Odontologia Restauradora

 

Neste post, que não é inédito (já publiquei aqui), revisito o tema. 

Estes dias travei um diálogo via twitter com uma colega sobre o que era o sistema NUVA FIL™ da Kulzer, e então me dei conta da evolução das resinas vistas pelo usuário.

No caso: EU!

Em 1984 comecei a trabalhar como assistente de dentista. Para minha sorte, o colega era muito ligado nas novidades.

A resina de uso geral na época era a chamada pasta-pasta e os nomes comerciais de que me lembro era o Adaptic™ e Miradapt™.

Seu uso era exclusivo para dentes anteriores, até distal de caninos. O preparo tinha que ser retentivo já que a fixação era por embricamento mecânico. Nenhuma adesividade.

Cavidade pronta e limpa preparava-se a resina. Como o nome diz, eram compostas por duas pastas (base e catalizador).

A base era levemente amarelada, digamos que era algo perto do 66, e o catalizador branco.

Misturadas em partes iguais, era levada em posição e adaptada com tira de poliéster. Segurava-se até endurecer. Com brocas dava-se o formato mais próximo da anatomia original possível e polia-se com borrachas.

Com partículas grandes, eram muito porosas, o que favorecia o manchamento.

Tá, mas e se o dente não fosse 66?

Simples. A Miradapt™,  por exemplo, tinha corantes: amarelo escuro, claro, cinza e preto (que eu lembro). Era um exercício de advinhação. Na base você acrecentava uma pitada do corante que vc achasse que resultaria no final desejado. Podia ser mais que um. Tinha que lembrar de deixar um pouco mais escuro porque quando adicionasse  o catalizador clareava um pouco.

Tinha também uns corantes liquidos, parecidos com bond. Daí tinha azul, vermelho…

Simples não!!!

O colega já tinha o Sistema Nuva Fil™, mas usava pouco. Numa época que as importações não eram permitidas, era muito difícil comprar reposição. Mas era tudo de bom.

As cores seguiam a escala Vita™, Uhuhuhu! Mas não tinham dentina L A translucides desfavorecia a técnica. Mas pra época, tava bom demais.

Quando fui pra faculdade, os aparelhos já eram mais modernos, e as resinas ainda deixavam a desejar. Era preciso fazer um bisel muito largo pra mascarar uma Cl lll nos incisivos inferiores, por exemplo.

O aparelho da foto é do meu primeiro fotopolimerizador. A luz tinha a intensidade de uma vela, e quando o contato zinabrava eu limpava com um disco de lixa e ganhava uma sobrevida. Alta tecnologia!

Restauração direta posterior, só amalgama.

Teve uma fase, inclusive, que falava-se em “amalgama adesivo”.  Difundiu-se a idéia de ataque ácido, Bond e amalgama (!!!)

Os sistemas adesivos eram pra esmalte, e fazer ataque ácido em dentina era um sacrilégio.

Daí surgiu o primer; e atacar a dentina passou a ser indicação.

O Bond se uniu ao primer em uma só aplicação.

Hoje as resinas estão na 6º geração. As auto condicionantes. Tem até YO pra dentes clareados e outras bem firmes que permitem condensação e facilitam fazer o ponto de contato.

Eu uso as de 5º geração porque são mais abrangentes.

Pois é, a Odontologia Restauradora evoluiu mesmo!!!

Em tempo: A fonte da pesquisa, no caso ” soy jo”!

Published in: on 13 de março de 2012 at 21:17  Comments (2)  
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O amalgama nosso de cada dia

O amalgama de prata, na Odontologia atual, é visto como um vilão, por uma grande parte dos colegas.

Respeito todas as opiniões, por isso vou colocar  a minha.

O objetivo primeiro do blog é falar sobre a evolução da Odontologia, e não se pode falar no assunto sem falar do amalgama.

Sabe-se que os Chineses foram os primeiros povos a utilizar a “pasta de prata” em meados do seculo VII para preencher dentes deteriorados. No seculo XIX esta pasta já era largamente empregada na Inglaterra e na França, como material obturador, porém, ela expandia em demasia, causando fraturas nos dentes.

Com a evolução da tecnologia para produção da liga, e com os estudos realizados sobre o tema, as ligas foram sendo melhoradas, e muito.

As ofertas no mercado variam para cada necessidade. Tem com variação no tamanho e formato das particulas, porcentagem de componentes, formas de uso etc. A expansão e contração diminuiram.

Além da forma limalha+mercurio  separados, existem os encapsulados, que foram desenvolvidos pensando na menor exposição aos vapores de mercurio.

A foto que ilustra este post é de uma balança de Crandall e um conjunto de grau e pistilo.

Antes do advento dos amalgamadores, as porções de amálgama eram preparadas com o uso deste equipamentos.

Pesava-se a limalha e o mercurio e estes eram “amalgamados” no grau com o pistilo. A mistura era colocada num pequeno pedaço de tecido e comprimida, afim de liberar o execesso de mercurio. A exposição do profissional ao metal era grande, no momento, e tardiamente, visto que os vapores ficavam no ambiente. A qualidade do amalgama era suspeita, visto que a proporção, frequentemente era alterada, para se ganhar tempo de trabalho. Os amalgamadores vieram então pra diminuir estes riscos e facilitar o trabalho. Eles proporcionam os componentes e os manipulam sem o contato manual. A proporção de limalha e mercurio é determinada pelo profissional.

Daí surgiram os encapsulados, onde as proporções são pré-definidas pelo fabricante, mas  existe a opção de escolha quanto ao tempo de presa e a quantidade.

Sem adesividade ao tecido dental, a fixação da restauração se dá por  embricamento mecânico, ou seja, a cavidade deve ser retentiva. A expansão de presa é fator importante. Há necessidade de maiores desgastes de tecido dentario, e a forma da cavidade deve respeitar preconizações como valores de ângulos internos e arredondados, o que fatalmente leva a um maior desgaste. Instrumentos de corte (brocas) mais delicadas e menores favorecem o preparo de cavidades menores, com a mesma efetividade.

Porém, eu, modestamente, acho que muito do lado vilão do preparo para  amálgama deve ser creditado ao conceito de “extensão preventiva”.

Durante um longo período, os preparos cavitários em molares eram feitos obedecendo este conceito. Acreditava-se que um dente acometido por cárie no sulco, era forte candidato a recidiva, e então o preparo era estendido para zonas hígidas. Usava-se o termo “preparo em calda de andorinha” devido a  restauração apresentar, ao final,  semelhança com a ave (!)

Atualmente existem correntes prós e contra amálgama. Alguns muito radicais (uma colega no face chegou a dizer que preferia perder o dente a ter uma restauração de amalgama na boca!!!), outros nem tanto. A contaminação por mercurio e a escravidão estética, são os maiores responsáveis pela diminuição de seu  uso.

Eu  faço amalgama, ainda que muito pouco (acho que não fiz nem 5 no ano passado).

O custo baixo perdeu terreno com a evolução das resinas e a oferta de preço. Falaremos de resina em outra oportunidade.

Em serviços publico de saúde, ainda é bem utilizado, mais pela praticidade e hábito que por economia.

Este é um assunto apaixonante, a meu ver, e eu ficaria aqui falando sobre isso horas/paginas, mas vou poupá-los. Quem sabe outro dia retomo o assunto.

Eu vejo no amalgama de prata, um parceiro muito importante para que a Odontologia deixasse de ser tão mutiladora

Em tempo: Respeito todas as opiniões!

Published in: on 16 de janeiro de 2012 at 11:56  Comments (4)  
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