O amalgama nosso de cada dia

O amalgama de prata, na Odontologia atual, é visto como um vilão, por uma grande parte dos colegas.

Respeito todas as opiniões, por isso vou colocar  a minha.

O objetivo primeiro do blog é falar sobre a evolução da Odontologia, e não se pode falar no assunto sem falar do amalgama.

Sabe-se que os Chineses foram os primeiros povos a utilizar a “pasta de prata” em meados do seculo VII para preencher dentes deteriorados. No seculo XIX esta pasta já era largamente empregada na Inglaterra e na França, como material obturador, porém, ela expandia em demasia, causando fraturas nos dentes.

Com a evolução da tecnologia para produção da liga, e com os estudos realizados sobre o tema, as ligas foram sendo melhoradas, e muito.

As ofertas no mercado variam para cada necessidade. Tem com variação no tamanho e formato das particulas, porcentagem de componentes, formas de uso etc. A expansão e contração diminuiram.

Além da forma limalha+mercurio  separados, existem os encapsulados, que foram desenvolvidos pensando na menor exposição aos vapores de mercurio.

A foto que ilustra este post é de uma balança de Crandall e um conjunto de grau e pistilo.

Antes do advento dos amalgamadores, as porções de amálgama eram preparadas com o uso deste equipamentos.

Pesava-se a limalha e o mercurio e estes eram “amalgamados” no grau com o pistilo. A mistura era colocada num pequeno pedaço de tecido e comprimida, afim de liberar o execesso de mercurio. A exposição do profissional ao metal era grande, no momento, e tardiamente, visto que os vapores ficavam no ambiente. A qualidade do amalgama era suspeita, visto que a proporção, frequentemente era alterada, para se ganhar tempo de trabalho. Os amalgamadores vieram então pra diminuir estes riscos e facilitar o trabalho. Eles proporcionam os componentes e os manipulam sem o contato manual. A proporção de limalha e mercurio é determinada pelo profissional.

Daí surgiram os encapsulados, onde as proporções são pré-definidas pelo fabricante, mas  existe a opção de escolha quanto ao tempo de presa e a quantidade.

Sem adesividade ao tecido dental, a fixação da restauração se dá por  embricamento mecânico, ou seja, a cavidade deve ser retentiva. A expansão de presa é fator importante. Há necessidade de maiores desgastes de tecido dentario, e a forma da cavidade deve respeitar preconizações como valores de ângulos internos e arredondados, o que fatalmente leva a um maior desgaste. Instrumentos de corte (brocas) mais delicadas e menores favorecem o preparo de cavidades menores, com a mesma efetividade.

Porém, eu, modestamente, acho que muito do lado vilão do preparo para  amálgama deve ser creditado ao conceito de “extensão preventiva”.

Durante um longo período, os preparos cavitários em molares eram feitos obedecendo este conceito. Acreditava-se que um dente acometido por cárie no sulco, era forte candidato a recidiva, e então o preparo era estendido para zonas hígidas. Usava-se o termo “preparo em calda de andorinha” devido a  restauração apresentar, ao final,  semelhança com a ave (!)

Atualmente existem correntes prós e contra amálgama. Alguns muito radicais (uma colega no face chegou a dizer que preferia perder o dente a ter uma restauração de amalgama na boca!!!), outros nem tanto. A contaminação por mercurio e a escravidão estética, são os maiores responsáveis pela diminuição de seu  uso.

Eu  faço amalgama, ainda que muito pouco (acho que não fiz nem 5 no ano passado).

O custo baixo perdeu terreno com a evolução das resinas e a oferta de preço. Falaremos de resina em outra oportunidade.

Em serviços publico de saúde, ainda é bem utilizado, mais pela praticidade e hábito que por economia.

Este é um assunto apaixonante, a meu ver, e eu ficaria aqui falando sobre isso horas/paginas, mas vou poupá-los. Quem sabe outro dia retomo o assunto.

Eu vejo no amalgama de prata, um parceiro muito importante para que a Odontologia deixasse de ser tão mutiladora

Em tempo: Respeito todas as opiniões!

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Published in: on 16 de janeiro de 2012 at 11:56  Comments (4)  
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4 ComentáriosDeixe um comentário

  1. Ai meu Deus, nem amalgama eu tenho no consult, mas respeito quem o faça e bem feito.

  2. […] O amálgama nosso de cada dia. –> Odontostalgia […]

  3. A amálgama de prata é livre de mercúrio? E essa história de que vem sendo substituído por gálio, não é tóxico? Eu tenho alguns dentes que estão em ínício de cárie, já perceptível, e gostaria de colocar amálgama, pois gosto de metais… he he he!!! Qual seria a melhor opção?

    • Caro Rafael, o amalgama odontológico é uma mistura da limalha de prata com o mercurio entre outras substancias. Foi utilizado como material restaurador durante muitos anos e com bons resultados, mas hoje em dia quase não se usa. Não tenho informaçãp sobre o gálio. Materiais estéticos ganharam terreno, até porque são capazes de aderir ao dente, o que favorece menores desgastes. Eu particularmente gosto do amalgama. Se você tem necessidade de restaurações, ninguém melhor que seu dentista para te orientar sobre o melhor material. Alguns colegas ainda fazem amalgama. Se vc quer material metálico, podem ser feitas pequenas incrustrações, mas o caso deve ser muito bem selecionados, afinal, o preparo para colocá-las não é conservador. Procure o seu dentista logo.
      Um abraço


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