T C C

Bem, desse assunto eu entendo pouco. Quase nada.

Quando eu me formei, lá nos idos de 1990, não se fazia TCC  (Trabalho de Conclusão de Curso). No último ano éramos avaliados pelo conjunto da obra, como em todos os outros anos.

Para fazer especialização tinha que ser formado há pelo menos dois anos, o que eu acho muito sensato, por sinal.

Claro que existem os colegas que sabem desde os tempos de placenta, o que irão fazer profissionalmente, mas atuar como clinico, por pelo menos dois anos, pode ajudar muitos de nós a conhecer nossas habilidades, qualidades e ojerizas.

E TCC, defesa de tese, monografia, nada disso eu fiz.

Pelo menos não a minha.

Nos meus tempos de auxiliar odontológica, as regras trabalhistas eram outras. Por auxiliar se entendia: Aquela que faz tudo pra auxiliar. Ponto!

Se toca o telefone, você atende.

Se toca o interfone, você abre a porta.

Se a geladeira degela, você seca.

Se o material esta sujo, você lava e esteriliza.

E, se o seu chefe faz especialização, você datilografa a monografia.

E foi assim.

Meu chefe e o sobrinho dele fizeram especialização em periodontia na Metodista em São Bernardo do Campo (não sei se ainda chama assim). Eu não lembro exatamente qual era o tema, mas sei que digitei “paracoccidioidomicose*” algumas centenas de vezes.

E por centenas de vezes entenda CENTENAS DE VEZES mesmo. Tá certo que eles compraram uma maquina de escrever elétrica, sim, nada de computador,  estamos em 1988 +/-, então nada de Ctrl C – Ctrl V. Cada vez que precisava escrever paracoccidioidomicose, eu escrevia. E fatalmente errava. Algumas vezes podia usar corretivo, outras vezes tinha que datilografar tudo novamente. Se forem capazes, imaginem a hora de datilografar as referências bibliográficas, com nomes e títulos em inglês. Melhor nem lembrar.

E isso tudo, copiado de anotações manuscritas, numa caligrafia pouco legível, coletadas em horas e horas de visitas a bibliotecas, pesquisando, lendo e relendo. Nada de Internet, Google, Yahoo! ou Wikipédia

Ok, a vida de quem faz TCC hoje em dia não é fácil, mas acreditem, era muito pior.

Hoje as leis trabalhistas são menos flexíveis, e os trabalhadores também.

Eram tampos difíceis, mas foram tempos de valioso aprendizado.

E foi assim que eu fiz uma monografia, sem nunca ter feito especialização.

 

*update: Na verdade o termo era “Actinomyce-tencomitans” hahaha!
Sabia que era um palavrão, mas não lembrava qual!

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Published in: on 6 de junho de 2013 at 23:37  Deixe um comentário  

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