Materiais Dentários Restauradores

Passada a fase extraidora da odontologia, houve a necessidade da pesquisa de materiais capazes de, além de fechar a cavidade produzida pela cárie e/ou fratura, devolver a capacidade mastigatória aos dentes.

Sabe-se que os Chineses foram os primeiros povos a utilizar a “pasta de prata” em meados do seculo VII para preencher dentes deteriorados. No seculo XIX esta pasta já era largamente empregada na Inglaterra e na França, como material obturador, porém, ela expandia em demasia, causando fraturas nos dentes.

Em 1926 Taveau (dentista norte-americano) adicionou alumínio à limalha.

Por volta de 1895, a mistura dos metais do amálgama dental tinha sido modificada mais uma vez para controlar melhor a expansão e a contração, desde então a fórmula básica permaneceu essencialmente a mesma. Uma liga que contém prata, mercúrio e estanho,  podendo haver também o zinco e o cobre.

Outra alternativa restauradora utilizada na época era o ouro, mais macio e maleável, imprimia menor força ao dente, o que diminuía as chances de fratura.

Já em 1935, as resinas acrílicas eram utilizadas como base para pontes e dentaduras, mas, como necessitavam de calor para polimerização, só tinham uso indireto. As restaurações de resinas eram polimerizadas fora da boca e cimentadas com cimento de fosfato de zinco em cavidades previamente preparadas. Devido ao ajuste dimensional desta resina, sempre aconteciam fraturas no cimento, acarretando falhas nas restaurações. Estamos em 1940.

Para restaurações com necessidades estéticas, durante mais de 80 anos utilizou-se o cimento de silicato, antecessor do cimento ionomerico, que surgiu no fim dos anos 60 do século passado. Foi divulgado inicialmente por Wilson e Kent, pesquisadores da Inglaterra, no ano de 1971. Tal material foi desenvolvido após anos de pesquisas com os cimentos de silicatos com adição de ácidos orgânicos, de modo que viessem a conferir melhores propriedades a este cimento.

Conseguiu-se, assim, o desenvolvimento de um material restaurador que veio agregar as características favoráveis do pó do cimento de silicato, ligeiramente modificado, e do ácido poliacrílico, como componente líquido.

Suas propriedades como material restaurador, são importantes, mas seu e desgaste e a baixa resistência a fratura são inferiores as resinas. Se prestam para pequenas cavidades.

Na tentativa de solucionar os problemas das resinas, adicionou-se uma carga inorgânica, e passou-se a chamá-la de resina composta, a grande evolução em termos de materiais restauradores, começou no inicio dos anos 70 com Brown.

Inicialmente as autopolimerizáveis. Este foi, sem dúvida, um passo importante no desenvolvimento das resinas, pois estendia a possibilidade de seu uso como material restaurador direto.

Infelizmente essas resinas não corresponderam à expectativa. Sua resistência mecânica e à abrasão durante o uso era baixa, além de não ter estabilidade de cor. A contração de polimerização era alta e o coeficiente de expansão térmica era muito diferente do dente.

Vieram então as chamadas de pasta-pasta. Eram compostas de uma pasta base e uma pasta catalisadora. Manipuladas em partes iguais, tem sua presa iniciada imediatamente, e o tempo de trabalho é pequeno. Deve ser acomodada na cavidade com preparo retentivo e mantida pressionada até a presa final. São resinas com partículas muito grandes, o que favorece o aprisionamento de ar entre as moléculas, o que a torna porosa. Essa porosidade diminui sua resistência, dificulta o polimento e faz com que tenha maior índice de pigmentação. Tinham uma pequena gama de cores, basicamente conseguida por adição de pigmentos a mistura inicial, o que dificultava a chegada na cor desejada. Quase não existem mais.

Falei um pouco disso aqui.

Ainda hoje, todos estes materiais, mesmo que com modificações, continuam tendo suas aplicações. Os compósitos atuais, necessitam de uma fonte de luz halógena para que ocorra a polimerização. São compostas por micro partículas e já se encontram na 6ª geração. Utilizadas com a técnica de condicionamento ácido (Inicialmente pesquisado por Buonocore em 1955), conferem ao trabalho final ótima qualidade, porém, sua contração de polimerização ainda preocupa.

Sua capacidade de adesão pelo uso de Bond e Primer diminuiu significativamente a necessidade de desgaste dentário, possibilitando seu uso em preparos pequenos e conservadores.

Inicialmente eram indicadas somente pra dentes anteriores e para cavidades pequenas. Sua evolução permitiu o uso para dentes posteriores, desde que observada a técnica correta. Inicialmente só aderiam ao esmalte, hoje aderem também a dentina.

Diferem pouco entre si, e são classificadas, segundo os fabricantes, como universais, podendo ser associadas para melhores resultados.

Sua gama de cores é enorme, e ainda apresentam as chamadas “dentina”, cores com menos translucidez.  Podem ser fluidas e condensáveis.

Abrir a gaveta hoje, e decidir qual resina usar, dentre as que o mercado oferece, para se conseguir sucesso estético, é uma das tarefas mais fáceis que se pode ter em Odontologia. Pode acreditar.

Fragmentos de ouro em dentes anteriores, nunca mais!!!

A não ser que o paciente seja descendente de ciganos, daí…

Fontes:  aqui, aqui e aqui

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Published in: on 16 de novembro de 2011 at 09:00  Comments (1)  

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