Cirurgia e Traumatologia Buco Maxilo Facial

Certamente essa é a cadeira mais inusitada da odontologia, apesar de ser nessa cadeira, a Cirurgia, onde vamos estudar as extrações, exodontias num termo técnico, infelizmente, a ação mais associada ao dentista. Mas isso está mudando.

Já disse várias vezes, mas sempre é bom lembrar, que o dentista não está apto apenas a tratar de dentes. Nossa área de atuação é muito mais ampla.

A Cirurgia e Traumatologia Buco Maxilo Facial é a cadeira mais “traumática” para o acadêmico. Pelo menos eu acho!

Para quem acompanha o blog deve estar estranhando, afinal, pela cronologia dos post’s , nós ainda não colocávamos a “mão na massa”. É que, como o tema me veio a cabeça, resolvi avançar no tempo.

E extração dentária, apesar de um pouco banalisada pela população leiga, é, a meu ver, a mais complexa das ações executadas pelo dentista. Durante uma cirurgia para remoção de um elemento, por mais preparado que o profissional esteja, as chances de surpresa são muito grandes.

Nem sempre a radiografia mostra a anatomia exata do dente.

Neste procedimento, nós colocamos o meio interno do paciente em contato direto com o meio externo.

Cortamos tecidos, rompemos vasos, artérias e nervos. Mesmo quando tudo dá certo no trans operatório, o pós operatório é uma incógnita. Respeitados os protocolos, quase nunca se tem problemas.

Mas quase, não é nunca!

Até porque, nós não temos controle sobre as ações do paciente depois que ele vai embora. Se ele guardou o repouso, se tomou a medicação, etc.

Anestesia, sindesmotomia, luxação, avulsão (naquela época fazia-se a manobra de Champret) e sutura. Até hoje eu me enrolo na sutura.

Alavancas meia cana, triangulares, curetas, sindesmótomo, pinça de Kelly, de Allis, alveolótomo, lima de osso, fórceps 18L, 18 R, 203, 150, 17 sem falar no cinzel e naquele martelo “horroroso”.

Campo cirurgico fechado e fenestrado.

Mas a atuação dessa cadeira é muito mais ampla.

São esses profissionais que vão atender nas emergências dos hospitais, em parceria com os médicos, os pacientes politraumatizados, quando as fraturas abrangem o cranio. Neste caso, inclusive, a linha que divide a competência do médico e do Buco é muito tênue, e tem dado margem a muita discussão. Sem querer entrar na polêmica, o médico, não conhece oclusão, informação muito importante, numa redução.

Fratura tipo LeFort I, II, II, de palato, de arco zigomático etc. Tudo área do BMF.

Poucas pessoas sabem que é o BMF o responsável pela indicação, execução e colocação de próteses de nariz e orelha, por exemplo.

Aliás, quarto e penultimo ano de faculdade, todos já tinham decorado a assinatura do colega, pra, digamos, ajudá-lo, assinando a lista de presença num dia que ele faltasse. Eu faltava pouco, mas…

Recebemos um rosto de gesso sem o nariz, para fazermos em argila a anatomia.

Tinha que ser nariz? Para uma descendente de italianos, nariz é um assunto sério!

Fiz o meu, que deve ter ficado meio Cirano de Bergerat, e tentei entregar antes da data, porque no dia, minha irmã casaria.

O professor disse:

_Hoje não vou recolher. Deixe com um colega que ele me entrega.

Deixei!

Passadas duas semanas, o professor me perguntou:

_Tudo certo no casamento da sua irmã?

_Sim. O Sr recebeu o meu “nariz”?

_Recebi, mas estranhamente sua assinatura consta da lista de presença daquela aula!!!

Cara de paisagem e…

_Essa minha acessoria! Já falei pra serem menos prestativos.

Em tempo: Essas próteses são apenas estéticas e com o advento dos implantes osseo integrados, ficaram melhores. Algumas são fixadas com artefatos imantados. Naquela época, há mais de 20 anos, usava-se aros de oculos, onde a prótese era afixada, ou seja, quando o óculos era removido o paciente ficava sem nariz ou orelha.

Lembro de uma história que o professor contou, sobre a felicidade de uma avó, que havia perdido o nariz em decorrência de um tumor, ao poder pegar o neto no colo e ele não chorar frente a sua aparência.

Pois é, nós dentistas, às vezes, devolvemos o sorriso pra alguém, sem nem ter mexido nos seus dentes!

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Published in: on 9 de julho de 2012 at 21:34  Comments (2)  
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2 ComentáriosDeixe um comentário

  1. […] Cirurgia e traumatologia bucomaxilofacial. –> Odontostalgia […]

  2. Muito bom o post e o blog, parabéns e não desanime 😀
    Pretendo seguir CTBMF to me preparando pra comprar essa briga! kkk
    Abraços!


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