Implantodontia

Bem leitores, espero que tenham sentido minha falta. Do tema de hoje eu sei pouco, e como de costume, vou me basear no meu conhecimento para escrevê-lo, portanto, se algo não estiver correto, aceito correções. Meu contato com a Implantodontia é anterior a minha formatura, e como na faculdade ainda não se falava sobre o tema, minha fonte de informação inicial foi o colega com quem eu trabalhava (sim, ele de novo!). Certa vez ele  atendeu uma paciente com a prótese sobre implante com mobilidade. Esta era cimentada e para removê-la, foi usado o saca prótese. Neste caso, saca implante! A prótese fixa veio com um dos implantes preso a ela. Foi aflitivo, mas a paciente não esboçou dor. Eu, ainda engatinhando na faculdade, achei estranho, mas o colega me disse que aquilo era comum. Naquela época, meados dos anos 1980, os implantes eram feitos de aço inoxidável, na forma de agulhas, e instalados como se fossem pregos. Tipo Tripé.

SCIALOM (década de 70)

Eram colocados em duplas ou trios, divergentes. As pontas externas eram unidas com resina para se assemelhar a um núcleo  Sobre estes eram cimentadas as próteses  Devido ao trauma da colocação,  o fato de não serem biocompatíveis, além da carga mastigatória, o osso adjacente reabsorvia, que era substituído por fibras e comumente “esfoliavam”, como decíduos. Mas durante muito tempo era uma ótima solução, e em alguns casos se mantinham por muitos anos. Como este que o VidadeDentista publicou e parece estar bem. Outra opção eram os laminados. Estes eram instalados em fendas abertas no osso, o que, naturalmente causava um dano ainda maior. Eram feitos em tamanhos pequeno, médio e grande, sem moldagem óssea   Devido ao seu desenho e extensão apresentavam maior estabilidade. Havia também os que eram fabricados a partir da moldagem do osso.

LINKOW (década de 70)

Mas o grande nome da Implantodontia atual é o de Branemarck que introduziu o conceito da osseointegração. Ele começou a utilizar pinos rosqueáveis de titânio, que  além de causarem menor dano ao osso, durante a colocação, são de titânio, material biocompatível. Os primeiros que eu vi serem feitos, tinham uma seleção criteriosa, mas os critérios eram falhos. Confeccionava-se um guia cirúrgico sobre o modelo de gesso, em resina com bolinhas metálicas, fixadas com cola rápida nas regiões edêntulas. Fazia-se  uma radiografia panorâmica com o artefato posicionado, que auxiliava na avaliação da altura óssea e a proximidade com estruturas nobres. No trans operatório as bolinhas eram removidas, e com a alta rotação perfurava-se a resina e marcava-se no rebordo o local da perfuração do implante. Infelizmente a radiografia é bidimensional, não dá a largura óssea, e era comum, principalmente na região anterior inferior, o rebordo estar em lâmina de faca e, após todos os passos, o implante não podia ser feito. Pena! O guia cirúrgico merece um parênteses. Sem referência anteriores, a forma encontrada pelo colega foi utilizar bolinhas metálicas dos rolimãs (rodinhas de aço). Num dia, saímos pela cidade, numa dessas ruas temáticas de sampa, a fim de comprar rolimãs. Daí elas eram desmontadas só pra ficar com as bolinhas. Compramos diversos tamanho. Lavei e autoclavei cada uma delas. O técnico em prótese também sofreu bastante. Algumas conexões não eram pre fabricadas, e precisaram ser fundidas diversas vezes até se chegar ao almejado produto final. Lembro bem da saga que foi, num caso de edêntulo inferior, fundir a barra metálica que unia os dois implantes, e a adaptação do clip na prótese total (overdenture). Numa época de importações fechadas, o colega, que tinha comprado todo o sistema (motor, brocas, implantes, etc) num dos congressos da ADA, teve na  língua a maior dificuldade. Ele usava o sistema  IMZ, e tudo  vinha explicadinho, só que em alemão 😦 A pessoa que o ajudava nas traduções não era dentista, e a dedicação dele era um capitulo a parte. Naquela época as opções de pinos eram muito limitadas. Lembro apenas dos diâmetros com medidas, de 4,0 mm e 3,3 mm, e no comprimento as opções também eram poucas. Hoje, felizmente, tem-se pra todo gosto e desejo. E melhor ainda, de industrias brasileiras, o que barateou os custos e facilitou, em muito, a leitura dos manuais 🙂 Tem desde os mini até os bem grandes. Com hexágono interno e externo. Diversas angulações. Para próteses cimentadas e parafusadas. Com o auxilio das tomografia, hoje coloca-se implantes “empurrando” o soalho do seio maxilar, faz-se esvaziamento do foramem incisivo e até “deslocam” o nervo alveolar inferior, sem falar nos implantes “zigomáticos”. Apesar de ainda existirem casos onde a colocação é impossível. Eu, como usuária de dois implantes osseointegrados na mandibula (região de 35 e 36), feitos por um querido e competente amigo, rendo aqui, minhas homenagens a Implantodontia.

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4 ComentáriosDeixe um comentário

  1. Isso aí amiga! Continue escrevendo sempre que puder…

  2. QUEM NAO SABE O PASSADO NAO ENTENDE O PRESENTE.ADOREI CONTINUE ESCREVENDO,OBRIGADO!!!!


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