A evolução

Diariamente, eu e meus colegas Odontoblogistas nos deparamos com a mesma pergunta:

_ Dra: Pq antigamente a gente ia no dentista e pedia pra “arrancar” o dente ele arrancava sem titubear???

Vou colocar aqui a resposta que dou, e vejam, é apenas a minha visão.

Num passado não tão distante assim, a formação profissional era muito diferente.

Os cursos de Odontologia eram em menor numero e concentrados nos grandes centros.

Formado, o Dentista se embrenhava na profissão.  Sua base de pesquisa eram os livros guardados da Graduação.

Quando me formei era muito comum ouvir-se: _Meu dentista é muito bonzinho, mas não se atualizou!

Mas pense: Como se atualizar???

Os cursos não eram tão abundantes. As distâncias eram maiores. Colegas radicados em cidades pequenas do interior, mesmo tendo estudado em grandes centros, não mais voltavam. A ciranda da vida os engolia.

Ta certo, eles podiam comprar livros, mas onde? E o tempo pra ler? Nós mesmos hoje em dia, com o acesso facil, quase não o fazemos.

E então, o colega aprendia uma técnica nova no livro e… Cadê o material???

Novamente as distâncias!

Algum bom contato poderia facilitar, e em algumas semanas o material chegaria pelo correio. Nada de SEDEX10! Isso se estivesse a venda no Brasil.

Quem podia viajar, trazia na bagagem, além de informações VALIOSÍSSIMAS, algum material por debaixo do pano. As importações eram proibidas.

Lembro claramente da visita de um “vendedor” no consultorio que eu trabalhava. Ele vinha com uma maleta preta, tipo 007 e tinha um ar de:  Se quiser o preço é esse! Não sei qual era o seu fornecedor, mas ele tinha o PODER!!!

Então, aquele colega do inicio do texto, fazia o que podia.

Dentes alemães para prótese, eram sonho de consumo de muito edentulo, e poder tê-los era um luxo (mesmo que parecessem cascas de coco batendo ao mastigar)!

As opções de ligas para fundição eram poucas. Na endodontia a limpeza dos canais era feita na base da “FÉ”! Os instrumentos eram poucos e nada flexíveis. Era frequente as tentativas de salvar o dente apenas trocando o algodão com medicamento, uma vez por semana, durante meses, e depois se chegar a conclusão que só a exodontia resolveria a dor. Rx era luxo!

Nada de psicologia com crianças e pouco conhecimento sobre dentição decídua. Ranca que vem um bom no lugar (!)

Só pra ilustrar alguns casos.

Hj nós acessamos a internet e trocamos conhecimento com colegas do  outro lado do mundo em tempo real. Podemos comprar de tudo (desde que se tenha $$$).

Mesmo assim, a realidade para muitos brasileiros ainda é muito dura. Falei um pouco sobre isso aqui.

Hoje fazemos rizectomia, aumento de coroa clinica, apicectomia, entre outras manobras pra salvar o dente, e isso é louvável, mas não podemos crucificar o colega, que optou pela exodontia, sem antes analisar sua realidade.

Sem falar da realidade do paciente, que nem sempre tem recursos financeiros.

Sempre que me deparo com um caso assim, tento me transportar pra realidade do outro, e imaginar o que de melhor eu faria naquela situação.

E acreditem, muitas vezes eu não faria nada melhor!

Então, agora, faça uma breve oração de agradecimento, por cada uma das facilidades que temos atualmente.

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Published in: on 28 de novembro de 2011 at 13:01  Comments (7)  
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7 ComentáriosDeixe um comentário

  1. […] Houve uma época em que a Odontologia não era assim cheia de recursos… –> Odontostalgia […]

  2. […] Em quarto lugar: Houve uma época em que a Odontologia não era assim cheia de recursos… –> Odontostalgia […]

  3. Meu amigo, apesar de minhas quase 5 décadas, sou recente na profissão, formado em 2003 em excelente faculdade pública.
    Posso dizer que nasci em lugar errado, época errada, quando e onde não havia recursos, e onde labutava um CD que se encaixa na tua breve porém elucidativa escrita.
    “Rancar” era normal, passei por isso, maldigo o “CD” até hoje, porem desde este momento com menos força.

    Há 30 anos exatos tive o desprazer de passar nas mãos do “maledeto”, que deu opção, porém não condição, e alguns dias depois não me deu mais a opção da condição financeira, mas a da supressão do meu cartão de visita, do qual fiquei privado e envergonhado. Isso aos 17 anos, em pleno do máximo hormonal, pode-se imaginar o trauma.

    Graças a Deus, pude entrar em uma faculdade que já primava pela manutenção do máximo dos dentes possiveis, e se empenhava para que o conhecimento fosse disseminado, para o bem da comunidade.

    O que hoje é inadmissível, é não dar opção, ou melhor, basear o tratamento puramente pelo que a pessoa tem no bolso, ou no banco, abomino isso. Duvido que não haja espaço minimo para essa regalia, essa “devolução” ao povo o que ele mesmo nos ajudo a dar, ainda mais pelos formados em escolas publicas…

    Que os CDs façam os “mea culpas” à respeito dos problemas causados por eles desnecessariamente. Não só o “mea culpa”, mas que passem a mudar sua visão à respeito…

    Valeu, e muito a tua visão, ajudou a eu “maldizer” um pouco menos o “maledeto…

    • Que bom, pois tudo o que espero com este blog é poder mostrar a odontologia mudando, e pra melhor!!!
      Que o “karma” do maledeto seja diminuido em alguns kg, com o seu perdão. Ainda que pacial 🙂
      Obrigada pela visita e pelo comentário. Serão sempre bem vindos.

  4. O texto aborda somente alguns aspectos do cotidiano profissional de outrora. Dificuldades existiam, mas os profissionais mais interessados sempre participavam das reuniões nas associações, onde a troca de opiniões e técnicas existiam de forma efetiva. O principal, quer nos parecer, foi o enfoque epidemiológico da formação profissional até a década de 1980. Calcado na cura e não em prevenção. Uma visão que muito mudou. Baseando em Educação para a saúde e prevenção. Hoje, curiosamente, o enfoque curativo volta com força por conta dos implantes. E muitos dentes estão sendo novamente extraídos.

  5. Graças à Deus. Estamos no século XXI!

  6. […] um trabalho de um colega, principalmente se foi feito há mais de 20 anos e falei sobre isso aqui por imaginar as dificuldades nas atualizações, mas se você está nessa situação: SEUS […]


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