Biossegurança

Super batcérias – tribunaderestinga.blogspot.com

A humanidade briga com os microrganismos patogênicos desde que o mundo é mundo.

As pragas e as doenças acometem humanos, animais e plantações. Mesmo sem conhecimento cientifico da coisa, sempre se buscou formas de controlar o desenvolvimento desses microrganismos.

O fogo foi o primeiro meio de purificação a ser utilizado e o sal, como anti-séptico.

Em ambiente hospitalar, a busca pela assepsia é anterior a descoberta dos micróbios,  assim chamados por serem organismos vistos apenas através do microscópio, inventado em 1863, por Antonj van Leeuwenhoek.

Em 1847, com a simples medida de que todos os estudantes da maternidade de Viena, passassem a lavar as mãos com uma solução clorídrica de limão e esfregar as suas unhas com uma escova antes de adentrar as enfermarias, a taxa de mortalidade foi reduzida de 18% em 1847 para 1,27% em 1848.

Por volta de 1865 Lord Joseph Lister faz seu primeiro experimento em Glasgow com a vaporização de acido carbolico, como anti séptico, ao redor da ferida, antes da cirurgia, baseando-se em experimentos de Louis Pasteur.

Em 1876 a esterilização era efetuada através da exposição a temperatura de ebulição (100 graus). Comprovado que ainda assim alguns microrganismos resistiam, foi estabelecida um aumento nesta temperatura, que passou a ser de 120 graus. Ciente de que isso ainda não era suficiente, Pasteur,  junto com Charles Chamberland, desenvolveram um aparelho que combinava pressão e temperatura, o precursor dos esterilizadores atuais. Foi por insistência de Pasteur que os médicos militares passaram a utilizar métodos de esterilização em seus materiais.

No dia a dia da odontologia a esterilização é feita basicamente pelo forno de Pasteur (estufa) e pela autoclave, para os materiais criticos, ou seja, todos aqueles que penetram nos tecidos subepiteliais, no sistema vascular e em outros órgãos isentos de microbiota própria.

Para a desinfecção são utilizados Glutaraldeído, ácido peracético, clorexidine, alcoois, etc.  Por desinfecção entende-se : destruição de microrganismos patogênicos, sem que haja, necessariamente a destruição de todos os microrganismos. Utilizamos para itens semi críticos que não podem ser esterilizados por meios físicos, e para os não críticos.

Agora, falando no nosso micro universo, a odontologia brasileira, a esterilização já passou por diversos experimentos. Alguns foram abandonados definitivamente, outros ainda estão em uso.

A técnica maia antiga é a da fervura, e olhem, era feita numa geringonça enorme, tipo banho maria pra esquentar marmita (ok, vc nunca esquentou marmita). O material era lavado e colocado pra ferver por 1 h, aberto, direto na água. Alguns microrganismos eram eliminados, mas não todos. Até porque, outros materiais eram adicionados durante o “ciclo”, o que diminuia a temperatura da água. Os instrumentais eram retirados com uma pinça grande, tipo pegador de macarrão e pra esfriar mais rápido, colocados em água fria. E bingo, contaminados novamente.

A estufa, ou forno de Pasteur, ainda utilizado nos dias atuais, é um método MUITO eficaz, mas demanda seguir um protocolo para ter todo seu potencial utilizado. Sua maior desvantagem é o longo tempo do ciclo. A temperatura deve ser mantida estável, monitorada por um  termômetro, por um tempo de 1h a 170 graus, sem contar o tempo de aquecimento, e não pode ser aberta, ou começa-se a contar tudo novamente. O material deve estar em caixas de metal e a validade da esterilização é menor.

Pastilhas de formol – Eram utilizadas expondo os materiais semi criticos a seus vapores, mas a sua ação carcerígina fez com que fosse abandonada.

Exposição a luz ultra violeta –  O material era lavado e exposto a luz ultra violeta por increditáveis 30min. Trabalhei com um deste por algum tempo, quando era auxiliar, e hoje sofro só de pensar quanto de material não estéril foi usado. Ele até que era bonitinho. Parecia um forninho. Era mais ou menos como um bronzeamento artificial das bactérias. Quando os dentistas perceberam sua ineficácia, as vendas migraram para as manicures. Hepatite B modeOn 😦

Esterilizador com esferas de vidro – Estes são usados em laboratórios,  principalmente em substituição ao bico de bunsen. As esferas de vidro são aquecidas por uma resistência e atingem 350graus. O instrumento é colocado ali por alguns segundos. Também tive contato com este equipamento. O colega utilizava durante a PQM na endo. Limpava a lima na gaze e depois a colocava nas bolinhas por alguns segundos. Mesmo a temperatura sendo tão alta, não conheço a efetividade do método. O problema era quando as bolinhas caiam no chão… Desconheço o uso atual por dentistas.

Na atualidade, sabe-se que nada é melhor que a Autoclave para o uso Odontológico. Ela atende a quase todas as necessidades de esterilização. O material pode ser acondicionado em papel tipo kraft, mas a Vigilância Sanitária está revendo isso. Parece que apenas papéis especiais serão aceitos em breve. Ciclos curtos e pouco consumo de energia, são suas maiores vantagens. O preço ainda é um pouco salgado, mas vale a pena investir.

 

Referências: http://esterilizacao.blogspot.com
higieneocupacional.com.br/download/biosseg-odonto.pdf
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Published in: on 12 de setembro de 2011 at 09:00  Comments (2)  

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2 ComentáriosDeixe um comentário

  1. Ótimo texto Celinha!! Como sempre arrasando. 😉

    Beijão

  2. […] De uma simples lavagem de mãos até a autoclave… a história da biossegurança. –> Odontostalgia […]


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