Protese

Numa época em que  ODONTOLOGIA era simplesmente extraidora, a necessidade de reposição dos elementos dentais perdidos, começou a se fazer necessária.

Durante séculos, a atividade profissional foi baseada apenas no conhecimento empírico, não havendo qualquer tipo de conhecimento científico dos procedimentos na execução dos trabalhos.

Eu particularmente, não acredito, que nenhum dos trabalhos iniciais fosse capazes de recuperar a função mastigatória.  Penso que tinham como finalidade devolver a estética, o sorriso.

Os trabalhos eram rudimentares, mas utilizava-se materiais e mão de obra selecionada. Pouquíssimos tinham acesso.

Já no final do séc. IV e V a.C., artesãos e ourives Fenícios quando confeccionavam próteses removíveis combinavam os dentes naturais com os esculpidos em marfim e retidos com fios de ouro.

A prótese dentária atinge um nível bem superior com os etruscos, século VI aC. Sendo ourives, desenvolveram técnicas de valor. Eles usaram aros soldados para unir grupos de dentes, criando assim, um esteio para os dentes postiços. A liga empregada era de ouro quase puro, fundido em lâminas espessas e resistentes.

Os japoneses no sec VIII talhavam uma dentadura em madeira sobre um molde feito da arcada em cera de abelha. Os dentes eram feitos de lascas de marmore, ossos de animais ou dentes humanos e depois eram ajustadas no interior da boca. Depois eram recobertas com uma camada de laca pra ficarem resistentes a saliva.

No sec XVII foram introduzidas tecnicas de “transplantes” entre vivos, mas a tecnica caiu em desuso principalmente pelos  repetidos fracassos e do reconhecimento do risco de transmissão de enfermidades.

A leitura da descrição de cada um desses trabalhos me dá arrepios. Uma ulcera traumática hoje faz o dentista “casar” com o paciente, imagino as lesões que estes trabalhos causavam nos tecidos de suporte, ou nos remanescentes que recebiam forças por serem apoios. Com a expectativa de vida curta daqueles tempos, talvez nem desse tempo de se ver as “iatrogenias”.

Os dentes indivíduais de porcelana foram introduzidos na América em 1817 .

A primeira peça metalica para impressão (moldeira) data de 1820 e a primeira substancia para impressão é de 1840.

A vulcanite rosa, que conferiu um aspecto muito natural as próteses, foi introduzida em 1919.

Em 1930 veio a primeira liga de cromo-cobalto para confecção de proteses parciais.

Em 1932, surgiu a vinilita, o primeiro material plástico para bases de próteses, mas que foi substituído pelas resinas de metilmetacrilato nos anos 30.

Hoje a gama de opções é incontável, e vai desde o bom e velho pivot em venner até as proteses flexíveis (??), passando por zirconia e tiânio.

O desenvolvimento da Odontologia como profissão reconhecida e o aparecimento dos cursos, a necessidade de reposição dos elementos faltantes, ou mesmo da recuperação dos muito destruídos, abriu espaço para uma nova área técnica: A Protese Dentária.

Inicialmente os trabalhos eram executados pelo proprio dentista, que com o tempo foi “treinando” outros para executar o trabalho. Estes eram executados num “cantinho” do consultorio.

No Brasil, protético dentário só entra em cena em 1943, através do Departamento Nacional de Saúde Pública que criou a Portaria n.° 29, que obrigava o protético a prestar exame, passando por uma banca examinadora, para só então, trabalhar com a prótese.

Eram questões simples, de terceira série primária, e na oral, as perguntas faziam referências aos aparelhos usados na atividade, ou seja, era uma prova apenas para legalizar os que já praticavam a profissão. Todos os inscritos foram aprovados. Depois de legalizados os protéticos passaram a sofrer uma maior fiscalização e a ter que requerer alvarás da prefeitura, para abrir seus laboratórios.

Nos dias atuais, estes profissionais são formados em cursos de nível tecnico e devem ter registro no CRO. Estão reunidos em Associações de Classe e Sindicatos.

Por lei, estão PROIBIDOS de executar qualquer serviço direto na cavidade oral,  sob o risco de serem acusados de exercício ilegal da profissão (Odontologia).

Não existe um bom protesista que não tenha ao seu lado um bom protético. O trabalho em parceria, ainda que nem sempre seja fácil, favorece principalmente o paciente.

Pesquisa:   http://www.abpd.odo.br/site/?q=node/67    e    http://www.ident.com.br

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Published in: on 3 de outubro de 2011 at 09:00  Comments (2)  

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  1. […] história da prótese em Odontologia, do ouro à porcelana. –> Odontostalgia

  2. […] O Blog Odontostalgia menciona sobre o assunto aqui […]


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