Dentista prático


A figura do dentista prático, foi regulamentada, no Brasil, em 1931. Durante muitos anos essa prática foi aceita e disseminada na sociedade brasileira. Na sua grande maioria tiveram como “orientadores”,  outros profissionais práticos, e precisaram, em determinada época, que comprovar o exercício por 15 anos seguidos, para terem o direito ao exercício. A legislação obrigava que fosse divulgada na placa do prático, essa sua condição.

Em sua defesa usavam o fato de estarem próximos da realidade do publico alvo, e de nunca se negarem o atendimento, mesmo dos menos favorecidos.

Até a década de 70, ainda havia um forte lobby a favor da continuidade da legalização.

O estudo que me baseei para este post, concluiu que ainda na época da publicação (2003), existiam muitos destes práticos, principalmente em cidades do interior, na sua grande maioria afastados até 200km dos grandes centros.

Tem o que aprendeu observando outro pratico, tem o que estudou em livros, tem o que começo a faculdade mas não terminou e tem aqueles que receberam a profissão como “herança” dos antepassados que eram barbeiros ou sangradores.

Pode-se dizer que, no Brasil, a odontologia encontra-se regulamentada como profissão, desde a década de 30, com o estabelecimento de um sistema de credenciamento adquirido pelo treinamento formal e pela obrigatoriedade de registro no Departamento Nacional de Saúde Pública.

A profissão odontológica no Brasil tornou-se independente da Medicina e possui regulamentação própria, estando organizada com base na Lei 4.324, de 14 de abril de 1964, que instituiu os Conselhos Federal e Regionais de Odontologia e na Lei 5.081, de 24 de agosto de 1966, que regula o exercício da odontologia no país (Brasil, 1978, vol. I).

A equiparação de práticos e formados teve seu lugar, quando houve movimento para reconhecimento dos cursos oferecidos por instituições  não regulamentadas e as federais, até então, as únicas autorizadas a formar dentistas.

Em determinada época, a odontologia era dividida entre operativa (médica e cirúrgica) e mecânica (protética). Percebeu-se o equivoco, visto que ambas dependiam da manipulação mecânica de materiais, por meio de instrumentos. Reconheceu- se a importância das ciências básicas (anatomia, fisiologia,  patologia) e da terapêutica, para desenvolvimento científico da profissão.

A Odontologia, antes renegada a segundo plano, frente as áreas acadêmicas conceituadas como engenharia, advocacia e medicina, teve sua importância reconhecida quando usado o argumento de que somente o dentista era capaz de solucionar a dor de dente. Ponto pra nós 🙂

O exercicio da profissão por práticos não é mais permitido. Somente profissionais formados em instituições reconhecidas pelo MEC e com registro nos Conselhos Regionais podem fazê-lo.

O aperfeiçoamento da profissão e a evolução dos materiais e técnicas, abriu espaço para a criação das especialidades, mas os Clinicos Gerais, ou Dentistas de Familia, ainda são a grande maioria.

Atualmente estas são as especialidades regulamentadas pelo CFO:

 

a)  Cirurgia e Traumatologia Buco-Maxilo-Faciais;
b)  Dentística;
c)  Disfunção Têmporo-Mandibular e Dor-Oro-Facial;
d)  Endodontia;
e)  Estomatologia;
f)  Radiologia Odontológica e Imaginologia;
g)  Implantodontia;
h)  Odontologia Legal;
i)  Odontologia do Trabalho;
j)  Odontologia para Pacientes com Necessidades Especiais;
k)  Odontogeriatria;
l)  Odontopediatria;
m)  Ortodontia;
n)  Ortopedia Funcional dos Maxilares;
o)  Patologia Bucal;
p)  Periodontia;
q)  Prótese Buco-Maxilo-Facial;
r)  Prótese Dentária; e,
s)  Saúde Coletiva.

Aqui vc encontra tudo sobre dentista pratico.
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Published in: on 1 de novembro de 2011 at 09:00  Comments (7)  

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7 ComentáriosDeixe um comentário

  1. Recentemente tive uma aula sobre ética e o professor tocou nesse assunto. Quando ele fez a pergunta: “Voces acham que ainda há dentistas práticos em atividade?”, a resposta foi unanime: “SIM”.
    Na verdade, ele nos explicou que o dentista prático, com registro profissional, dificilmente está em atividade ainda. O mais novo deve estar aí beirando os 80 anos, então dificilmente tá na ativa.
    O que temos hoje são falsos profissionais, ilegais, exercendo ilegalmente a profissao.

    Muito bom o post, Celia!
    Continue assim!

    • Isso mesmo Paulo,
      A tese tbem via desse modo.
      Os “praticos” encontrados tinham idade que variavam de (pasmem!) 29 a 70 anos.
      Realmente, como as últimas autorizações pra o trabalho dos práticos datam das primeiras decadas do Sec XX, é muito provável que não se tenha mais nenhum em
      atividade.
      O termo “prático” é utilizado pra mascarar a falsidade ideológica.
      Obrigada pela visita e pelo comentário.

  2. […] Saiba por que ser “dentista prático” e praticar a Odontologia ilegalmente não é a mesma coisa. –> Odontostalgia […]

  3. Acredito que existam grandes¨” dentistas- práticos” e dentistas. A experiência adquirida com o tempo não pode ser ignorada. No entanto acredito que existam clientes pra ambas categorias pois quem tem dinheiro vai á um dentista formado e quem não tem, procura sanar a dor e ganhar dentes novos para ter uma vida digna. O dentista pode ter certeza que o prático também faz a diferença e que” existe um lugar ao sol para todos”.

    • Cara Monica, não tem lugar ao sol pra quem não tem formação. Uma vida digna passa por ter direito a saúde de qualidade. Não é porque falta moradia que é aceitável que um ajudante de pedreiro construa prédios, baseado apenas no fato de ter visto e ajudado a construir muitos prédios. A experiência adquirida com o tempo é muito importante sim, mas para adquiri-la é necessário ter o conhecimento. “Arrancar” 300 dentes não faz com que o individuo passe a saber o que é sindesmotomia, luxação e avulsão.

  4. Sou filha de dentista prático, já falecido, teria hoje 86 anos.Quando ele morreu há 25 anos,houve uma comoção geral na cidade e muitos diziam ter morrido o “Dentista dos pobres”. Realmente, jamais alguém deixou de ser tradado por não ter como pagar e, por ser protético também, de lá ninguém saía sem dente. Certa vez fiz um implante de gengiva com um dentista formado em um munício próximo aonde trabalhava e uma semana depois tive infecção e hemorragia. Liguei para o dentista para que me atendesse ou dissesse o que fazer e ele me respondeu que não sabia o que me dizer, que ligasse para o meu pai. Assim o fiz e ele me passou os procedimentos necessários, fui à farmácia tomei uma injeção, levei junto uma ampola para aplicação no local e fiquei bem. Detalhe,o dentista que fez o implante era muito bem conceituado no município aonde residia. Concordo que hoje não há mais lugar para os “Práticos”, mas não podemos esquecer a contribuição deles, numa época em que poucos formados existiam e estes poucos se limitavam aos grandes centros, ficando a população mais carente à mercê da própria sorte. Gilce Ferreira Domingues, filha de Ibrahim Ferreira Martins, com muito orgulho!!

    • Olá Gilce, muito legal e bonito seu orgulho em ser filha do Sr. Ibrahim.
      Em momento algum eu desmereço a importância da figura do dentista prático. O blog visa mostrar a evolução e as diferenças da odontologia de ontem e de hoje, e neste campo, vc há de convir que não tem mais espaço para os “dentistas práticos” atualmente. Não desmereço a sabedoria do seu pai, nem dos outros, e arrisco dizer que sabiam mais que muitos formados. Obrigada pela visita.


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