Alô!

Ficha telefonica local. tinha a opção para DDD =D

Alguém liga pro seu consultório e ouve:

_Consultório do Dr.Super Mega Blaster, boa tarde!!! Numa voz feminina em 95% das vezes.

É sua secretária. Prestativa, atenciosa, num aparelho que nem sempre esteve ali. O telefone.

Num passado não muito distante, ter telefone era algo difícil.

Até final dos anos 90 (1996/97 se não me falha a memória) as linhas telefonicas eram concessão da Telebrás. Quando você adquiria uma linha, adquiria na verdade, ações da empresa. As linhas eram disponibilizadas de tempo em tempo, nos chamados Plano de Expansão. O cidadão se inscrevia numa fila e aguardava. Quando os tais planos eram abertos, a empresa avisava o interessado, que tinha então uma linha instalada na sua casa. O valor da linha era transformado em  ações da empresa. Depois de alguns anos ele podia resgatar essas ações. Tinha gente que distribuia suas linhas telefônicas no testamento o.O

Como tudo no Brasil, deu-se um jeitinho. Alguns se inscreviam com vários documentos e quando recebiam as linhas, as alugavam ou vendiam. Minha primeira linha eu comprei assim. Aliás a tenho até hoje. Paguei R$ 3000,00 em seis parcelas.

Através do telefone, o cliente agenda a consulta, desmarca (quando lembra), relata seu pós operatório, pede um  “remedinho” pra gengiva que esta sangrando, ou mesmo um atestado pra escola porque perdeu a prova 😦

E antes do telefone, como se fazia?

Atender com horário marcado nem sempre foi regra.

Os horários de atendimento do dentista eram conhecidos e, quando o cliente tinha dor ou quebrava o dente, era só chegar e aguardar a sua vez. Num tratamento mais longo o colega mandava voltar na próxima semana, ou depois de dois dias. O dentista não tinha telefone, mas o cliente também não.

O tempo passou e o telefone virou objeto de desejo. Era chic!

Os atendimentos por ordem de chegada, aos poucos foram substituídos pelos agendados. O fato do cliente não ter telefone em casa impedia confirmações, mas o cliente podia ligar do “orelhão” publico. Todo mundo sempre tinha uma “ficha telefônica” no bolso. E toda esquina tinha um orelhão. Afinal, vai que…

Com a mudança no modelo da telefonia durante o governo do Fernando Henrique Cardoso (1995-2002), e a privatização da Telebrás, ter uma linha telefônica ficou mais simples. O modelo passou a ser algo como uma concessão temporária. Não se compra mais ações, mas também não se é dono da linha. Faz-se o pedido junto a concessionária que instala a linha e cobra pelo serviço prestado.

Mas entre um modelo e outro surgiu o pager, que ficou carinhosamente apelidado de bip, por causa do som que emitia quando do aviso de mensagem. Não dava pra alterar o som, e pôr a musica do Michel Teló, por exemplo. Graças a Deus!

Você que é mais jovem talvez não o conheça, mas eu tive um.

Funcionava mais ou menos como um sms.

O cliente assinava o serviço com uma operadora e recebia um codigo numérico e um aparelho receptor, como o da foto. Ele divulgava esse numero como seu contato.

Quando alguém queria localizá-lo, ligava pra central, e deixava o recado para o bip numero tal. A central mandava uma mensagem para o assinante, que corria até o orelhão mais próximo e ligava para a central pra saber qual o recado, e não raro você percebia que não tinha uma ficha no bolso. Toca sair pedindo pros outros ou caçar moedas pra comprar uma. #Mico

Simples assim.

Daí vieram os que já mandavam por mensagem de texto o numero que tinha te procurado e os Tops, onde se lia no visor a mensagem deixada. No meu caso o retorno foi muito pequeno. Meu perfil de cliente não se adaptou muito ao formato, eu acho.

Era como uma secretária eletrônica, mas você não precisava chegar em casa pra recolher os recados.

Este modelo caiu em desuso muito rápido, porque logo chegaram os celulares ao mercado.

Alguns colegas ainda atendem por ordem de chegada, mas a grande maioria se utiliza do agendamento, e é inimaginável que um consultório não tenha telefone.

Com a chegada do celular o contato ficou mais fácil e rápido. Para diminuir os custos com conta telefônica e otimizar o tempo, alguns já confirmam ou cancelam consultas via mensagem de texto. Sem falar nos serviços de email. Estes só possíveis,  por causa do telefone, ou da telefonia. E claro, isso também agora, com internet banda larga. Na época da discada era mais fácil mandar um menino de recado do que enviar um email.

E sobre celulares eu não preciso falar, aliás, se quiser saber algo posso perguntar para uma criança de 6 anos, e ela me falará sobre celulares, smatphones e tablets com conhecimento de expert.

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Published in: on 22 de novembro de 2012 at 20:30  Comments (2)  
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2 ComentáriosDeixe um comentário

  1. Que belo texto!

  2. […] A Odontologia antes do telefone. –> Odontostalgia […]


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