Endodontia. Como não amar?

 

Olá leitores,

Como prometi no post anterior vou falar um pouco do que vi no Masterex sobre os avanços nas áreas que foram abordadas durante o evento.

Devo lembrar que o evento era promovido pela Kavo Kerr e, portanto a ênfase era dada aos seus equipamentos.

Quando falei aqui pela primeira vez sobre endodontia abordei as dificuldades de ser acadêmico e entender a dinâmica da coisa. Aquela endodontia, com pequenas mudanças, ainda é praticada e se seguido o protocolo, dá sim resultado.

Ocorre que a ciência não para.

Num outro post falei da endo tecnológica, com localizadores apicais, os microscópios óticos e a instrumentação rotatória e a idéia da lima única, e de leve comentei sobre os sistemas reciprocantes. Sobre este último eu ainda tenho minhas restrições mas as pesquisas seguem avançando.

Neste evento o Prof. Marcelo dos Santos apresentou mais detalhadamente o sistema TF Adaptive  que nós tivemos a chance de usar durante o hands on. Basicamente o sistema consiste num console com micro motor com quatro possibilidades de programa. Quando no modo reciprocante, a grosso modo, o sistema é capaz de perceber a pressão exercida sobre a lima, alterando o movimento para o sentido contrário, diminuindo o stress sobre a lima e consequentemente os riscos de fratura. As limas do sistema são de NiTi mas são produzidas através da torção do metal, o que confere maior resistência e flexibilidade quando comparada as fabricadas por usinagem. O numero de instrumentos é menor, com um código de cores especifico e que otimiza todo o procedimento.

As vantagens da irrigação ultrassônica passiva (PUI) também foram abordadas e um sistema que faz a irrigação ao mesmo tempo que faz a aspiração intra canal me encantou, mas acreditem, o preço ainda é proibitivo.

Foram algumas horas absorvendo conhecimento, ouvindo sobre como otimizar nossos procedimentos, como diminuir a extrusão de raspas para o periápice, sobre as diferenças entre o Hipoclorito de sódio e a Clorexidina como substância química auxiliar e etc.

Mas na verdade, o bom de participar deste tipo de evento é ver os avanços sim, mas principalmente nos permitir trazer pro nosso dia a dia, ainda que sem toda esta tecnologia, a possibilidade de praticar cada vez mais uma Odontologia  de qualidade baseada em trabalhos científicos, onde o grande beneficiado é o nosso paciente.

No próximo post: Implantodontia

Published in: on 26 de setembro de 2016 at 08:00  Deixe um comentário  
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Engenharia Odontológica

 

 

Olá leitores,

Eu costumo dizer que a endodontia é a especialidade odontológica mais influenciada pelos avanços da tecnologia.

Localizadores foraminais, instrumentadores, termo plastificadores, microscopia, para citar alguns.

Para um clinico, como eu, que ama a Endodontia, são avanços capazes de fazer os olhos brilharem

Ontem eu tive o prazer de assistir uma palestra de um colega Osequeano sobre um sistema misto de instrumentação endodôntica. Um novo sistema inteligente que  seleciona automaticamente o movimento da lima, que pode ser reciprocante ou rotatório.

Isso não deve ser novidade para os especialistas, mas para mim, o é.

Basicamente o sistema alterna os movimentos quando a lima for submetida a x-Newtons no interior do canal. Ele então os movimentos rotatórios são interrompidos e o sistema faz um movimento no sentido contrário até que o torque permita girar novamente.

As limas desse sistemas são de NiTi e são produzidas por torção, diferentemente dos outros sistemas que tem limas fabricadas por usinagem, tem tratamento de superfície e uma certa capacidade de retomar a forma quando deformada. Maior durabilidade e menor risco de fratura.

Fui apresentada também ao instrumento para limpeza final do canal chamado XP 3D, também de NiTi, que acoplado ao micro motor convencional gira livremente no canal e como é muito flexível agita muito bem a substância irrigadora, favorecendo a remoção do smear-lear.

Mas então eu me perguntei:

Efetivamente, qual a camada da população brasileira terá acesso a esses avanços num futuro próximo?

Quantos colegas terão “bala na agulha” pra investir?

Claro que não é só isso que deve pautar nossas vidas profissionais, mas tem um peso enorme.

Fico realmente agradecida que existam engenheiros extremamente capacitados e dedicados e melhorar nosso material de trabalho. Preocupados com as ligas metálicas, suas elasticidades, suas capacidades de memória, seus tratamentos de superfície, suas superfícies de corte, etc., etc., etc.

Que esse arsenal todo seja aliado dos colegas especialistas, a quem nós recorremos quando não conseguimos resolver um caso cabeludo.

Eu, curiosa que sou, e apaixonada pela endodontia, estou sempre tentando levar pro meu dia a dia aquilo que os pesquisadores descobrem, mas tenho pra mim, que ainda serei dependente das boas e velhas limas K por algum tempo.

Ainda mantenho com meu rotatório uma relação de respeito.

E que venham os avanços!

Published in: on 29 de outubro de 2015 at 19:11  Deixe um comentário  
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