Radiologia

Ahhh, a Radiologia!!!

O que dizer dessa cadeira?

Pra nós que adoramos endodontia, a radiologia é a possibilidade de enxergar, em parte, o que estamos fazendo. Se bem que as vezes seria melhor não ver.

No meu curso de graduação, a clinica de radiologia era aos sabados. Veja se isso tem graça!

Pouco me lembro das aulas teóricas. Neste caso, muito teóricas mesmo.

Já a clínica era um “sucesso”.

Quem aos vinte anos consegue algum raciocínio lógico num sábado de manhã?

Eeeeuuu! E alguns colegas, que como eu, não tinham grana pra balada na sexta 😦

Entrar na clínica com sol pra nós era raridade, pois estudávamos à noite. Claro as vezes chovia e fazia frio. Ahhh! Isso fazia! Ô lugar frio do ca…ramba!

Roupa branca, cara séria para tentar convencer aquelas pessoas que nossas caras de crianças não deveriam preocupá-los.

Nós não fazíamos as tomadas panorâmicas. Só periapicais (eu acho).

Nada de posicionadores.

Paciente sentado. Linha de Camper ou linha trago comissura labial paralela ao chão (né @kcbelmonte).

Posicionado o filme, o paciente segura com o polegar (se ele não vomitar) vc posiciona o cabeçote do aparelho seguindo angulos pré determinados para cada técnica e dente a ser radiografado. Se não me falha a memória a sequência 50 – 40 – 30 – (-20) – (-10) e zero, para técnica da bissetriz.

Os filmes eram posicionados na colgadura (uma duzentospéia metálica horrorosa e  triste de transportar) na ordem. Ou deveriam ser.

Repetido este passo 14 vezes para cada paciente, íamos para a câmara escura.

Filmes abertos e recolocados na colgadura para serem processados.

CUIDADO não pode entrar luz!

CUIDADO que o grampo não pode ficar sobre a imagem!

CUIDADO pra não marcar o filme com o dedo!

Não havendo nenhum susto, mergulhavamos a tal colgadura no revelador. Acho que íamos pra câmara em trios, e tinhamos também que:

CUIDADO: não encoste uma colgadura na outra pra não riscar!

Revelador-Água-Fixador-Água (que deveria ser Benta, afinal essa hora era digna de oração)

Daí vinha a hora da verdade, a avaliação do professor!

Não revelou o suficiente;

Revelou demais;

Algumas tomadas não estão no centro do filme.

Bora repetir!

Então voltávamos a sala de espera, chamávamos o “paciente” novamente e na maior cara de pau dizíamos:

_Vamos ter que repetir algumas que não saíram boas. Não são todas. (Só 11!)

Mas, analisar as radiografias, diferenciar estruturas e  identificar suspeitas diagnósticas ainda demoraria algum tempo.

Atualmente os aparelhos são digitais, e apesar de caros, arrisco dizer que em breve dominarão os consultórios. Afinal, quer coisa melhor que não precisar revelar radiografia, se livrar do cheiro horroroso das quimicas nas mãos e das terríveis e DEFINITIVAS manchas de fixador na roupa 🙂

Em tempo: Certa vez, quando o paciente usou o polegar pra posicionar o filme, pedi que trocasse pelo indicador, que naquela situação me parecia mais adequado, e ele respondeu que não… pra logo depois completar: eu não tenho o indicador o.O (ele era amputado). O clima estava leve e rimos, mas a saia ficou um pouco justa :/

Published in: on 30 de maio de 2012 at 15:08  Comments (4)  
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