Amálgama faz mal??

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Se você já é leitor deste blog, sabe que minha intensão é traçar um paralelo entre a Odontologia de outrora e atual, fazer comparações ressaltando as mudanças e sempre que possível com bom humor (se você ainda não leu os outros posts deixo aqui um convite para fazê-lo).

Hoje vou falar de um tema que frequentemente é requentado e com o dinamismo das redes sociais é rapidamente disseminado, a boa e velha lutra do bem contra o mal chamada “Amalgama x Resina”.

De um modo geral, todas as pequisas e desenvolvimentos de produtos tem por objetivo melhorar as tecnicas e oferecer ao paciente algo mais avançado e com maiores beneficios em relação as tecnicas anteriores. Ninguém em sã consciência quer voltar no tempo.

Vejo assim os implantes agulhados que com o advento dos osseointegrados foram totalmente descartados, mas quem viveu a fase dos agulhados e pôde com eles devolver a capacidade mastigatória e estética para muitos pacientes não pode desmerecer seu valor. Os próprios osseointegrados com diferentes tratamentos de superfície ou menores diâmetros e comprimentos já desbancaram os primeiros apresentados, mas nem por isso a geração anterior deve ser desmerecida. O antigo tem o seu valor.

Na endodontia, o uso das tecnicas rotatórias com limas de NiTi praticamente desbancaram o bom e velho PQM com as limas K, isso sem falar nas obturações feitas com cone de prata.

Então por que a Dentistica enfrenta essa batalha em desmerecer o antigo?

Durante muitos e muitos anos o amálgama de prata foi a única opção de restauração direta acessível. Muitos e muitos dentes só puderem ser mantidos na boca devido a estas restaurações. A liga resultante da mistura de limalha de prata e mercúrio (Hg) liquido é estável, resistente e barata, mas infelizmente é feia.

Ao contrário do implante e do cone de prata que só tem sua troca indicada quando houve um problema istalado, as restaurações de amalgama sofre “bulling” por serem escuras. Sofrem preconceito numa sociedade completamente dominada pelo padrão dentes brancos.

Muito já se falou sobre isso e você poderá ter muito mais dados nestes posts do Medo de Dentista e DicasOdonto, mas eu quero mesmo é deixar aqui minha visão pessoal.

Sou formada na turma de 1990 da antida OSEC (hoje UNISA). Naquela época a única resina que tínhamos a disposição na faculdade eram as indicadas para dentes anteriores. Para dentes posteriores somente o amálgama. Claro que já existiam os amalgamadores que porcionam e preparam a liga para adaptação nas cavidades, mas a título de conhecimento nós aprendemos a preparar a liga manualmente, pesando a limalha e o mercúrio na balança de Crandall, misturando com o auxílio de um grau e pistilo de vidro e com uma flanela removíamos o excesso de mercurio livre antes de acomodar a mistura na cavidade. Falei disso aqui.

Ok, eu concordo que não é o material mais salubre que temos a disposição, mas não precisamos demonizá-lo mesmo porque para muitos serviços público de saúde ele é a única opção. Colegas que atendem nestes serviços me contaram que existe a oferta de resinas mas nem sempre o protocolo de uso pode ser executado e o amálgama tem protocolo mais simples. Os fotopolimerizadores nem sempre tem potência suficiente para polimerização de camadas mais grossas e a tecnica incremental para uma classe II ampla no tempo que os colegas tem para atendimento é outro ponto desfavorável. Nem sempre o sugador do equipo funciona e manter o campo seco é mais uma dificuldade.

Daí outros vão dizer:

-“Então temos que lutar por materiais e condições melhores para esses atendimentos.”

Sim mas enquanto isso não acontece vamos deixar essa camada da população sem atendimento? Isso sem falar nos rincões do Brasil. Essa Odontologia de facetas e onlays não atinge a grande maioria dos brasileiros. Acreditem, existe uma parcela enorme de brasileiros que não faz idéia do que seja um clareamento, uma parcela que acha que ter dentes é muito mais importante do que ter dentes brancos.

Essa luta ainda vai ter muitos rounds.

Vejam, não estou dizendo aqui que o mercurio não faça mal, apenas digo que não há comprovação cientifica suficiente sobre a liberação dos vapores das restaurações.

Mas a motivação para escrever este post foi de um vídeo onde uma colega paramenta a si e ao paciente com tanto exagero antes da remoção de uma restauração de amálgama que me fez sentir uma sobrevivente e a me perguntar como estou viva até hoje tendo manipulado tanto amálgama e ainda tendo restaurações destas na boca?

Cheguei a conclusão que somos uma geração de zumbis, um bando de mortos vivos que atendem pela alcunha de “dentistas que usavam amálgama”.

Ah, me poupem!

#prontofalei

 

 

Published in: on 10 de dezembro de 2016 at 17:47  Comments (2)  
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Materiais Dentários

Balança de Crandall, gral e pistilo

O cara que vai ao dentista pra colocar uma “massinha” no dente, ou um “pivot”, ou ainda uma “chapa”, não pensa, efetivamente, no material que será usado.

Pois é, nós pensamos. E como!!!

A cadeira de Materiais Dentários é mais uma daquelas que, se não tirava nosso sono, pelo menos atrapalhava!

Nela nós aprendemos a composição, indicação e contra indicação de tudo aquilo que usamos para devolver a saúde e função dos dentes.

Polímeros, ligas metálicas, gipsita, elastômeros, quelantes e vernizes.

Forradores, restauradores temporários, cimentos, restauradores definitivos, diretos e indiretos, tudo estudado no detalhe do detalhe.

E claro, tudo muito subjetivo, afinal, ainda não colocávamos a mão na massa.

Reação e tempo de presa, proporções, biocompatibilidade, materiais antagônicos.

Será que ainda se estuda os cimentos de oxido de zinco e eugenol tipo  I, II, II e IV???

Propriedades e composições devidamente aprendidas, vamos pôr em prática.

E como tudo na graduação, as aulas práticas eram sempre uma incógnita. Transformar em ação tudo que tínhamos em imaginação era temeroso.

Bora pro laboratório. Modelo nas mãos muita curiosidade e coragem. Era mais ou menos assim:

Pasta zinco enólica: Dispense partes iguais das duas pastas sobre a placa de vidro. Espatule bem até ficar homogênea. Preenche a moldeira individual, leve em posição e deixa tomar presa , remove e…  passa as proximas 4h tentando limpar a placa e a espatula. Muito utilizada para fazer depilação de bigodes.

Godiva em placa: Amolece a placa na água morna, num dispositivo muito prático, parecido com um coador de café gigante. Acomode na placa do garfo do articulador que vc levou 40min pra ajustar na orelha do paciente, posicione o garfo no arco do articulador, mande o paciente morder e perceba que o tempo de ajuste esfriou a godiva. Remova da boca e leve ao coador gigante novamente 😦

Godiva em bastão: Acenda a lamparina. Aqueça o bastão direto na chama, até plastificar, mas não pode queimar. Adapte pequenas porções na periferia da moldeira individual e com ela ainda plástica, ponha na boca do paciente. Enxugue a lágrima que vai se formar no canto do olho do coitado. Repita várias vezes. Se ele deixar 😦

Alginato: Espatule na proporção recomendada pelo fabricante, que nunca é precisa. Coloque na moldeira, tentando equilibrar a meleca sem que ela escorra. Ponha na boca do paciente. A consistência não pode ser nem “muito mole de vomitar” nem “muito duro que não copie nada”. Repita a operação mais umas 12 vezes, ou até que o professor não enxergue nenhuma bolha.

Forrador de HCa: Dispense no bloco de espatulação duas pequeniníssimas porções de base e catalizador. Ponha uma quantidade de cada tubo pq nunca, jamais se saberá quem endurece quem. Misture com o colocador de hidroxido de Ca (muito inteligente esse nome), limpe a primeira porção, pegue uma pequena quantidade e leve no fundo da cavidade que deve estar seca. Comece tudo de novo pq já endureceu.

Amálgama: Pese  limalha de prata e mercurio na balança de Crandall (sim, nada de amalgamadores), leve as porções para o gral. Triture com o pistilo até que a mistura comece a subir pelas paredes. Passe a mistura para um flanela e torça a fim de remover o mercurio residual, que pode ficar “residual” na sua roupa, mão, bancada. Com o auxilio de um porta amálgama, leve pequenas quantidades a cavidade. Comece pelas caixas proximais. Condense com condensadores de numeros crescentes. Use o brunidor pra aflorar o mercurio excedente (de novo). Espere até ouvir o “grito do amálgama” e comece a esculpir. Perceba que ele endureceu e não vai esculpir mais nada. Fique tranquilo, vai ficar uma porcaria, mas vc conserta com a broca, ou tenta :/  Ahhh! Vc lembrou de forrar a cavidade com verniz, não é?

Cimento de policarboxilato (Durelon): Porcione pó e liquido. Espatule. Leve ao redor do dente para complementar o isolamento absoluto. Reze. Ele sempre, sim sempre, voltará preso na espátula. Material do tipo: gruda em tudo, menos onde precisa. A guta percha em bastão tem a mesma feliz propriedade, assim como o cimento cirurgico.

Cimento de Fosfato de Zn: Ponha pó e liquido na  proporção de uma medida #3 para 3 gotas, numa placa de vidro fria. Gelada é melhor. Mas não pode estar molhada, claro. Divida o pó em 2 partes. Uma dessas partes em 2 partes e novamente uma dessas em 2. Repita a divisão mais duas vezes :/ Vc obterá então 8 partes diferentes. Comece espatulando a menor com o liquido e vá juntando as outras em ordem crescente, até terminar, e se não tiver endurecido vc pode usá-lo. Muito fácil e objetivo.

RAAQ (resina acrilica ativada quimicamente)/ Tecnica de Nealon: Coloque monomero num dappen e polimero em outro. Molhe as cerdas de um pincel numero zero no monomero e depois pegue uma pequena quantidade de pó com o pincel úmido, fazendo uma “perola” de acrilico na ponta do pincel. Acomode na cavidade a ser modelada (para nucleo) e vá acrescentando até atingir o formato desejado. Lembre-se que a resina acrilica é de rápida presa e que tem expansão de polimerização, portanto tire e ponha o material do conduto, em movimentos repetitivos antes que ele endureça, e nunca mais saia. Mas não pode tirar muito cedo pq senão ele endurece fora, e nunca mais entra. Se não der certo, comece de novo, mas pegue outro pincel, porque você esqueceu de limpar o que vc usou e ele endureceu. Dica: Compre caixas com 50 😦

E olha que tudo era feito em modelos, sem língua ou saliva pra atrapalhar.

Então, agora vc está aí, formado, dominando todas as etapas. Faça um minuto de silêncio e renda homenagens a esta cadeira. Afinal, tudo o que fazemos hoje, apanhamos muito pra dominar naquelas aulas.

E, na boa?

O alginato continua me dando baile 🙂

Em tempo: Durante a aula de moldagem, um colega moldava o outro. Uma das duplas achou que a presa do alginato estava muito demorada e chamou o professor. Susto!!!  A colega tinha carregado a moldeira com gesso 😦

Quais são os seus traumas com materiais? Conte pra gente nos comentários. É bom saber que não somos os únicos destros com duas mão esquerdas 🙂

Published in: on 28 de junho de 2012 at 12:55  Comments (5)  
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CIOSP ou Congressão pros íntinos!

 

Como a maioria dos meus leitores ja sabem, eu me formei  Tecnica em Prótese Dentária em 1988. Em 1987, fui a um congresso para protéticos, no então chiquérrimo Hotel Maksoud Plaza. Aproveitei muito pouco. Meu conhecimento era muito básico e a dinâmica do evento pouco me ajudou. Tomei isso como experiência.

Durante a faculdade eu não fui a Congressos pensando justamente no pouco que poderia aproveitar. Além do que eu trabalhava o dia todo e as inscrições eram pagas, pra mim, outro empecilho.

Me formei Dentista no final de 1990, e aí, com outra visão passei a frequentá-los.

Aqui eu me refiro principalmente ao CIOSP, um mega evento,que acontece anualmente, em janeiro, na cidade de São Paulo, e é organizado pela Associação Paulista de Cirurgiões Dentistas.

Nem sempre foi assim.

Tudo começou em 1957 com o nome de I Congresso Paulista pró Sede Própria e se deu na Galeria Prestes Maia de 21 a 27 de julho daquele ano, sob a presidência de Edmundo Nejm. O evento contou com a participação de incríveis 1300 pessoas.

A segunda edição aconteceu somente de 01 a 07/07 de 1961 e contou com 1800 participantes. Seu presidente foi Paulino Guimarães Junior. A terceira edição aconteceu entre 17 e 23/07 de 1968, sob a presidencia de Francisco Degni. Contou com 2200 participantes. A partir daí passou a ser bianual e em janeiro.

Em 1974, em sua sexta edição passou a ser realizado no Palacio das Convenções do Anhembi. Com 4200 inscritos, um espaço maior era necessário. Seu Presidente foi Haroldo Montagna

O numero de participantes aumentava exponencialmente, e a partir de 1994 o evento passou a ocupar também o Pavilhões de Exposições do Anhembi, as instalações da sede da APCD/Central e do Hotel Maksoud Plaza. Nesta Edição, presidida por Carlos Alberto Dotto, o numero de participantes já era de 20.032. Neste ano ocorreu a I FIOSP (Feira Internacional de Odontologia de São Paulo). Hoje o CIOSP faz parte da agenda oficial de eventos da cidade de São Paulo. É o chamado turismo de negócios.

Cirurgiões-Dentistas, Acadêmicos, TPD, TSB e ASB tem adesão gratuita ao  CIOSP já há alguns anos.

A FIOSP reuni representantes comerciais de todo o mundo, propiciando ao congressista contato direto com materiais, instrumentos e equipamentos, nacionais e importados, facilitando seu conhecimento sobre eles e eventualmente sua compra.

Mas o objetivo primeiro do Congresso é a atualização e informação cientifica dos congressistas.

A partir do ano passado, passou a ser realizado no Expo Center Norte e a organização esperava contar com publico de 50mil pessoas. Eu particularmente, acho que a mudança deixou a desejar, a não ser pelo fato de podermos contar com ar condicionado, porque, calor de 30° dentro do Anhembi, chegava a ser cruel. Talvez fosse um período de adaptação. Aguardemos !

Para a proxima edição, a 30° sob a presidência de Carlos Alberto Oliveira Battaglini, a ser realizado de 28 a 31 de janeiro de 2012  espera-se superar a marca de 50.797 inscritos na 29° edição.

Como vocês puderam observar, o sucesso é visível, mas, sempre tem um mas…

Eu, como Congressista, sinto falta das empresas do ramo focarem na conquista e fidelização dos clientes. Explico.

Salvo raras e honrosas excessões, as empresas de material odontológico, empenham-se muito em vender seus produtos. Nomes como a Dentisply, a 3MESPE, J&J, Angelus e outras, num passado próximo promoviam rapidos wokshops e hands-on que serviam além de divulgar o produto, tirar duvidas sobre composição, uso e tecnicas. Muito do que eu uso hj, tive contato numa dessas exposições.

Nos ultimos anos esse lado foi abandonado. Acredito que o alto custo dos espaços tenha pesado. As empresas se instalam em áreas minusculas e, não raramente, tem uma área VIP (tratamento desigual para iguais). Será que elas não veem que todos os profissionais compram do mesmo jeito?

Algumas empresas ainda promovem palestras, mas o esquema de inscrição, que por vezes é por ordem de chegada na hora do evento, sempre tem preteridos. Sem falar naqueles jogos e micos que até presenteiam quem se dispuser a participar. Eu que não me presto a tal…

Gostaria de deixar aqui também uma sugestão para estas empresas. O brinde dado será de maior valia, se puder ser utilizado no consultório, onde o profissional testaria , e se agradado, consumiria. Canetas, blocos de papel, escovas e cremes dentais pra quê?

Eu, por exemplo uso as cunhas de borracha e a unimatriz da TDV pq ganhei, usei e adorei (não ganhei nada pra declarar isso, viu!)

Bem, de qualquer forma, o Congressão começa no próximo sábado. Com uma grande e diversificada grade cientifica.

Sem falar no encontrar colegas, trocar experiências e fazer o tão falado networking.

Ah, e tem ainda a  programação social, porque ninguém é de “amálgama”!

Sejam bem vindos e aproveitem São Paulo!

Em tempo:  1ºFórum de blogs e mídias sociais na Odontologia dia 28/01/2012 das 9 às 11h.

Vai Bombar! hehehe A gente se vê!

 

 

Published in: on 23 de janeiro de 2012 at 09:00  Comments (2)  
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O amalgama nosso de cada dia

O amalgama de prata, na Odontologia atual, é visto como um vilão, por uma grande parte dos colegas.

Respeito todas as opiniões, por isso vou colocar  a minha.

O objetivo primeiro do blog é falar sobre a evolução da Odontologia, e não se pode falar no assunto sem falar do amalgama.

Sabe-se que os Chineses foram os primeiros povos a utilizar a “pasta de prata” em meados do seculo VII para preencher dentes deteriorados. No seculo XIX esta pasta já era largamente empregada na Inglaterra e na França, como material obturador, porém, ela expandia em demasia, causando fraturas nos dentes.

Com a evolução da tecnologia para produção da liga, e com os estudos realizados sobre o tema, as ligas foram sendo melhoradas, e muito.

As ofertas no mercado variam para cada necessidade. Tem com variação no tamanho e formato das particulas, porcentagem de componentes, formas de uso etc. A expansão e contração diminuiram.

Além da forma limalha+mercurio  separados, existem os encapsulados, que foram desenvolvidos pensando na menor exposição aos vapores de mercurio.

A foto que ilustra este post é de uma balança de Crandall e um conjunto de grau e pistilo.

Antes do advento dos amalgamadores, as porções de amálgama eram preparadas com o uso deste equipamentos.

Pesava-se a limalha e o mercurio e estes eram “amalgamados” no grau com o pistilo. A mistura era colocada num pequeno pedaço de tecido e comprimida, afim de liberar o execesso de mercurio. A exposição do profissional ao metal era grande, no momento, e tardiamente, visto que os vapores ficavam no ambiente. A qualidade do amalgama era suspeita, visto que a proporção, frequentemente era alterada, para se ganhar tempo de trabalho. Os amalgamadores vieram então pra diminuir estes riscos e facilitar o trabalho. Eles proporcionam os componentes e os manipulam sem o contato manual. A proporção de limalha e mercurio é determinada pelo profissional.

Daí surgiram os encapsulados, onde as proporções são pré-definidas pelo fabricante, mas  existe a opção de escolha quanto ao tempo de presa e a quantidade.

Sem adesividade ao tecido dental, a fixação da restauração se dá por  embricamento mecânico, ou seja, a cavidade deve ser retentiva. A expansão de presa é fator importante. Há necessidade de maiores desgastes de tecido dentario, e a forma da cavidade deve respeitar preconizações como valores de ângulos internos e arredondados, o que fatalmente leva a um maior desgaste. Instrumentos de corte (brocas) mais delicadas e menores favorecem o preparo de cavidades menores, com a mesma efetividade.

Porém, eu, modestamente, acho que muito do lado vilão do preparo para  amálgama deve ser creditado ao conceito de “extensão preventiva”.

Durante um longo período, os preparos cavitários em molares eram feitos obedecendo este conceito. Acreditava-se que um dente acometido por cárie no sulco, era forte candidato a recidiva, e então o preparo era estendido para zonas hígidas. Usava-se o termo “preparo em calda de andorinha” devido a  restauração apresentar, ao final,  semelhança com a ave (!)

Atualmente existem correntes prós e contra amálgama. Alguns muito radicais (uma colega no face chegou a dizer que preferia perder o dente a ter uma restauração de amalgama na boca!!!), outros nem tanto. A contaminação por mercurio e a escravidão estética, são os maiores responsáveis pela diminuição de seu  uso.

Eu  faço amalgama, ainda que muito pouco (acho que não fiz nem 5 no ano passado).

O custo baixo perdeu terreno com a evolução das resinas e a oferta de preço. Falaremos de resina em outra oportunidade.

Em serviços publico de saúde, ainda é bem utilizado, mais pela praticidade e hábito que por economia.

Este é um assunto apaixonante, a meu ver, e eu ficaria aqui falando sobre isso horas/paginas, mas vou poupá-los. Quem sabe outro dia retomo o assunto.

Eu vejo no amalgama de prata, um parceiro muito importante para que a Odontologia deixasse de ser tão mutiladora

Em tempo: Respeito todas as opiniões!

Published in: on 16 de janeiro de 2012 at 11:56  Comments (4)  
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