram ainda uma importante participação na pesquisa de medicamentos e cuidados que contribuíram muito para a evolução do saneamento e da saúde pública. Entretanto, é verdade que, apesar de ter se estabelecido em cima de sólidos preceitos científicos, a história da odontologia passa por alguns momentos horripilantes. Prepare-se para conhecê-la melhor a partir de agora. E pensar sobre isso quando estiver sentado numa sala de espera, lendo uma revista velha e ouvindo Ray Conniff, enquanto aguarda por mais uma sessão daquele famigerado tratamento de canal.

Grandes arrancadas

Há tempos os dentes nos causam dor de cabeça (e de dente, lógico). Pesquisadores da Universidade de Nova York, nos Estados Unidos, descobriram que, na África, uma bactéria causadora de cáries já infestava a boca de seres humanos há 100 mil anos. Os cuidados com os dentes também parecem ser bastante antigos – e podem não ter sido exclusividade da nossa espécie. Em setembro deste ano, paleontólogos espanhóis divulgaram a descoberta, na região de Madri, de dois molares neandertais com mais de 60 mil anos. Eles traziam marcas aparentemente causadas por gravetos de madeira, o que indica que esses hominídeos (que acabaram extintos) gostavam de palitar – ou “escovar” – os dentes.

Os mais antigos relatos conhecidos sobre problemas com os dentes têm cerca de 5 mil anos. Eles dizem que as cáries seriam causadas por “vermes” e foram encontrados em tabletes de argila sumérios feitos na Mesopotâmia, a planície situada entre os rios Tigre e Eufrates (no atual Iraque). Na mesma região, foram achadas peças de limpeza dentária, como palitos feitos de metal trabalhado, que teriam sido elaboradas por volta de 3500 a.C. Demoraria um bocado, entretanto, para que alguém achasse necessário formar profissionais especializados em odontologia.

Os primeiros dentistas de que se tem notícia eram médicos. O mais antigo deles foi o egípcio Hesi-Re, que viveu há cerca de 4500 anos. Ele era conhecido como o “maior médico que tratava dos dentes” – modo como foi eternizado em hieróglifos. Parece que a especialidade de Hesi-Re e seus contemporâneos era a extração – é o que indicam os crânios banguelas daquela época que foram encontrados. O que não faltava era trabalho: os egípcios sofriam de uma grande variedade de enfermidades dentais, causadas por falta de higiene e por sua alimentação. A farinha usada no pão, base da dieta egípcia, vinha carregada de grãos de areia. O mesmo acontecia com os vegetais, que eram cultivados em solo arenoso e não eram lavados adequadamente. O hábito involuntário de mastigar areia causava um desgaste enorme nos dentes, além de inúmeros abcessos na boca.

Papiros catalogados na Universidade de Leipzig, na Alemanha, registram diversos tratamentos egípcios para doenças bucais. Para o dente que “corrói as partes altas da carne”, um deles recomenda “amassar uma pasta e aplicar sobre o dente uma parte de cominho, uma parte de incenso e uma parte de cebola” – imagine só o resultado. Já para os abcessos, o tratamento dos egípcios era feito com furos na gengiva, que aliviavam a pressão das bolas de pus que se formavam no local.

Na Grécia antiga, os hábitos de higiene bucal eram um pouco mais parecidos com os nossos. Diocles de Caristo, médico que viveu no século 4 a.C., aconselhava: “A cada manhã deveis esfregar vossas gengivas e dentes com os dedos desnudos e com menta finamente pulverizada, por dentro e por fora, e em seguida deveis retirar todas as partículas de alimento aderidas”. Já os romanos, influenciados pela cultura grega, usavam pós dentifrícios – parentes distantes dos cremes dentais – feitos à base de ossos, cascas de ovos e conchas de ostra. A escovação também foi defendida por ninguém menos que Maomé. No Oriente Médio do século 7, o fundador do islamismo orientava seus seguidores a usarem o siwak – o precursor da escova de dentes, feito de um ramo de árvore cuja madeira contém bicarbonato de sódio.

A principal contribuição dos muçulmanos para a odontologia foi dada por Avicena, que viveu entre 980 e 1037. Um dos médicos mais respeitados do Oriente Médio, ele lançou princípios que chegaram à Europa e se tornaram a base do tratamento dentário medieval. O principal deles se refere a fraturas de mandíbula: Avicena recomendava a aplicação de uma bandagem de fixação em torno do queixo, cabeça e pescoço, além de uma pequena tábua ao longo dos dentes.

Barbeiragens dentárias

Na Idade Média, os responsáveis por exercer a medicina eram os monges católicos. A coisa mudou de figura a partir de 1163, quando a Igreja os proibiu de realizar qualquer tipo de procedimento cirúrgico – incluindo os tratamentos dentários. Essas tarefas sobraram então para os barbeiros. Mas por quê? Em primeiro lugar, é bom dizer que os barbeiros medievais não cuidavam apenas de pêlos. De tanto ir aos mosteiros fazer a barba e tosar os cabelos dos monges, os barbeiros acabavam aprendendo um pouco de medicina com eles. Tornaram-se, com o tempo, auxiliares cirúrgicos dos monges, especializando-se nos diversos tipos de intervenção que os sacerdotes não podiam mais fazer. Tiravam pedras da bexiga, abriam abscessos, praticavam sangrias e, é claro, extraíam dentes. Com o passar dos anos e o afrouxamento da linha dura da Igreja, os monges puderam fazer cirurgias de novo. Mas os barbeiros tinham se tornado arrancadores de dentes tão bons nisso que alguns médicos encaminhavam a eles os pacientes que precisavam de ajuda odontológica.

O aumento de prestígio dos cirurgiões-barbeiros, como passaram a ser chamados, começou a causar confusão dentro da medicina. Em 1540, o rei Henrique VIII, da Inglaterra, publicou um estatuto para a Real Comunidade dos Cirurgiões-Barbeiros, delimitando as áreas de atuação dos barbeiros e dos médicos. As extrações dentárias ficaram permitidas aos dois grupos. Até o século 18, a maior parte dos barbeiros seguiu oferecendo serviços dentários aos seus clientes. E a odontologia continuou sendo exercida de forma um tanto mambembe, por profissionais muitas vezes inaptos. Alguns, por exemplo, costumavam armar tendas em mercados e feiras livres – assistir às manipulações bucais feitas pelos barbeiros era uma das diversões preferidas dos passantes.

Enfim, uma ciência

O hábito de ter dentes arrancados em praça pública começou a mudar na época em que o francês Pierre Fauchard escreveu O Cirurgião Dentista. Publicado em 1728, o livro foi um marco na história da odontologia. “Aperfeiçoei e também inventei várias peças artificiais para a substituição dos dentes e para remediar sua perda completa, ainda que em prejuízo do meu próprio interesse”, escreveu, anunciando a invenção de pivôs e dentaduras – e achando que as soluções duradouras iriam diminuir sua clientela. Foi a partir do trabalho de Fauchard que a odontologia foi separada da medicina (e da barbearia).

Além de ter sido pioneiro nas próteses, Fauchard dotou o gabinete de dentista de cadeira apropriada (antes os tratamentos eram, em geral, feitos no chão) e defendeu a odontologia preventiva. Algumas das receitas eram bizarras: Fauchard mandava, por exemplo, enxaguar a boca de manhã com várias colheradas da própria urina. Apesar disso, foi reverenciado por seus sucessores. “Considerando as circunstâncias em que viveu, Fauchard merece ser lembrado como um ilustre pioneiro e fundador da ciência odontológica. Se sua prática era tosca, isso se deveu aos tempos”, disse certa vez o dentista americano Chaplin Harris, que em 1840 fundou a primeira escola de odontologia do mundo, o Baltimore College of Dental Surgery, nos Estados Unidos.

Pouco depois que Harris fundou sua faculdade, um dentista americano deu uma contribuição decisiva para minimizar o sofrimento dos pacientes. Em 1844, o jovem Horace Wells resolveu fazer uma experiência em si mesmo: inalou óxido nitroso – ou “gás hilariante” – antes de um colega lhe extrair um dente. O gás havia sido descoberto em 1776 pelo cientista inglês Joseph Priestley, que provara sua capacidade de acalmar as dores físicas e provocar uma sensação agradável. Sob efeito do gás, Wells não sentiu dor alguma. E virou uma celebridade instantânea.

A fama de Wells, entretanto, durou pouco mais de um mês. Numa demonstração de extração dentária com óxido nitroso, feita diante de um grupo de cirur­giões da Universidade Harvard, o paciente sentiu uma dor danada. Tudo porque Wells retirou o gás antes do tempo. A banca examinadora não perdoou e ele acabou caindo em descrédito. Nesse meio-tempo, quem se deu bem foi William Thomas Green Morton, aluno de Wells que, aconselhado pelo químico Charles Jackson, substituiu o óxido nitroso por éter. Depois de fazer testes em animais e em si mesmo, extraiu um dente de um paciente com absoluto sucesso – ou seja, sem um só grito de dor.

Wells, Morton e Jackson se engalfinharam para provar quem tinha sido o inventor da anestesia. Em 1848, Wells acabou se suicidando de desgosto. Só seis anos depois é que um congresso da Associação Médica Americana resolveu bater o martelo e disse que o descobrimento da anestesia tinha sido obra do “recém-desaparecido Horace Wells”. Morton e Jackson morreram na miséria.

Após a controvertida invenção da anestesia, os dentistas ainda ajudaram muito no avanço das ciências da saúde – aperfeiçoando a radiografia, por exemplo. Mas nem por isso os pacientes sorriem de gratidão quando pensam nos tratamentos odontológicos. Há cerca de dez anos, a Revista de Odontologia da Universidade de São Paulo fez uma pesquisa para saber que tipo de emoção estava associada ao ato de ir ao dentista. Descobriram que duas das principais eram… o medo e a dor. Se você também treme só de pensar no barulho infernal do motorzinho, pelo menos agora já sabe que, antes, tudo era ainda pior.

 

Para limpar, extrair ou disfarçar

Veja os antepassados de quatro marcos da odontologia

Boticão

Com a aparência de um alicate, serve para extrair fragmentos ósseos e dentes. Na Grécia foram encontrados fórceps dentários datados de cerca de 5 a.C.

Dentadura

A mais antiga prótese removível feita para substituir dentes foi encontrada no Japão. De madeira, ela pertenceu à sacerdotisa budista Nakaoka Tei, que viveu no século 16. A dentadura teria sido feita pela própria dona, uma habilidosa artesã. Cerca de 120 antigas próteses japonesas semelhantes a essa já foram achadas.

Pivô

É um dente artificial fixado à raiz por meio de um pino metálico. Até o século 19, muitas dessas próteses não eram sintéticas, mas ossos e dentes tirados de animais e – isso mesmo – de cadáveres humanos.

Escova de dentes

Maomé, no século 7, orientava os muçulmanos a usar o siwak, um galho com a ponta desfiada, para limpar a boca. Já a primeira escova de dentes moderna foi criada pelos ingleses no século 17. O cabo era feito de osso, com perfurações em que eram amarradas cerdas feitas de pêlo de porco.

 

Doutores da alegria

Homens que ajudaram a construir um mundo com menos banguelas

Albucassis (936-1013)

Cirurgião árabe nascido em Córdoba, deixou um grande legado para a odontologia. Foi o primeiro a descobrir, por exemplo, que as inflamações da gengiva tinham a ver com enfermidades dos dentes.

Guy de Chauliac (1300-1368)

O francês foi um dos mais importantes nomes da cirurgia medieval. Em seu livro Inventorium, ele analisou a anatomia dos dentes e elaborou uma longa relação das doenças de que eles são vítimas.

Pierre Fauchard (1678-1761)

Considerado o pai da odontologia moderna, o francês sintetizou tudo o que se sabia no Ocidente sobre o assunto no livro O Cirurgião Dentista. Recomendava cuidados preventivos com os dentes.

ChapLin Harris (1806-1860)

Um dos principais responsáveis pela criação da primeira escola de odontologia do mundo, em 1840, da primeira Associação Nacional de Dentistas e da primeira revista científica reconhecida da área – tudo nos Estados Unidos.

Horace Wells (1815-1848)

Americano, é considerado o inventor da anestesia por ter sido o primeiro a usar o óxido nitroso (ou gás hilariante) para eliminar as dores de um paciente em um procedimento odontológico.

 

No país de Tiradentes

Ele foi nosso mais célebre cirurgião-barbeiro

Até 1884, quando surgiram faculdades de Odontologia no Rio de Janeiro e na Bahia, os cuidados com os dentes dos brasileiros eram bastante precários. Assim como na Europa medieval, quem dava conta do recado por aqui eram os cirurgiões-barbeiros. A partir de 1782, uma lei obrigava os barbeiros que queriam cuidar de dentes a tirar uma licença especial conferida pelo “cirurgião-mor” (quem não a possuísse poderia ser preso). O mais conhecido de nossos práticos da odontologia foi o mineiro Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes. Apesar de ter ficado mais famoso por sua atuação política que por sua habilidade com a boca alheia, ele era considerado um bom dentista – ofício que aprendeu com seu padrinho, Sebastião Ferreira Leitão. O frei Raymundo de Pennaforte, que conhecia Tiradentes, disse que ele tirava dentes “com a mais sutil ligeireza e ornava a boca de novos dentes, feitos por ele mesmo, que pareciam naturais”. Ou seja: apesar de seu apelido, nosso mártir da Inconfidência também era bom em colocar dentes (eitos de materiais como ossos esculpidos). Para completar sua profissão, Tiradentes provavelmente também fazia barba, cabelo e bigode – na cela em que ele esteve antes de ser enforcado, foram encontradas duas navalhas e um espelho.

 

Published in: on 17 de novembro de 2014 at 22:07  Comments (1)  
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Exposição ‘Do macaco ao homem’

Lucy (replica)

 

Olá leitores, ando um tanto sumida, mas não inativa.

Em julho passado, eu e minha filha fizemos uma visita ao espaço Catavento Cultural que fica no  Palácio da Industrias no centro de São Paulo.

Apesar do nome, eu não podia imaginar o quanto de cultura tem lá dentro.

Nós fomos levadas pela chamada da exposição permanente ‘Do macaco ao homem”, que trata, como diz o nome, de traçar uma linha entre os humanos contemporâneos e nossos ancestrais conhecidos mais remotos.

Para uma evolucionista como eu, é de tirar o fôlego. Tudo ricamente ilustrado por réplicas. As fotos deste post são essencialmente das arcadas dentárias dos espécies em exposição e que vão desde 8 millões de anos atrás, até os dias atuais.

Tem também a réplica do que foi realmente encontrado do fóssil da Lucy, um  Australopithecus afarensis , em 1974, na Etiópia. Na área externa tem uma ‘Lucy em tamanho original’ (réplica produzida baseada nas informações do que foi encontrado). A semelhança com os humanos é impressionante.

Mas o espaço Catavento Cultural é muito mais.

Biologia, Botânica, Astrologia, Zoologia, Arqueologia, Paleontologia, etc. Tem até robótica e radio e TV.

Arrisco dizer, que se você quiser ver tudo com calma, deve separar uma semana inteira, mas acredite, vale a pena.

A exposição tema do post é guiada e o monitor é super atencioso e informado sobre o assunto.

Se você é de sampa, fica mais fácil. Se não, inclua como destino turístico da sua próxima visita a nossa cidade, o Espaço Catavento Cultural, que fica muito próximo ao Mercado Municipal onde você pode ir almoçar o tão famoso pastel de bacalhau ou o sanduiche de mortadela.

Garanto que você não vai se arrepender.

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Published in: on 18 de setembro de 2014 at 21:47  Comments (1)  
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Endodontia é o canal!

Como gosto de dizer, eu não escolhi a endodontia. Ela me escolheu!!!

Como já contei pra vc minha incursão pelos meandros da Odontologia, se deu como auxiliar de dentista, numa época em que ACD e THD não existiam.

Fui contratada pra ser recepcionista, mas auxiliava o colega durante os atendimentos. Fiquei lá por seis anos e saí formada. Depois de algum tempo, cuidar do instrumental era uma das minhas funções. Ele fazia muita endo.

Era eu quem limpava e arrumava as limas, numa época em que, “heresia das heresias”, as limas eram arrumadas na ordem e acondicionadas em esponjas com solução de Germekyl. Olhando de longe todas as limas pareciam #40, já que a ação da estufa no cabo era implacável. Eu esterilizava os cones de papel em grupos de 5 envolvidos por gaze. Espatulava o endomethazone e revelava as Rx. Era eu também que preparava o Pasta3 de Guedes como medicação intra canal. Como antinflamatório local ele usava Otosporin, e como substancia quimica auxiliar, para necro, o liquido de Dakin. Posteriormente passou a usar a Solução de Milton. Para bio usava Soro. Era eu também quem anotava as medidas iniciais e finais nas fichas clinicas.

Ele viajava muito, e a gaveta de estoque de  limas parecia um oásis. Cores, tipos, tamanhos diversos. Algumas, japonesas ou alemãs, eu até hj não sei pra que serviam.

Pois bem, quando cheguei na endo, aquilo tudo, que arrepiava os meus colegas, era muito familiar pra mim. Não que eu tenha tirado de letra, longe disso, mas eu dormia nas noites anteriores as clinicas. As olheiras dos outros comprovavam suas noites insones.

Esta suposta habilidade levou alguns colegas a me chamarem pra enfrentar este monstro, a endo, em seus consultórios depois que nos formamos. E eu, sem muita escolha… Gostei e fui estudar. Mas não fiz especialização.

Como tudo na Odontologia, a Endodontia  está muito diferente.

Num passado não tão distante, a pouca informação sobre anatomia interna e  microbiota, tornavam os insucessos maiores que os sucessos.

A qualidade dos instrumentos e a pouca informação sobre as subst. quimicas auxiliares, colaboravam com isso.

Não que não houvessem estudos, mas pouco chegava aqui.

Uma situação comum era o paciente (que podia e queria pagar pela manutenção do dente), depois de ter ido ao consultório por dezenas de vezes, trocar o curativo, recebia o diagnóstico de insucesso.

O tratamento era basicamente feito na remoção da polpa (qdo bio), limpeza até parar o sangramento e se conseguir alguma ampliação e em seguida era obturado. Muitas vezes com cone de prata.

Os necro davam mais trabalho. Os aparelhos de Rx não estavam presentes em todos os consultórios e, sem saber o tamanho do dentes eles eram limpos até onde se acreditava terminar. Entre consultas o dente recebia um curativo de formocresol, paramonoclorofenol ou tricresolformalina e era fechado. Semanalmente o curativo era trocado, e se não tivesse sintomatologia, nem cheiro ruim (!) era obturado. Em casos de abcesso, a exo era quase sempre a escolha.

Claro que estou falando no geral, e que nem sempre era assim.

Hoje, com a Radiografia digital, Localizador Apical, Tomografia Computadorizada e Microscopia,  se tem quase que dominio sobre a anatomia interna.

Limas com secções variadas que cortam  mais ou menos, e que são mais ou menos flexíveis.

Brocas de Gattes e Largo, Limas Rotatórias e oscilatórias.

Conhecimento sobre a ação e a efetividade das substancias quimicas auxiliares (hipoclorito de sódio 2,5 ou 5%, Clorexidina 2%, EDTA, etc), com defensores apaixonados para cada uma delas.

Cones de guta percha e cimentos obturadores bem aceitos pela região periapical.

Manter 2mm de coto pulpar, instrumentar até o limite radiográfico ou fazer a patência do foramem tbem rendem boas controvérsias.

Sessão única ou sessões múltiplas.

Mas de uma coisa temos certeza, tudo isso leva a maior qualidade final e a manutenção do elemento na boca.

E foi assim que a Endodontia passou a ter mais sucessos que insucessos.

Published in: on 26 de março de 2012 at 09:00  Comments (1)  
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Escova de dentes

O ato de escovar os dentes, é tido atualmente, como corriqueiro, e sua importância para a manutenção da saúde oral é reconhecida.

A combinação de escova dental e dentifrício é largamente divulgada, o que nos dá a falsa impressão de que isso sempre existiu.  #not

Egípcios, Assirios, Romanos, cada um a seu modo procurou formas de limpar os dentes e diminuir o mau hálito.

vipi.com.br

As primeiras referências feitas a uma escova para higiene dos dentes é de 1498, na China. As “escovas” eram feitas de madeira ou ossos e pelos de porcos (urgh!) ou cavalo, porém o fato dos pelos morfarem levou ao desuso.

No sec XVIII um prisioneiro britânico teve a ideia de fazer pequenos furos num osso que sobrou da refeição, e neles fixar com cola, pequenos feixes de cerdas que conseguiu com o carcereiro (isso que é dar utilidade para os dias de  carceragem)

Em 1935 foi descoberto o nylon, e então começaram a surgir escovas mais próximas do que conhecemos hoje.

É de 1938 a primeira escova com cerda de Nylon.

Em 1951  a Okamura, empresa japonesa, inventou e fabricou as primeiras escovas de dentes com cabos de celuloide.

Nos anos 70 as escovas comercializadas eram na sua grande maioria de cerdas duras.

Lembro das escovas Tek® da J&J (tem um cara vendendo uma lacrada no MercadoLivre o.O). Elas vinham numa caixinha de papelão com uma janela de plastico transparente. Não era comum a troca frequente, e minha mãe com sua mania de limpeza, deixava as escovas de molho na Candida® de tempos em tempos pra eliminar os restos de pasta que ficavam entre as cerdas, que eram duras.

A evolução dos materiais e as constantes pesquisas da industria, chegaram ao que se conhece hoje.

Cabos anatômicos, emborrachados, angulados.

Cerdas médias, macias e extra macias, combinadas com pequenos pedaços emborrachados.

Cabeças pequenas, médias e grandes conjugadas com  limpadores de língua e bochecha (!).

Além das uni tufos e interdentais.

No CIOSP 2012 a Bitufo levou uma maquina que monta escovas interdentais. Centenas por hora. Muito interessante

No ano de 2003, o Instituto de Tecnologia de Massachusetts, nos Estados Unidos, publicou uma pesquisa onde questionava sobre o invento mais importante já desenvolvido. Em um primeiro momento, muitos suspeitariam que a roda, os modernos aparelhos de comunicação ou qualquer outra parafernália moderna ganharia o lugar sem maiores problemas. Entretanto, para surpresa geral, a maioria apontou a escova de dentes como o mais importante invento da História.

Se vc conhece alguém que viveu no inicio do sec XX, pergunte a ele como era a higiene oral naquele tempo.

Não me admira lembrar do meu avô paterno desdentado total desde que me conheço por gente. Ele nasceu em 1913, e faleceu há uns 5 anos. Edêntulo, como eu o conheci.

Fonte: aqui e aqui

Published in: on 26 de fevereiro de 2012 at 13:44  Comments (1)  
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Instrumentos rudimentares

Então pessoal, esse é um daqueles vídeos que fazem do Youtube a potência que é!

Incrível como lá se encontra de tudo.

No caso deste video ele é a imagem do que o blog espera passar. A visão da evolução da Odontologia nos instrumentos, materiais e técnicas.

Espero que gostem. O que seria dos medrosos de hoje naquela época???

Aproveitem e obrigada pela visita

Vale a pena dar uma olhada neste canal>>>>>>>Fonte: http://www.youtube.com/user/hrubiales

Published in: on 13 de fevereiro de 2012 at 09:00  Comments (1)  
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