Meios de pagamento

 

 

Vivemos num mundo capitalista. Precisamos de dinheiro pra viver (apesar de muitos pacientes acharem que não).

A inadimplência é uma realidade do mundo moderno, e nos afeta diretamente. Dizemos isso constantemente, mas não custa repetir.

Ninguém vai a padaria e não leva dinheiro. Ou num jogo de futebol sem ter comprado o ingresso. Então porque ir ao dentista e não levar dinheiro?

Antigamente pagamento em espécie era a única opção, não péra, podia-se pagar com galinha, cabras, ovos… Em alguns rincões, ainda se pode. A confiança era a base do negócio, e a figura da caderneta era comum. A conta de debito era abatida conforme o cliente recebesse. Mesmo que o tratamento acabasse, ainda por tempos o cliente vinha saldar sua divida. Dái popularizaram o cheque, a a figura do cheque pré datado (exclusiva no Brasil) foi substituindo esta ação. Porém a devolução dos cheques passou a ser outro fantasma. Alinea “11”. Tremo só de ouvir!!! Quando devolvido gera problemas ao emissor, negativando seu “rating”. Limpar o nome junto ao banco é o único motivo que faz o inadimplente  resgatar a divida. Pode ser protestado

Procurando uma solução pra isso, há uns dez anos comecei a procurar meios de fugir desta ciranda. E devo dizer que não foi fácil. A figura da nota promissória nunca me satisfez. Não é muito diferente do cheque. Para os mais jovens, cabe explicação. Nota promissória é um bloco impresso que vc compra na papelaria, preenche com os dados da divida, do devedor e colhe a assinatura. Na data do vencimento o devedor salda a divida e recebe a nota promissória de volta. Caso ele não o faça, o credor tem o direito de protestar a tal nota, via cartório. A dinâmica deste protesto que nunca me convenceu. Até porque, não garante o recebimento, e ainda gera custas cartoriais.

Baseada nisso decidi procurar os bancos dos quais eu era correntista (Bradesco e Unibanco -antes de virar Itaú, que antes era Banco Nacional, mas isso é outa história) e saber das possibilidades da emissão de boletos. Achei que seria uma opção aos clientes que não tinham conta corrente e consequentemente, talão de cheques.  Não foi fácil. As instituições financeiras não entendem os dentistas utilizarem o CPF ao invés de CNPJ, ou pelo menos não entendiam. Naquela época o Unibanco foi o único a entender minha necessidade. Tinha as opções do boleto protestável e o especial (não protestável). Eu optei pelos especiais, porque o outro demandava protesto como as nota promissórias. Eu emitia direto na internet e imprimia. No começo eu pagava tarifa somente quando o boleto era quitado na agencia bancária. Se o paciente pagasse no consultório eu cancelava e pronto. Daí o Itaú comprou o Unibanco e a cobrança passou a ser feita pela emissão (mesmo que eu emitisse e imprimisse). Ou seja, se o cliente não pagasse, ou pagasse no consultório, eu era tarifada da mesma forma, na emissão. Descontinuei o uso. Direcionei minha energia pra outro lado e passei a brigar para receber com cartão de credito. Outro calvário.

Inicialmente as bandeiras VISA e Mastercard eram associadas a determinados bancos. Quem emitia cartões VISA não emitia o Mastercar e vice e versa. Com o Unibanco (novamente) consegui primeiro e passei a receber com Mastercard. Briguei mais um pouco e o Bradesco liberou o recebimento do VISA. Esse foi um período de transição importante. Por motivos de corte de custos os bancos passaram a incentivar o uso dos cartões, ao invés do cheque. Menos compensação, menor necessidade de funcionário. Sem falar que o cheque compensado não gera lucro pro banco (em taxas) já o cartão cobra tarifa por transação (do estabelecimento). O uso do “dinheiro de plástico”  se popularizou e as opções de débito e crédito ampliaram ainda mais as transações. Ainda precisava-se “depositar” os movimentos no banco.  O aparelho era aquele que copiava o relevo com carbono (como o da foto). Era feito em 3 vias. 1 do cliente, 1 do estabelecimento e 1 era entregue no banco, que creditava em conta corrente o valor já descontadas as taxas. Os bancos passaram a limitar o valor para compensar, sem tarifas, os cheques. O cliente perdeu novamente e os cartões passaram a ter maior relevância.

As transações via linha telefônica chegaram então, e invadiram o comércio. Nesta época eles perceberam o nicho da Odontologia, e nós deixamos de ser persona non grata. Compraram espaço no Congressão e ofereceram taxas atraentes.  O estabelecimento é tarifado duplamente. Pagamos uma mensalidade pelo terminal (maquininha), que há pouco tempo passou a ser comum para várias bandeiras. É possível inclusive instalar um aplicativo nos smatphones e transformá-lo num terminal. Depois tem a tarifa percentual por transação, que varia de caso a caso, e pode ser negociada. A menor tarifa é para o cartão de débito, depois para o credito a vista e por ultimo o parcelamento. Se o parcelamento for feito pela administradora, sua venda não será tarifada, mas o encargo que o cliente paga, é proibitivo.  Eu sempre parcelo via estabelecimento, onde eu arco com as tarifas de financiamento. Diluo nos custos. A venda com cartão ainda possibilita a antecipação dos créditos futuros. Claro que tem tarifas, mas funciona bem como capital de giro. O paciente te paga parcelado, mas vc consegue pagar  o protético, por exemplo, sem ter que desviar de outros créditos. Mas a maior vantagem é a segurança. Se o cliente não pagar a operadora de cartões, eu recebo mesmo assim.

As transações bancárias por internet também agilizaram. Alguns de meus pacientes fazem transferências ou DOCs, mas neste caso, não temos garantias. Baseia-se na confiança.

Bem, eu ainda prefiro o pagamento em espécie, mas cada dia recebo menos por este meio. Recebo e pago sem que o valor passe pelo banco. Os cheques também ajudavam nesse quesito, mas deve ser nomeado. Cartões e transferências já são documentos por si só, o que gerou um outro problema.

O IR.

Eu particularmente não cobro por fora pra dar recibo. Vejo como um direito do cliente, mas alguns clientes esperam levar vantagem. Pedem recibo em nome da filha (pra que ela tenha dedução), mesmo não tendo sido ela a pagar. Eu me nego, o que gera conflito. Só emito recibo em nome do paciente, se ele for dependente da filha, basta declarar como gastos com dependentes. Senão, não! Se eu der um recibo no nome da filha, sendo que o cheque ou o cartão era do paciente, esses dois comprovantes vão se cruzar na Receita, e parecerá que eu recebi duas vezes. até porque, sempre que se fala em sonegação, os dentistas são os mais lembrados. Talvez a Receita Federal devesse olhar o declarante com outros olhos e talvez percebesse que nós não somos os maiores sonegadores, e sim os mais usados como meio para sonegação.

Aliás, vocês sabiam que numa pesquisa feita por um importante instituto , nós dentistas fomos citados como a desculpa mais usada para justificar uma “pulada de cerca”?

_Fulano(a), onde vc estava que não atendeu o telefone?

_No dentista, de boca aberta. Como queria que eu atendesse???

Dentistas, desde há muito tempo, ajudando a manter os casamentos.

 

 

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Published in: on 4 de março de 2014 at 16:29  Deixe um comentário  

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