Mensagem subliminar. Será?

monica

Oi pessoal.

Muitas pessoas me perguntam como e quando eu decidi ser dentista e minha resposta é pronta e direta: Não sei.

Explico.

Era meados do ano de 1980 e eu estava no último ano do ginásio (fundamental 2 se preferirem). O próximo ciclo seria o colegial (ensino médio) que naquela época podia ser feito na forma dos cursos Técnicos Profissionalizantes.

Numa conversa entre colegas, todo mundo meio perdido no rumo que tomar, alguém comentou que a partir de 1981 um colégio municipal bem conceituado na época EMPSG Prof. Derville Alegretti passaria a ter o curso de Prótese Dentária e que as inscrições pro vestibulinho já estavam abertas e então eu pensei, taí, vou prestar.

Entrei. Esse foi meu primeiro contato com dentes.

Eu e meus colegas de turma fomos uma espécie de cobaias por sermos a primeira turma. A grade curricular foi adaptada e nós tivemos matérias básicas somente no primeiro ano. No segundo e terceiro anos o curso era totalmente voltado pra carreira.

Física e química dos materiais, Materiais Dentários, Escultura Dental, Prótese Total, etc.

Éramos adolescentes e descobrindo um mundo novo.

Gesso tipo I e tipo II, cera 7 e cera utilidade, ligas de CrCb e NiCr, troquéis, articuladores semi ajustáveis e tipo charneira, gotejadores, LeCron, cadinho, muflas, etc., etc., etc.

Foram dois anos de esculturas de molares que mais pareciam amoras. Montagem de PT que poderiam fazer parte do Thriller do Michael Jackson, alginatos tomando presa antes do tempo e gesso que não tomava presa nunca.

A grande maioria de nós estava ali numa ponte para a Odontologia, mas alguns levaram a Prótese Dentária como profissão.

Hoje, passados 35 anos lembro com imenso carinho dessa época.

Em 1986 entrei na faculdade de Odontologia e em 1990 me formei. A prótese me deu alguns segundos de vantagens para os meus colegas, afinal conhecer e diferenciar molares e pré molares superiores e inferiores na prova prática de anatomia num deixa de ser uma vantagem.

Mas por quê o titulo do texto?

A boneca da foto, uma Mônica de plástico da empresa Troll, foi presente de formatura que ganhei. Sim, formatura do pré primário em 1972.

Aqueles dentes “ligeiramente” desalinhados podem ter sido uma mensagem subliminar para que eu em 1980 decidisse pelos caminhos da saúde bucal.

OK, pode ser viagem, mas eu gosto de pensar assim. Mesmo que eu não tenha me encantado pela ortodontia.

A boneca precisa de restauro, afinal, ela sobreviveu aos filhos e netos da Dona Cidinha, mas não sem prejuízos a sua integridade.

Mensagem subliminar, o destino escrevendo certo por linhas tortas ou apenas alguém que gosta tanto daquilo que um dia foi uma boneca e fica procurando uma razão pra mantê-la por perto.

Freud explica!

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Published in: on 26 de janeiro de 2017 at 16:22  Deixe um comentário  
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Amálgama faz mal??

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Se você já é leitor deste blog, sabe que minha intensão é traçar um paralelo entre a Odontologia de outrora e atual, fazer comparações ressaltando as mudanças e sempre que possível com bom humor (se você ainda não leu os outros posts deixo aqui um convite para fazê-lo).

Hoje vou falar de um tema que frequentemente é requentado e com o dinamismo das redes sociais é rapidamente disseminado, a boa e velha lutra do bem contra o mal chamada “Amalgama x Resina”.

De um modo geral, todas as pequisas e desenvolvimentos de produtos tem por objetivo melhorar as tecnicas e oferecer ao paciente algo mais avançado e com maiores beneficios em relação as tecnicas anteriores. Ninguém em sã consciência quer voltar no tempo.

Vejo assim os implantes agulhados que com o advento dos osseointegrados foram totalmente descartados, mas quem viveu a fase dos agulhados e pôde com eles devolver a capacidade mastigatória e estética para muitos pacientes não pode desmerecer seu valor. Os próprios osseointegrados com diferentes tratamentos de superfície ou menores diâmetros e comprimentos já desbancaram os primeiros apresentados, mas nem por isso a geração anterior deve ser desmerecida. O antigo tem o seu valor.

Na endodontia, o uso das tecnicas rotatórias com limas de NiTi praticamente desbancaram o bom e velho PQM com as limas K, isso sem falar nas obturações feitas com cone de prata.

Então por que a Dentistica enfrenta essa batalha em desmerecer o antigo?

Durante muitos e muitos anos o amálgama de prata foi a única opção de restauração direta acessível. Muitos e muitos dentes só puderem ser mantidos na boca devido a estas restaurações. A liga resultante da mistura de limalha de prata e mercúrio (Hg) liquido é estável, resistente e barata, mas infelizmente é feia.

Ao contrário do implante e do cone de prata que só tem sua troca indicada quando houve um problema istalado, as restaurações de amalgama sofre “bulling” por serem escuras. Sofrem preconceito numa sociedade completamente dominada pelo padrão dentes brancos.

Muito já se falou sobre isso e você poderá ter muito mais dados nestes posts do Medo de Dentista e DicasOdonto, mas eu quero mesmo é deixar aqui minha visão pessoal.

Sou formada na turma de 1990 da antida OSEC (hoje UNISA). Naquela época a única resina que tínhamos a disposição na faculdade eram as indicadas para dentes anteriores. Para dentes posteriores somente o amálgama. Claro que já existiam os amalgamadores que porcionam e preparam a liga para adaptação nas cavidades, mas a título de conhecimento nós aprendemos a preparar a liga manualmente, pesando a limalha e o mercúrio na balança de Crandall, misturando com o auxílio de um grau e pistilo de vidro e com uma flanela removíamos o excesso de mercurio livre antes de acomodar a mistura na cavidade. Falei disso aqui.

Ok, eu concordo que não é o material mais salubre que temos a disposição, mas não precisamos demonizá-lo mesmo porque para muitos serviços público de saúde ele é a única opção. Colegas que atendem nestes serviços me contaram que existe a oferta de resinas mas nem sempre o protocolo de uso pode ser executado e o amálgama tem protocolo mais simples. Os fotopolimerizadores nem sempre tem potência suficiente para polimerização de camadas mais grossas e a tecnica incremental para uma classe II ampla no tempo que os colegas tem para atendimento é outro ponto desfavorável. Nem sempre o sugador do equipo funciona e manter o campo seco é mais uma dificuldade.

Daí outros vão dizer:

-“Então temos que lutar por materiais e condições melhores para esses atendimentos.”

Sim mas enquanto isso não acontece vamos deixar essa camada da população sem atendimento? Isso sem falar nos rincões do Brasil. Essa Odontologia de facetas e onlays não atinge a grande maioria dos brasileiros. Acreditem, existe uma parcela enorme de brasileiros que não faz idéia do que seja um clareamento, uma parcela que acha que ter dentes é muito mais importante do que ter dentes brancos.

Essa luta ainda vai ter muitos rounds.

Vejam, não estou dizendo aqui que o mercurio não faça mal, apenas digo que não há comprovação cientifica suficiente sobre a liberação dos vapores das restaurações.

Mas a motivação para escrever este post foi de um vídeo onde uma colega paramenta a si e ao paciente com tanto exagero antes da remoção de uma restauração de amálgama que me fez sentir uma sobrevivente e a me perguntar como estou viva até hoje tendo manipulado tanto amálgama e ainda tendo restaurações destas na boca?

Cheguei a conclusão que somos uma geração de zumbis, um bando de mortos vivos que atendem pela alcunha de “dentistas que usavam amálgama”.

Ah, me poupem!

#prontofalei

 

 

Published in: on 10 de dezembro de 2016 at 17:47  Comments (2)  
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Resíduos de radiologia

Quem me acompanha já deve ter percebido minha preocupação com a destinação correta dos dejetos gerados no consultório.

Aqui em São Paulo a coleta do material contaminado é feita pela Prefeitura mediante um cadastro e pagamento da TRSS (taxa de resíduos sólidos de saúde), e incinerada. Desconheço como é a regra em outras cidades. Falei sobre isso aqui.

Já há algum tempo eu procuro separar tudo para dar os destinos corretos.

Separo as embalagens e bulas para jogar nos recicláveis, assim como os frascos (menos os de remédios). Comos plásticos.

O lixo comum a coleta domiciliar leva.

Mas o que fazer com as películas, o revelador e o fixador (eu ainda não entrei na era Rx Digital)?

Há alguns anos li num blog que infelizmente não existe mais, uma ótima entrevista com uma colega especialista no gerenciamento de resíduos, onde ele falava sobre a “neutralização” das químicas radiográficas antes do descarte na rede de esgoto.

Como não localizei a entrevista pedi auxilio para um fabricante que meu deu as informações que eu vou dividir com vocês.

As diluições devem ser feitas na proporção de 1:1, usando

Hipoclorito de sódio > para< Fixador

Ácido acético >> Vinagre caseiro > para< Revelador

Mas isso só serve para pequenas quantidades.

Devo admitir que isso me incomoda. Não me convence muito essa história de neutralização já que a prata presente no revelador, por exemplo, vai continuar lá.

Quanto as películas processadas e as lâminas de chumbo dos filmes, estes também precisam ser processados por empresas especializadas.

Para serem recicladas as radiografias passam por um processo de lavagem que separa a prata que é recolhida e vendida do acetato que é reciclado como plástico.

Se você entrar na internet vai encontrar diversos anúncios de “empresas” que compram estes dejetos para processar, separar a prata e vendê-la. Acho que esse será meu próximo passo, mas vou precisar de muita pesquisa, porque me causa certa estranheza que se tenha empresas que retiram esse material e cobram por isso e outras que te pagam pelo mesmo dejeto. Considerando que o processo de retirada da prata também gera água contaminada, a empresa recicladora deve ter consciência ambiental, afinal, nada adianta se o meu rev/fix não vai pro meu ralo, mas vai pro ralo em outro endereço.

Mas lembre-se de consultar a legislação local. Para emissão do alvará de funcionamento do consultório, a maioria das cidades exigem um PGRSS (Plano de Gerenciamento de Residuos de Servoços de Saúde).

Um abraço.

Published in: on 21 de outubro de 2016 at 08:00  Deixe um comentário  
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Cadê a livre concorrência?

 

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Olá leitores.

Hoje me dei conta de uma situação que há muito vem acontecendo, mas me parece que agora está muito clara.

Como qualquer atividade profissional a Odontologia tem suas particularidades e o uso de materiais específicos restringe nossos fornecedores.

Alguns ítens como algodão, alcool, guardanapos, gaze e material de limpeza, por exemplo, podemos adquirir no mercado comum, mas o material específico para consumo nós compramos em casas especializadas chamadas de Dentais.

Se você não é dentista desconhece, mas precisamos para cada intervenção uma enormidade de ítens. Eu que faço endo (canal) escuto frequentemente comentários do tipo: Nossa, quanta coisa a senhora usa!

E como acontece com todas as profissões cada um desses ítens compõe nossos preços. E é aí que o bicho pega.

Nos ídos dos anos 80 a três grandes casas do ramo em São Paulo eram a Dental Vieira, a Dental Tanaka e a Dental Gaucho.

Numa época sem internet fazer cotação de preço por telefone consumia grande parte do dia, mas valia a pena. Cada uma tinha o seu ponto forte. Uma tinha preços melhores em equipamentos, outra em materiais restauradores, de moldagem ou ainda em material para laboratório de prótese.

Eu, por exemplo, fazia planilhas para o meu patrão ~a mão~ com três colunas e ligava para cada loja. Depois comprava na mais em conta. Quando as diferenças eram pequenas e em poucos ítens as concorrentes cobriam os preços.

Muitos devem estar pensando qua ainda é assim, mas NÃO!!!

Durante os anos 90 e 2000 o numero de casas dentarias aumentou e a concorrência ficou maior. As lojas de bairro ganharam terreno por estarem próximas ao cliente e que por consequência os conheciam melhor. O numero de ítens e marcas eram menores e o consumidor era menos exigente.

De volta aos dias atuais, a realidade é bem outra.

Com a abertura do mercado, os avanços tecnológicos e o crescente numero de procedimentos e técnicas o numero de ítens e de fabricantes dificultou a vida dos pequenos. Os grandes fabricantes colocam limites muito altos para faturamento e impõe compras. Se o comerciante quer comprar o alginato lider de mercado vai ter que levar aquele anestésico que poucos compram. Passou a existir uma espécie de entreposto.

Funciona mais ou menos assim. O cara grande compra em quantidade, negocia os preços e os prazos, faz estoque e quando o pequeno precisa compra o numero que quer, no preço que o entreposto quer. E o pequeno compra o que quiser e puder.

O ponto que me levou a escrever este post é este.

Cada dia mais estamos reféns desses entrepostos. Olhando de longe parece um pouco com cartel, e olhando de perto se tem essa certeza.

O comerciante do bairro, que sempre te atende e te socorre quando acabou o lençol de borracha e vc só se deu conta ao lembrar que o proximo paciente é uma endo de alguém que saliva mais que chupador de limão, não consegue competir em preço com quem dá as cartas.

E cada vez mais o croupier ta mandando no jogo.

Hoje fui cotar luvas de procedimento, sim, aquele ítem indispensável no nosso dia a dia e me dei conta que as duas maiores empresas do ramo tem exatamente o mesmo preço, com a mesma promoção. O mesmo ocorre para outros ítens. Fiquei me perguntando onde foi parar a livre concorrência. Pensando como, e se sobreviverão esses comercios locais.

Eu, em concordância com alguns amigos achamos importante prestigiar o comércio local. Fazer girar o dinheiro na sua comunidade, mas de verdade tenho minhas dúvidas de até onde eles conseguirão ir. Custos fixos altos, encargos trabalhistas, regras de mercado apertadas e etc.

Comprando na comunidade consigo manter parte dos impostos por aqui mesmo, até porque as empresas saem dos grandes centros normalmente para regiões com isenções de impostos e mão de obra mais barata, ou seja, não estão preoculpados exatamente conosco.

E de pensar que se nós precisamos deles, eles precisam de nós igualmente. Ou mais!

 

 

 

Published in: on 8 de outubro de 2016 at 21:12  Deixe um comentário  
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Endodontia. Como não amar?

 

Olá leitores,

Como prometi no post anterior vou falar um pouco do que vi no Masterex sobre os avanços nas áreas que foram abordadas durante o evento.

Devo lembrar que o evento era promovido pela Kavo Kerr e, portanto a ênfase era dada aos seus equipamentos.

Quando falei aqui pela primeira vez sobre endodontia abordei as dificuldades de ser acadêmico e entender a dinâmica da coisa. Aquela endodontia, com pequenas mudanças, ainda é praticada e se seguido o protocolo, dá sim resultado.

Ocorre que a ciência não para.

Num outro post falei da endo tecnológica, com localizadores apicais, os microscópios óticos e a instrumentação rotatória e a idéia da lima única, e de leve comentei sobre os sistemas reciprocantes. Sobre este último eu ainda tenho minhas restrições mas as pesquisas seguem avançando.

Neste evento o Prof. Marcelo dos Santos apresentou mais detalhadamente o sistema TF Adaptive  que nós tivemos a chance de usar durante o hands on. Basicamente o sistema consiste num console com micro motor com quatro possibilidades de programa. Quando no modo reciprocante, a grosso modo, o sistema é capaz de perceber a pressão exercida sobre a lima, alterando o movimento para o sentido contrário, diminuindo o stress sobre a lima e consequentemente os riscos de fratura. As limas do sistema são de NiTi mas são produzidas através da torção do metal, o que confere maior resistência e flexibilidade quando comparada as fabricadas por usinagem. O numero de instrumentos é menor, com um código de cores especifico e que otimiza todo o procedimento.

As vantagens da irrigação ultrassônica passiva (PUI) também foram abordadas e um sistema que faz a irrigação ao mesmo tempo que faz a aspiração intra canal me encantou, mas acreditem, o preço ainda é proibitivo.

Foram algumas horas absorvendo conhecimento, ouvindo sobre como otimizar nossos procedimentos, como diminuir a extrusão de raspas para o periápice, sobre as diferenças entre o Hipoclorito de sódio e a Clorexidina como substância química auxiliar e etc.

Mas na verdade, o bom de participar deste tipo de evento é ver os avanços sim, mas principalmente nos permitir trazer pro nosso dia a dia, ainda que sem toda esta tecnologia, a possibilidade de praticar cada vez mais uma Odontologia  de qualidade baseada em trabalhos científicos, onde o grande beneficiado é o nosso paciente.

No próximo post: Implantodontia

Published in: on 26 de setembro de 2016 at 08:00  Deixe um comentário  
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Sobre o velho e o novo

 

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Olá leitores,

Quando a idéia desse blog surgiu, e aí já se vão cinco anos, eu pretendia fazer um paralelo entre o antigo e o novo. Lançar um olhar divertido sobre como a tecnologia e o tempo mudaram a Odontologia, mas eu não acreditava que estava pra ver e participar efetivamente dessas mudanças.

Nem tudo que eu falo de antigo eu vi ou usei, acreditem, mas nos ultimos 25 anos testemunhei muita coisa.

Entre os dias 16 e 19 de setembro eu participei de um evento promovido pela KavoKerr e pela NobelBiocare, o Master Dental Experience, em Atibaia – SP.

Confesso que minha expectativa era de atualização de tecnicas e equipamentos, como é frequente neste tipo de evento, mas tivemos uma grata surpresa.

As empresas patrocinadoras (e aqui não vai nenhum jabá) saíram na frente ao enxergar nas mídias sociais e nos blogs eugenólicos, parceiros potenciais em ações de promoção que beneficiarão todos os envolvidos, de várias maneiras, mas principalmente vai favorecer a Odontologia como um todo.

A grade cientifica foi um detalhe cuidadosamente pensado para mostrar a contribuição tecnológica das empresas em cada um dos temas apresentados. Palestrantes de renome dividindo conhecimentos e experiências.

Convido meus leitores a acompanhar os posts das próximas semanas onde eu pretendo detalhar um pouco do que vi e de como nossa realidade mudou pra melhor.

Até lá!

Sobre pontualidade, responsabilidade e respeito

Minha indignação sobre o tema reacendeu hoje devido a uma conversa com uma colega que teve 4 faltas em 6 agendamentos.

Desde que eu me formei, e já se vão 25 anos, atendo com hora marcada. Ja contei aqui que era assistente de um colega que atrasava muito e isso me deixava muito incomodada. Jurei que evitaria isso a todo custo.

Marco meus atendimentos de acordo com o procedimento, mas raro ser menor que 60min.

Quem me conhece sabe que  gosto de conversar, de saber como vai a família e traçar um perfil atual. Dou muita importância a isso.

Daí vc marca uma alguém, deixa a agenda reservada, separa o material, faz uma programação mental do que vai realizar e o paciente simplesmente não aparece.

Qual a dificuldade de algumas pessoas entenderem que esse é o meu trabalho, que não é simplesmente sentar o paciente na cadeira e fazer tudo automático, que existe um preparo logístico e mental pra isso?

Eu não sou de chegar muito antes, mas nos primeiros atendimentos da manhã e da tarde sempre atendo no horário. No decorrer do dia, eventualmente entre consultas, se algo sai do controle eu me atraso, mas se vou me atrasar muito, faço questão de sair e me desculpar com quem aguarda e dou a opção de reagendar se for o caso.

A cultura do “medico atrasa mesmo” me irrita profundamente. Acho falta de respeito.

Minha colega teve a manhã praticamente perdida e isso impacta diretamente nos custos e ganhos de um profissional liberal.

Diferentemente do que disseram as moças entrevistadas pelo Fantástico no ultimo domingo, se eu confirmo, vou. Se marco chego na hora e se algo acontecer me impedindo de comparecer me desculpo imensamente. Profundamente constrangida.

Eu não tenho muitos problemas, talvez por ser chata e deixar claro minha insatisfação.

Claro que imprevistos acontecem , mas acreditem, nós dentistas sabemos exatamente quem teve um imprevisto, ou quem ‘É’ o imprevisto em pessoa.

Desculpo uma ou duas vezes, no mais sugiro que a pessoa se organize primeiro e depois retome o tratamento.

Nenhum planejamento se sustenta sobre imprevistos seguidos.

No mais amiga #tamujunto

 

Published in: on 4 de agosto de 2016 at 12:53  Deixe um comentário  
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Sobre “interpretação”.

Apesar do blog ser focado em nostalgia, cada dia mais me sinto levada a comentar assuntos atuais.

O de hoje é sobre um assunto que a maioria dos meus leitores já deve saber: O caso da estudante que postou em uma rede social uma ação impensada para controlar a agitação de uma criança durante um atendimento clinico-acadêmico. Segundo o texto vazado a estudante “furou” com a gulha de anestesia, a gengiva da criança para controlá-la. Ela achou que assim estaria sendo firme como a professora mandou.

Quem me conhece sabe que sou de opinião, a tenho sobre quase tudo e teimo na minhas convicções, mas aprendi de muito a não julgar ninguém.

Em tempos de rede social a máxima “tudo que você disserqescrever poderá ser usado contra você” é cada dia mais evidente.

A Odontologia é uma das áreas que mais lida com o medo. O paciente sempre está em posição de desvantagem e submissão e muitas vezes com dor.

Trabalhar o psicológico dos pacientes é um dos nossos maiores desafios e o Odontopediatra é cada vez mais o primeiro contato da criança com um dentista. Se ele for bem recebido e orientado sua realção com a odontologia será sempre leve.

Não conheço as interlocutoras da conversa vazada, mas tendo a achar que o assunto tomou uma dimensão muito desproporcional. A mídia e o povo são ávidos por uma “caça as bruxas”. Acredito que as moças já aprenderam a lição.

Sou absolutamente contra qualquer tipo de agressão ou ameaça no trato com crianças e optei há muito tempo por não atendê-las. Acredito sinceramente que a Odontopediatria é a cadeira mais complicada da odontologia. Rendo minhas homenegens a quem a exerce.

Talvez esteja neste fato a grande chance das faculdades e orgãos competentes reavaliarem disciplinas, métodos e orientações dos que pretendem, num futuro próximo, exercer a Odontologia.

Para ficar melhor informado leia também OdontoDivas e DicasOdonto

 

 

Published in: on 5 de maio de 2016 at 11:13  Comments (3)  

Alegria de pobre…

 

Olá leitores, td bem?

Pois é, minha alegria não durou nem uma semana.

No dia 04 de abril passado, o colega Luiz do Dicas Odonto me deu a noticia que eu e muitos colegas aguardávamos há muito tempo: A criação de novas faixas de cobrança para a Taxa de Residuos Sólidos de Saúde.

Já falei disso aqui.

A questão é que a lei da Prefeitura de São Paulo é de 09 de março de 2016 e não foi devidamente divulgada e indicava um link para o tal recadastramento.

Ao acessar o link ele pedia uma senha do contribuinte que eu , por exemplo, não tinha, mas não dava um caminho para cadastrar uma.

Pedi ajuda dos universitários de um especialista que tentou me ajudar, mas o prazo da prefeitura acabava dia 10 de abril de 2016 (domingo), e claro que o tempo não foi suficiente.

Estamos no aguardo de um novo prazo e de uma divulgação honesta, para que a taxação seja correta.

Falaí, todos os geradores de lixo da cidade de São Paulo ficaram sabendo do recadastramento?

Algum jurista poderia responder sobre os termos de divulgação, vigor e validade de uma lei dessas?

Vou continuar tentando me reclassificar como pequeno gerador, e se conseguir algo conto pra vocês.

Published in: on 12 de abril de 2016 at 14:15  Deixe um comentário  
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Aedes aegypti – DIA NACIONAL DE MOBILIZAÇÃO

A mobilização nacional contra o Aedes aegypti acontece neste sábado (13) em 353 municípios do país. O mosquito, encontrado em todos os estados do Brasil, é o responsável pela transmissão dos vírus da dengue, zika, chikungunya e febre amarela.

Só este ano, até o dia 23 de janeiro, foram notificados 73.872 casos de dengue no país. No mesmo período no ano passado, foram 49.857 casos, aumento de 48%. A situação é ainda mais preocupante quando se leva em conta que 2015 já foi recordista em casos de dengue: 1,6 milhão de casos no ano todo, maior número desde que começaram os registros, em 1990.

O vírus da zika, que passou a ter transmissão local no Brasil em abril de 2015, já existe em 22 unidades da federação. A preocupação maior, no caso desse vírus, é a associação provável com o aumento de casos de microcefalia no país. Segundo boletim divulgado nesta sexta-feira, já existem 5.079 notificações de suspeita de microcefalia no país.

Já a febre chikungunya, que também chegou recentemente ao país, já teve casos em 12 unidades da federação e, em 2015, teve 20.662 casos notificados. (Fonte G1)

Aproveite a mobilização, tire 15 min. do seu final de semana e dê uma olhada no quintal ou varanda. Eu fiz isso e acreditem, mesmo achando que estava tudo ok, encontrei água parada nas tampas de latas com sobra de tinta. Felizmente não tinha larvas.

A participação da população é de enorme importância, principalmente quando se tem um governo em desgoverno.

Published in: on 13 de fevereiro de 2016 at 13:13  Deixe um comentário  
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