Cadê a livre concorrência?

 

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Olá leitores.

Hoje me dei conta de uma situação que há muito vem acontecendo, mas me parece que agora está muito clara.

Como qualquer atividade profissional a Odontologia tem suas particularidades e o uso de materiais específicos restringe nossos fornecedores.

Alguns ítens como algodão, alcool, guardanapos, gaze e material de limpeza, por exemplo, podemos adquirir no mercado comum, mas o material específico para consumo nós compramos em casas especializadas chamadas de Dentais.

Se você não é dentista desconhece, mas precisamos para cada intervenção uma enormidade de ítens. Eu que faço endo (canal) escuto frequentemente comentários do tipo: Nossa, quanta coisa a senhora usa!

E como acontece com todas as profissões cada um desses ítens compõe nossos preços. E é aí que o bicho pega.

Nos ídos dos anos 80 a três grandes casas do ramo em São Paulo eram a Dental Vieira, a Dental Tanaka e a Dental Gaucho.

Numa época sem internet fazer cotação de preço por telefone consumia grande parte do dia, mas valia a pena. Cada uma tinha o seu ponto forte. Uma tinha preços melhores em equipamentos, outra em materiais restauradores, de moldagem ou ainda em material para laboratório de prótese.

Eu, por exemplo, fazia planilhas para o meu patrão ~a mão~ com três colunas e ligava para cada loja. Depois comprava na mais em conta. Quando as diferenças eram pequenas e em poucos ítens as concorrentes cobriam os preços.

Muitos devem estar pensando qua ainda é assim, mas NÃO!!!

Durante os anos 90 e 2000 o numero de casas dentarias aumentou e a concorrência ficou maior. As lojas de bairro ganharam terreno por estarem próximas ao cliente e que por consequência os conheciam melhor. O numero de ítens e marcas eram menores e o consumidor era menos exigente.

De volta aos dias atuais, a realidade é bem outra.

Com a abertura do mercado, os avanços tecnológicos e o crescente numero de procedimentos e técnicas o numero de ítens e de fabricantes dificultou a vida dos pequenos. Os grandes fabricantes colocam limites muito altos para faturamento e impõe compras. Se o comerciante quer comprar o alginato lider de mercado vai ter que levar aquele anestésico que poucos compram. Passou a existir uma espécie de entreposto.

Funciona mais ou menos assim. O cara grande compra em quantidade, negocia os preços e os prazos, faz estoque e quando o pequeno precisa compra o numero que quer, no preço que o entreposto quer. E o pequeno compra o que quiser e puder.

O ponto que me levou a escrever este post é este.

Cada dia mais estamos reféns desses entrepostos. Olhando de longe parece um pouco com cartel, e olhando de perto se tem essa certeza.

O comerciante do bairro, que sempre te atende e te socorre quando acabou o lençol de borracha e vc só se deu conta ao lembrar que o proximo paciente é uma endo de alguém que saliva mais que chupador de limão, não consegue competir em preço com quem dá as cartas.

E cada vez mais o croupier ta mandando no jogo.

Hoje fui cotar luvas de procedimento, sim, aquele ítem indispensável no nosso dia a dia e me dei conta que as duas maiores empresas do ramo tem exatamente o mesmo preço, com a mesma promoção. O mesmo ocorre para outros ítens. Fiquei me perguntando onde foi parar a livre concorrência. Pensando como, e se sobreviverão esses comercios locais.

Eu, em concordância com alguns amigos achamos importante prestigiar o comércio local. Fazer girar o dinheiro na sua comunidade, mas de verdade tenho minhas dúvidas de até onde eles conseguirão ir. Custos fixos altos, encargos trabalhistas, regras de mercado apertadas e etc.

Comprando na comunidade consigo manter parte dos impostos por aqui mesmo, até porque as empresas saem dos grandes centros normalmente para regiões com isenções de impostos e mão de obra mais barata, ou seja, não estão preoculpados exatamente conosco.

E de pensar que se nós precisamos deles, eles precisam de nós igualmente. Ou mais!

 

 

 

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Published in: on 8 de outubro de 2016 at 21:12  Deixe um comentário  
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