Ficha Clínica

Meu primeiro certificado!

É provável que muitos saibam, mas outros tantos desconhecem o motivo do seu celular chamar de QWERTY o modo teclado.

Quem fez DATILOGRAFIA, sabe. Ôôôô se sabe!!!

Por mais jovem que vc seja, já ouviu falar em maquina de escrever. Afora as controvérsias, sua invenção data do sec. XVIII e basicamente imprime caracteres , através de depósito da tinta contida numa fita, e que é pressionada contra o papel.

Para evitar o travamento das rudimentares maquinas de escrever, seu inventor separou os caracteres mais utilizados na Lingua Inglesa, afim de que fossem pressionados em lados opostos do teclado. Essa distribuição acabou por colocar na primeira linha da esquerda as letras que formam o nome do teclado.

Eu fiz datilografia.

Os datilógrafos eram classificados quanto a sua eficiência, de acordo com o numero de palavras escritas por minuto. Então, para se atingir a rapidez desejada, era necessário decorar o teclado e usar os 10 dedos.

Assim sabíamos que QWERT e POIUY era a primeira fileira, ASDFG e ÇLKJH a segunda e ZXCVB e : . , MN a última.

Pra ajudar a decorar, a professora cobria o teclado e cronometrava o tempo usado pra ecrever determinado texto. Os erros, claro, tiravam pontos.  Boas secretárias eram contratadas com média de 250 toques por minuto! Lembrem-se que as teclas eram mecânicas e necessitavam de força para serem acionadas, o que comprometia o tempo.

Usei muita maquina de escrever.

Pra ficar no âmbito da Odontologia, as fichas clinicas dos pacientes do colega que eu assistia entre 1984 e 1990 eram datilografadas por mim.

A fita era de tecido com tinta preta, mas podia ter a variação bi-color (preta+vermelha), o que permitia a escrita com realce (!).

Tinha também as eletricas com esfera (tive um upgrade gratuito da escola de datilografia). A esfera girava de acordo com a letra selecionada e o carro ficava parado. Um toque “sútil” era necessário pra imprimir a letra, e o toque lento imprimia a letra repetidas vezes. Para a correção dos erros, foi inventado um papel corretor (tipo branquinho) que era colocado entre a esfera e o papel e a letra era rebatida. Esta então era impressa em branco, sobre a anterior, o que a fazia desaparecer e a letra correta era então pressionada. Ótimo! Sim, desde que o papel fosse branco!

Foi com uma dessas que eu datilografei o TCC de especialização do meu chefe. Foram meses!!!

Depois lançaram uma com um mini visor de cristal liquido, onde era possível se ler o texto antes de mandar imprimir. Se estivesse ok, vc dava o comando e a maquina escrevia sozinha o trecho recém datilografado.

As fichas eram preenchidas e arquivadas e a cada sessão atualizadas manualmente.

No Natal era o desespero.

Centenas de envelopes ou etiquetas, preenchidos um a um para serem enviados pelo correio. O desperdício era enorme. Errava-se muito!

Quando me formei e montei consultório, não tinha muito tempo nem paciência para datilografar, então preenchia tudo a mão. Meu pai me fez uma ficha clinica na maquina eletrica dele, e eu tirava copias.

Entramos então na era da computação!

Comprei meu primeiro computador, um Metron, e uma impressora Canon, no Ponto Frio em 1999. Acho que foi em 10x.

Etiquetas, envelopes, anamneses e orientações impressas em segundos.

Em 2000 comprei o programa de gerenciamento que utilizo até hoje. Ta bom, era em disquete :/

Planejamentos, odontogramas e fluxo de caixa num click. Mas se vc esquece de fazer backup ta pêgo!!!

Listagem para as mensagens de final de ano ou aniversariantes feitas em segundos 🙂

Hoje até as radiografias são digitalizadas e podem ser armazenadas num pen drive, fazendo aquele arquivo de aço ter cada vez menos uso.

Para efeito jurídico , ainda existe controvérsia sobre a legalidade de documentos digitais, mas creio que logo se chegará a um consenso. Em tempos de cuidados com o meio ambiente, quanto menos papel melhor.

Pois bem, vc que está me dando o prazer da leitura, pode deixar um comentário, utilizando apenas os indicadores pra digitar, mas eu utilizei quase todos os dedos pra fazer o post.

Hoje, cada vez mais pessoas digitam em teclados alfa-numéricos com uma velocidade invejável, sem terem feito datilografia.

Mas também, não tem um Diploma tão bonito quanto o meu 🙂

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Published in: on 12 de dezembro de 2011 at 09:00  Comments (3)  
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3 ComentáriosDeixe um comentário

  1. […] QWERT,  POIUY, ASDFG, ÇLKJH, ZXCVB e : . , MN. –> Odontostalgia […]

  2. Cheguei a digitar 223 toques por minuto em máquina elétrica. Como era considerada essa velocidade para os padrões da época 1990?? Excelente, Bom ou Regular??

    • Não tenho resposta, mas usar os dez dedos é o must!
      Abraço


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