A moda e a Odontologia

 

 

Olá leitores,

Nós dentistas somos uma espécie esquisita e desafio que me convençam do contrario.

A grande maioria de nós vai passar toda vida profissional enfornados entre quatro paredes de cores sóbrias com equipamentos e utensílios sem nenhum glamour, mas muito se engana quem acredita que a moda não nos atinge.

A Odontologia, que inicialmente era dominada por homens estava limitada a salas escuras com colegas de paletós e gravatas.

Com o passar do tempo o uso de aventais passou a ser mais comum e os uniformes eram usados apenas pelas atendentes.

Mais um salto no tempo e passamos a utilizar o branco que nos empresta um ar de higiene e limpeza, além de denunciar mais fácil quando a roupa está suja. Mas com o domínio feminino da profissão isso estava com os dias contados. Na minha época de faculdade a única exigência era que a roupa fosse branca.

A foto do post é do ano de 1988 ou 1989 e foi tirada durante uma clinica de dentistica. Além do cabelo solto, minha roupa era um macacão de frente única e que não cobria a perna toda. Nos pés eu tinha uma sandália aberta. Mas pelo menos era tudo branco. 😛

De uns anos para cá a norma passou a ser o uso de jalecos, de preferência de mangas compridas e punhos e claro, de tecido leve, porque né?

A biossegurança deve ser o foco e neste caso eu acho que a moda nos tirou um pouco do bom senso.

Quem frequenta feiras e congressos está acostumado a ver o aglomerado de colegas em frente aos stands de jalecos e até poucos anos atrás a escolha se dava por pequenos detalhes coloridos nas golas e botões. Nessa época começaram a surgir também os gorros coloridos. Eu segui esta moda.

Há questão de dois ou três anos a moda invadiu a Odontologia. Cores, tecidos, estampas e modelos, mas eu particularmente acho que por vezes exageram em detalhes. Meio que desconsideram o fato de que detalhes são ótimos esconderijos para sujidades.

Mas o start para este post foi a chegada ao mercado dos modelos em Neoprene FunMask, um tecido que é impermeável, não amassa, não esquenta no calor, mantém a temperatura no frio e maravilha das maravilhas, não mancha (nem com hipoclorito nem com fixador).

Parafraseando Zeca Pagodinho ‘Nunca vi nem provei eu só ouço falar’ mas acho que esse é ~tendência~ Hahaha!

É claro que a moda está na Odontologia também nas cores e materiais das cadeiras e equipamentos, nos designs ergonômicos, etc. Mas é nos jalecos que ela se faz mais visível.

Que venham agora os sapatos confortáveis e mais bonitos, porque com o tempo todos acabamos por nos render aos Crocs. Eu ainda resisto bravamente.

Abraços.

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Published in: on 27 de outubro de 2017 at 08:30  Deixe um comentário  
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Dor de dente é coisa antiga.

Olá leitores,

Não tem um só dia que nós dentistas não ouvimos uma queixa sobre como é ruim ir ao dentista.

Ok, pode não ser o melhor dos programas, mas para isso eu sempre contraponho com a ideia de quanto seria  pior não ter esse serviço numa hora de necessidade.

Essa semana foi divulgada uma descoberta que reforça minha tese.

Pesquisadores da Universidade de Adelaide, na Austrália, descobriram que quase 50.000 anos antes da descoberta da penicilina, um jovem Neandertal espanhol que morava em El Sion (atual Asturias) comeu um fungo antibiótico chamado Penicillium e mastigou pedaços de álamo que continham acido salicilico – o ingrediente ativo da aspirina moderna.

O fóssil analisado era uma mandibula de um macho jovem que revelou danos provocados por um abcesso e continha  placa dental com restos de um parasita intestinal que causa diarréia aguda.

O uso dessas substâncias indicam um bom conhecimento de plantas medicinais pelos Neandertais.

Portanto, a próxima vez que seu cliente disser que “odeia Dentista” responda prontamente:

– O homem de Neandertal sonhava com um dentista e tudo que ele tinha era “uns” pé de mato. Abre a boca e não reclama.

Rá!

Matéria completa aqui

 

 

 

 

Published in: on 10 de março de 2017 at 15:32  Deixe um comentário  
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SEUS PROBLEMAS (E DESCULPAS) ACABARAM.

Se manter atualizado sobre técnicas e materiais nos dias de hoje, com inovações sendo divulgadas a cada hora na internet gera dois tipos de reações, a que anima saber que nosso dia a dia pode ficar mais fácil e nosso trabalho melhor e a que gera dúvidas de como e onde utilizar as novidades.

Empresas do ramo costumam ter promotores que visitam-nos no consultório com o objetivo de elucidar duvidas. Infelizmente esse serviço atinge uma pequena parte de nós, e na maioria dos casos os promotores não técnicos e nem sempre tem a experiência do uso do material. Quem já não saiu do CIOSP ou de qualquer outro congresso do tipo, com a promessa de uma visita que nunca se confirma?

Você que, como eu está num, grande centro e próximo a centros de estudos e pesquisas pode eventualmente fazer um curso com um colega que já domina tal técnica, mas e o colega que mora no interior do país, ou mesmo em São Paulo, mas em cidades pequenas? E os custos de um curso?

Eu tenho sempre muito cuidado para criticar um trabalho de um colega, principalmente se foi feito há mais de 20 anos e falei sobre isso aqui por imaginar as dificuldades nas atualizações, mas se você está nessa situação: SEUS PROBLEMAS ACABARAM!

Há alguns poucos anos uma dupla de amigos empreendedores decidiram investir numa idéia que inicialmente era fazer uma plataforma de contato entre colegas. Mas visionários que são, decidiram ampliar os horizontes e passaram a oferecer conteúdo cientifico.

Hoje o IDent é uma plataforma com um rico conteúdo que atinge a grande maioria das nossas necessidades.

Lá você encontra desde os contatos de colegas para fazer o tão importante networking, um catálogo completo de produtos com link para as lojas, mas a cereja do bolo é se ter acesso a um enorme conteúdo de CURSOS e DICAS on line com os mais renomados e influentes professores das mais diversas áreas.

Você pode por exemplo assistir curso de dentistica com o Garófalo ou com o Carlos Francci ou ainda endo com o Marcelo dos Santos quando quiser.

E o que você precisa para isso?

Ter um computador com acesso a internet e fazer uma assinatura anual.

Eu fui presenteada com uma assinatura pelo Felipe Cabral para conhecer e adorei.

Não estou fazendo propaganda de ninguém, eu realmente gostei.

Outro dia assisti uma aula sobre tomada de medias para fazer uma prótese total e tirei dicas maravilhosas.

Claro que nada substitui um curso presencial, um hands on para se ter contato com o material, mas pra muita gente isso será de grande ajuda.

Vai lá, conheça o IDent.

Abraços.

Published in: on 13 de fevereiro de 2017 at 08:00  Deixe um comentário  
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Eleições CROSP

Desde que ingressamos na faculdade de Odontologia e até os últimos dias de exercício da profissão estaremos ligados firmemente aos CRO (Conselho Regional de Odontologia) do estado onde escolhemos trabalhar.

Temos que registrar o diploma junto ao órgão que emite a carteira que nos dá o direito ao exercício legal da profissão.

Tão certo quanto o hipoclorito vai cair na única parte colorida do seu jaleco é a chegada do boleto da anuidade logo nos primeiros dias do ano.

Na próxima sexta feira, 10/02, vai ocorrer a eleição no CROSP para ao biênio 2017/2019.

Pela primeira vez a votação será feita pela internet mediante o uso de uma senha que foi enviada para o seu email e que validará seu voto. Caso suas informações cadastrais estejam desatualizadas e/ou você não recebeu o email, você deve ir no site do CROSP que tem todas as informações para o pleito.

O voto é obrigatório e não fazê-lo lhe renderá uma multa de R$ 167,84

Mas você sabe qual são as atribuições dos CROs?

Os Conselhos Regionais de Odontologia foram criados em 1964, por Lei Federal (Lei nº 4.324 de 14/04/1964), e constituem uma autarquia, dotados de personalidade jurídica, com autonomia administrativa e financeira, tendo por finalidade a supervisão da ética profissional e a fiscalização do exercício profissional, cabendo-lhes zelar e trabalhar pelo perfeito desempenho ético da Odontologia e pelo prestígio e bom conceito da profissão e dos que a exercem legalmente.

Além das funções estritamente legais, os CROs também contribuem com a valorização profissional, promovendo eventos que reforçam a união da classe odontológica e que contribuem para a formação técnica; atuam na orientação a população, através de campanhas de prevenção e informação; fomentam discussões sobre assuntos fundamentais a odontologia, como o ensino nas universidades; trabalham em parcerias com as universidades, buscando aprimoramento na formação do cirurgião-dentista; orientam o profissional no exercício de sua profissão. E, o mais importante, é o guia, do profissional da Odontologia, para conduzi-lo aos caminhos de uma conduta profissional ética, comprometida, responsável e consciente.

O CRO não tem poder de polícia, portanto não é da alçada dele impedir a venda ilegal de apetrechos ortodônticos nas ruas e agir diretamente contra aqueles que ‘instalam’. O CRO não tem poder de polícia.

Você pode concordar ou discordar das decisões e ações tomadas pelos que ‘comandam’ a classe, mas lembre-se, os dirigentes são eleitos por nós. Quem não escolhe permite que escolham por ele.

Abraços.

Published in: on 9 de fevereiro de 2017 at 08:30  Deixe um comentário  
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Mocho não, SALLI !

 

Olá leitores,

Como a maioria de vocês deve saber, entre os dias 01 e 04 de fevereiro passado salli2ocorreu em São Paulo o 35ºCIOSP (CONGRESSO INTERNACIONAL DE ODONTOLOGIA DE SÃO PAULO) que tem a fama de ser o maior evento odontológico da América Latina. Teve overdose desse assunto nas redes sociais 😀

Aos congressistas são oferecidos cursos na grade oficial com renomados professores e temas atuais, mas a cada ano que passa a feira que faz parte do evento toma maior proporção.

Há alguns anos o CIOSP acontecia bi anualmente no Palácio da Convenções do Anhembi. A logística lá era um pouco mais complicada. Apesar de grande o espaço começou a ser insuficiente. Os cursos tinham que acontecer no Auditório Elis Regina, que apesar de ser no mesmo complexo, era distante da feira. Sem falar que o pavilhão não tinha sistema de ar condicionado. Imaginem, milhares de pessoas confinadas num espaço coberto por telhas, sem ar condicionado, em pleno verão paulistano.

Já faz algum tempo que o evento ocorre anualmente no Expo Center Norte e que, ainda que tenha pontos a melhorar, recebe o evento mais adequadamente.

Até o terceiro dia o evento tinha recebido uma média de 22 mil pessoas por dia, ou seja, a vitrine dos sonhos para qualquer empresa que ofereça produtos e serviços para Dentistas, técnicos em Prótese Dentária e outras profissões correlatas.

Com o advento da internet, pouca coisa hoje em dia tem o impacto da novidade. As invenções e descobertas estão a um click de distância e com isso um evento desse porte teve também que se adaptar.

A grande maioria das empresas promovem hands on e workshops para possibilitar ao congressista a oportunidade de conhecer e manusear seus materiais e/ou equipamentos. Implantes, Facetas, Clareadores, Motores endodônticos, Sistemas ortodônticos, Resinas e etc., tudo concentrado num só evento.

Este ano em especial eu andei muito, conversei com muita gente e conheci muita coisa. A odontosfera vai estar cheia desse assunto nesta semana e então eu decidi me concentrar num produto que eu achei o mais interessante em termos de novidade.

A figura do dentista que atende sentado no mocho é relativamente nova na Odontologia. Até o final dos anos 1980 a grande maioria atendia de pé. As cadeiras odontológicas não eram nada ergonômicas. Seus sistemas de acionamento eram mecânicos e pesados. Mudar a posição era difícil e demorado. A visualização do campo operatório era limitada e a maioria dos dentistas trabalhava sozinho. Estar em pé facilitava o girar em torno do paciente procurando a melhor posição e dava agilidade para acessar armários e balcões mais distantes.

O uso dos mochos deu ao dentista a possibilidade de trabalhar mais ergonomicamente já que somos os profissionais que mais tem doenças ocupacionais relacionadas a coluna vertebral, articulações e circulação de membros inferiores.

E é aí que entra o tema e a foto deste post.

“SALLI” é o nome desse equipamento. Apesar de relativamente novo por aqui, o Sr. Victor Lembo, presidente da SALLI BRASIL me contou que conheceu o produto, que é finlandês, no Canadá no inicio dos anos 1990. Desde 2009 representa e distribui a marca no Brasil e há poucos dias inaugurou um show room paulistano, no bairro da Vila Madalena.

O design do  SALLI  favorece a postura porque, entre outros motivos, concentra o peso do tronco sobre sallios ísquios,
diminuindo a curvatura da coluna, melhora a circulação das pernas por mantê-las na angulação correta, o que diminui as chances de varizes bem como ajuda na diminuição do arco dos braços durante os procedimentos.

E você deve estar se perguntando se é confortável.

SIM, muito!

Como não ponho preço no trabalho dos outros, não vou dizer que seja caro, mas barato ainda não é.

Se você ficou curioso, visite a pagina da empresa, saiba mais da história do produto e tire suas dúvidas.

Eu já coloquei um SALLI na minha lista de desejos.

Um abraço.

Published in: on 6 de fevereiro de 2017 at 11:24  Comments (1)  
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Velha, eu???

Museu e Biblioteca de Odontologia Dr. Elias Rosenthal

Oi pessoal!!!

O post de hoje é bem curtinho pq como vocês devem estar sabendo ta rolando em São Paulo o 35ºCIOSP que tem a grade bem cheia de temas e a feira com ótimas oportunidades de negócios. Tô indo pra lá daqui a pouco.

Mas hoje estou aqui para fazer mais uma vez o link entre o velho e o novo.

Na bolsa com material para o congressista veio essa imagem que ilustra o post e que é do Museu Elias Rosenthal que fica no prédio da APCD Central e conta a historia da Odontologia.

Achei a foto linda, ainda mais eu que adoro observar as evoluções.

Ocorre que esta mesma foto me causou um drama.

Quão velha você é quando um equipamento que você utilizou muito, até recentemente, está exposto num museu (como o amalgamador Dentomat assinalado na foto)?

Quão velha você é quando leva seu contra ângulo para o Centro de Reparos da KavoKerr e descobre que não tem mais peça pra conserto porque ele é muito antigo?

Por isso eu estou todos estes dias de congresso no Lounge Aquário dos Digital Influencers by KavoKerr no CIOSP, rodeada do pessoal da nova geração como as OdontoDivas, O Vida De Dentista, o Ortoblog e outros colegas e aprendendo um pouco sobre as novas tecnologias e tentando oferecer a eles um pouco do que eu sei.

lounge

E claro, absorvendo tudo aquilo que uma evento desse porte pode nos oferecer e que me ajudará a melhorar meus processos, tanto em tempo quanto em qualidade.

Bora pra lá gente!

 

Published in: on 3 de fevereiro de 2017 at 11:01  Deixe um comentário  
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Mensagem subliminar. Será?

monica

 

Oi pessoal.

Muitas pessoas me perguntam como e quando eu decidi ser dentista e minha resposta é pronta e direta: Não sei.

Explico.

Era meados do ano de 1980 e eu estava no último ano do ginásio (fundamental 2 se preferirem). O próximo ciclo seria o colegial (ensino médio) que naquela época podia ser feito na forma dos cursos Técnicos Profissionalizantes.

Numa conversa entre colegas, todo mundo meio perdido no rumo que tomar, alguém comentou que a partir de 1981 um colégio municipal bem conceituado na época EMPSG Prof. Derville Alegretti passaria a ter o curso de Prótese Dentária e que as inscrições pro vestibulinho já estavam abertas e então eu pensei, taí, vou prestar.

Entrei. Esse foi meu primeiro contato com dentes.

Eu e meus colegas de turma fomos uma espécie de cobaias por sermos a primeira turma. A grade curricular foi adaptada e nós tivemos matérias básicas somente no primeiro ano. No segundo e terceiro anos o curso era totalmente voltado pra carreira.

Física e química dos materiais, Materiais Dentários, Escultura Dental, Prótese Total, etc.

Éramos adolescentes e descobrindo um mundo novo.

Gesso tipo I e tipo II, cera 7 e cera utilidade, ligas de CrCb e NiCr, troquéis, articuladores semi ajustáveis e tipo charneira, gotejadores, LeCron, cadinho, muflas, etc., etc., etc.

Foram dois anos de esculturas de molares que mais pareciam amoras. Montagem de PT que poderiam fazer parte do Thriller do Michael Jackson, alginatos tomando presa antes do tempo e gesso que não tomava presa nunca.

A grande maioria de nós estava ali numa ponte para a Odontologia, mas alguns levaram a Prótese Dentária como profissão.

Hoje, passados 35 anos lembro com imenso carinho dessa época.

Em 1986 entrei na faculdade de Odontologia e em 1990 me formei. A prótese me deu alguns segundos de vantagens para os meus colegas, afinal conhecer e diferenciar molares e pré molares superiores e inferiores na prova prática de anatomia num deixa de ser uma vantagem.

Mas por quê o titulo do texto?

A boneca da foto, uma Mônica de plástico da empresa Troll, foi presente de formatura que ganhei. Sim, formatura do pré primário em 1972.

Aqueles dentes “ligeiramente” desalinhados podem ter sido uma mensagem subliminar para que eu em 1980 decidisse pelos caminhos da saúde bucal.

OK, pode ser viagem, mas eu gosto de pensar assim. Mesmo que eu não tenha me encantado pela ortodontia.

A boneca precisa de restauro, afinal, ela sobreviveu aos filhos e netos da Dona Cidinha, mas não sem prejuízos a sua integridade.

Mensagem subliminar, o destino escrevendo certo por linhas tortas ou apenas alguém que gosta tanto daquilo que um dia foi uma boneca e fica procurando uma razão pra mantê-la por perto.

Freud explica!

 

Published in: on 26 de janeiro de 2017 at 17:22  Deixe um comentário  
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Amálgama faz mal??

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Se você já é leitor deste blog, sabe que minha intensão é traçar um paralelo entre a Odontologia de outrora e atual, fazer comparações ressaltando as mudanças e sempre que possível com bom humor (se você ainda não leu os outros posts deixo aqui um convite para fazê-lo).

Hoje vou falar de um tema que frequentemente é requentado e com o dinamismo das redes sociais é rapidamente disseminado, a boa e velha lutra do bem contra o mal chamada “Amalgama x Resina”.

De um modo geral, todas as pequisas e desenvolvimentos de produtos tem por objetivo melhorar as tecnicas e oferecer ao paciente algo mais avançado e com maiores beneficios em relação as tecnicas anteriores. Ninguém em sã consciência quer voltar no tempo.

Vejo assim os implantes agulhados que com o advento dos osseointegrados foram totalmente descartados, mas quem viveu a fase dos agulhados e pôde com eles devolver a capacidade mastigatória e estética para muitos pacientes não pode desmerecer seu valor. Os próprios osseointegrados com diferentes tratamentos de superfície ou menores diâmetros e comprimentos já desbancaram os primeiros apresentados, mas nem por isso a geração anterior deve ser desmerecida. O antigo tem o seu valor.

Na endodontia, o uso das tecnicas rotatórias com limas de NiTi praticamente desbancaram o bom e velho PQM com as limas K, isso sem falar nas obturações feitas com cone de prata.

Então por que a Dentistica enfrenta essa batalha em desmerecer o antigo?

Durante muitos e muitos anos o amálgama de prata foi a única opção de restauração direta acessível. Muitos e muitos dentes só puderem ser mantidos na boca devido a estas restaurações. A liga resultante da mistura de limalha de prata e mercúrio (Hg) liquido é estável, resistente e barata, mas infelizmente é feia.

Ao contrário do implante e do cone de prata que só tem sua troca indicada quando houve um problema istalado, as restaurações de amalgama sofre “bulling” por serem escuras. Sofrem preconceito numa sociedade completamente dominada pelo padrão dentes brancos.

Muito já se falou sobre isso e você poderá ter muito mais dados nestes posts do Medo de Dentista e DicasOdonto, mas eu quero mesmo é deixar aqui minha visão pessoal.

Sou formada na turma de 1990 da antida OSEC (hoje UNISA). Naquela época a única resina que tínhamos a disposição na faculdade eram as indicadas para dentes anteriores. Para dentes posteriores somente o amálgama. Claro que já existiam os amalgamadores que porcionam e preparam a liga para adaptação nas cavidades, mas a título de conhecimento nós aprendemos a preparar a liga manualmente, pesando a limalha e o mercúrio na balança de Crandall, misturando com o auxílio de um grau e pistilo de vidro e com uma flanela removíamos o excesso de mercurio livre antes de acomodar a mistura na cavidade. Falei disso aqui.

Ok, eu concordo que não é o material mais salubre que temos a disposição, mas não precisamos demonizá-lo mesmo porque para muitos serviços público de saúde ele é a única opção. Colegas que atendem nestes serviços me contaram que existe a oferta de resinas mas nem sempre o protocolo de uso pode ser executado e o amálgama tem protocolo mais simples. Os fotopolimerizadores nem sempre tem potência suficiente para polimerização de camadas mais grossas e a tecnica incremental para uma classe II ampla no tempo que os colegas tem para atendimento é outro ponto desfavorável. Nem sempre o sugador do equipo funciona e manter o campo seco é mais uma dificuldade.

Daí outros vão dizer:

-“Então temos que lutar por materiais e condições melhores para esses atendimentos.”

Sim mas enquanto isso não acontece vamos deixar essa camada da população sem atendimento? Isso sem falar nos rincões do Brasil. Essa Odontologia de facetas e onlays não atinge a grande maioria dos brasileiros. Acreditem, existe uma parcela enorme de brasileiros que não faz idéia do que seja um clareamento, uma parcela que acha que ter dentes é muito mais importante do que ter dentes brancos.

Essa luta ainda vai ter muitos rounds.

Vejam, não estou dizendo aqui que o mercurio não faça mal, apenas digo que não há comprovação cientifica suficiente sobre a liberação dos vapores das restaurações.

Mas a motivação para escrever este post foi de um vídeo onde uma colega paramenta a si e ao paciente com tanto exagero antes da remoção de uma restauração de amálgama que me fez sentir uma sobrevivente e a me perguntar como estou viva até hoje tendo manipulado tanto amálgama e ainda tendo restaurações destas na boca?

Cheguei a conclusão que somos uma geração de zumbis, um bando de mortos vivos que atendem pela alcunha de “dentistas que usavam amálgama”.

Ah, me poupem!

#prontofalei

 

 

Published in: on 10 de dezembro de 2016 at 17:47  Comments (2)  
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Resíduos de radiologia

Quem me acompanha já deve ter percebido minha preocupação com a destinação correta dos dejetos gerados no consultório.

Aqui em São Paulo a coleta do material contaminado é feita pela Prefeitura mediante um cadastro e pagamento da TRSS (taxa de resíduos sólidos de saúde), e incinerada. Desconheço como é a regra em outras cidades. Falei sobre isso aqui.

Já há algum tempo eu procuro separar tudo para dar os destinos corretos.

Separo as embalagens e bulas para jogar nos recicláveis, assim como os frascos (menos os de remédios). Comos plásticos.

O lixo comum a coleta domiciliar leva.

Mas o que fazer com as películas, o revelador e o fixador (eu ainda não entrei na era Rx Digital)?

Há alguns anos li num blog que infelizmente não existe mais, uma ótima entrevista com uma colega especialista no gerenciamento de resíduos, onde ele falava sobre a “neutralização” das químicas radiográficas antes do descarte na rede de esgoto.

Como não localizei a entrevista pedi auxilio para um fabricante que meu deu as informações que eu vou dividir com vocês.

As diluições devem ser feitas na proporção de 1:1, usando

Hipoclorito de sódio > para< Fixador

Ácido acético >> Vinagre caseiro > para< Revelador

Mas isso só serve para pequenas quantidades.

Devo admitir que isso me incomoda. Não me convence muito essa história de neutralização já que a prata presente no revelador, por exemplo, vai continuar lá.

Quanto as películas processadas e as lâminas de chumbo dos filmes, estes também precisam ser processados por empresas especializadas.

Para serem recicladas as radiografias passam por um processo de lavagem que separa a prata que é recolhida e vendida do acetato que é reciclado como plástico.

Se você entrar na internet vai encontrar diversos anúncios de “empresas” que compram estes dejetos para processar, separar a prata e vendê-la. Acho que esse será meu próximo passo, mas vou precisar de muita pesquisa, porque me causa certa estranheza que se tenha empresas que retiram esse material e cobram por isso e outras que te pagam pelo mesmo dejeto. Considerando que o processo de retirada da prata também gera água contaminada, a empresa recicladora deve ter consciência ambiental, afinal, nada adianta se o meu rev/fix não vai pro meu ralo, mas vai pro ralo em outro endereço.

Mas lembre-se de consultar a legislação local. Para emissão do alvará de funcionamento do consultório, a maioria das cidades exigem um PGRSS (Plano de Gerenciamento de Residuos de Servoços de Saúde).

Um abraço.

Published in: on 21 de outubro de 2016 at 08:00  Deixe um comentário  
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Cadê a livre concorrência?

 

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Olá leitores.

Hoje me dei conta de uma situação que há muito vem acontecendo, mas me parece que agora está muito clara.

Como qualquer atividade profissional a Odontologia tem suas particularidades e o uso de materiais específicos restringe nossos fornecedores.

Alguns ítens como algodão, alcool, guardanapos, gaze e material de limpeza, por exemplo, podemos adquirir no mercado comum, mas o material específico para consumo nós compramos em casas especializadas chamadas de Dentais.

Se você não é dentista desconhece, mas precisamos para cada intervenção uma enormidade de ítens. Eu que faço endo (canal) escuto frequentemente comentários do tipo: Nossa, quanta coisa a senhora usa!

E como acontece com todas as profissões cada um desses ítens compõe nossos preços. E é aí que o bicho pega.

Nos ídos dos anos 80 a três grandes casas do ramo em São Paulo eram a Dental Vieira, a Dental Tanaka e a Dental Gaucho.

Numa época sem internet fazer cotação de preço por telefone consumia grande parte do dia, mas valia a pena. Cada uma tinha o seu ponto forte. Uma tinha preços melhores em equipamentos, outra em materiais restauradores, de moldagem ou ainda em material para laboratório de prótese.

Eu, por exemplo, fazia planilhas para o meu patrão ~a mão~ com três colunas e ligava para cada loja. Depois comprava na mais em conta. Quando as diferenças eram pequenas e em poucos ítens as concorrentes cobriam os preços.

Muitos devem estar pensando qua ainda é assim, mas NÃO!!!

Durante os anos 90 e 2000 o numero de casas dentarias aumentou e a concorrência ficou maior. As lojas de bairro ganharam terreno por estarem próximas ao cliente e que por consequência os conheciam melhor. O numero de ítens e marcas eram menores e o consumidor era menos exigente.

De volta aos dias atuais, a realidade é bem outra.

Com a abertura do mercado, os avanços tecnológicos e o crescente numero de procedimentos e técnicas o numero de ítens e de fabricantes dificultou a vida dos pequenos. Os grandes fabricantes colocam limites muito altos para faturamento e impõe compras. Se o comerciante quer comprar o alginato lider de mercado vai ter que levar aquele anestésico que poucos compram. Passou a existir uma espécie de entreposto.

Funciona mais ou menos assim. O cara grande compra em quantidade, negocia os preços e os prazos, faz estoque e quando o pequeno precisa compra o numero que quer, no preço que o entreposto quer. E o pequeno compra o que quiser e puder.

O ponto que me levou a escrever este post é este.

Cada dia mais estamos reféns desses entrepostos. Olhando de longe parece um pouco com cartel, e olhando de perto se tem essa certeza.

O comerciante do bairro, que sempre te atende e te socorre quando acabou o lençol de borracha e vc só se deu conta ao lembrar que o proximo paciente é uma endo de alguém que saliva mais que chupador de limão, não consegue competir em preço com quem dá as cartas.

E cada vez mais o croupier ta mandando no jogo.

Hoje fui cotar luvas de procedimento, sim, aquele ítem indispensável no nosso dia a dia e me dei conta que as duas maiores empresas do ramo tem exatamente o mesmo preço, com a mesma promoção. O mesmo ocorre para outros ítens. Fiquei me perguntando onde foi parar a livre concorrência. Pensando como, e se sobreviverão esses comercios locais.

Eu, em concordância com alguns amigos achamos importante prestigiar o comércio local. Fazer girar o dinheiro na sua comunidade, mas de verdade tenho minhas dúvidas de até onde eles conseguirão ir. Custos fixos altos, encargos trabalhistas, regras de mercado apertadas e etc.

Comprando na comunidade consigo manter parte dos impostos por aqui mesmo, até porque as empresas saem dos grandes centros normalmente para regiões com isenções de impostos e mão de obra mais barata, ou seja, não estão preoculpados exatamente conosco.

E de pensar que se nós precisamos deles, eles precisam de nós igualmente. Ou mais!

 

 

 

Published in: on 8 de outubro de 2016 at 21:12  Deixe um comentário  
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