Endodontia é o canal!

Como gosto de dizer, eu não escolhi a endodontia. Ela me escolheu!!!

Como já contei pra vc minha incursão pelos meandros da Odontologia, se deu como auxiliar de dentista, numa época em que ACD e THD não existiam.

Fui contratada pra ser recepcionista, mas auxiliava o colega durante os atendimentos. Fiquei lá por seis anos e saí formada. Depois de algum tempo, cuidar do instrumental era uma das minhas funções. Ele fazia muita endo.

Era eu quem limpava e arrumava as limas, numa época em que, “heresia das heresias”, as limas eram arrumadas na ordem e acondicionadas em esponjas com solução de Germekyl. Olhando de longe todas as limas pareciam #40, já que a ação da estufa no cabo era implacável. Eu esterilizava os cones de papel em grupos de 5 envolvidos por gaze. Espatulava o endomethazone e revelava as Rx. Era eu também que preparava o Pasta3 de Guedes como medicação intra canal. Como antinflamatório local ele usava Otosporin, e como substancia quimica auxiliar, para necro, o liquido de Dakin. Posteriormente passou a usar a Solução de Milton. Para bio usava Soro. Era eu também quem anotava as medidas iniciais e finais nas fichas clinicas.

Ele viajava muito, e a gaveta de estoque de  limas parecia um oásis. Cores, tipos, tamanhos diversos. Algumas, japonesas ou alemãs, eu até hj não sei pra que serviam.

Pois bem, quando cheguei na endo, aquilo tudo, que arrepiava os meus colegas, era muito familiar pra mim. Não que eu tenha tirado de letra, longe disso, mas eu dormia nas noites anteriores as clinicas. As olheiras dos outros comprovavam suas noites insones.

Esta suposta habilidade levou alguns colegas a me chamarem pra enfrentar este monstro, a endo, em seus consultórios depois que nos formamos. E eu, sem muita escolha… Gostei e fui estudar. Mas não fiz especialização.

Como tudo na Odontologia, a Endodontia  está muito diferente.

Num passado não tão distante, a pouca informação sobre anatomia interna e  microbiota, tornavam os insucessos maiores que os sucessos.

A qualidade dos instrumentos e a pouca informação sobre as subst. quimicas auxiliares, colaboravam com isso.

Não que não houvessem estudos, mas pouco chegava aqui.

Uma situação comum era o paciente (que podia e queria pagar pela manutenção do dente), depois de ter ido ao consultório por dezenas de vezes, trocar o curativo, recebia o diagnóstico de insucesso.

O tratamento era basicamente feito na remoção da polpa (qdo bio), limpeza até parar o sangramento e se conseguir alguma ampliação e em seguida era obturado. Muitas vezes com cone de prata.

Os necro davam mais trabalho. Os aparelhos de Rx não estavam presentes em todos os consultórios e, sem saber o tamanho do dentes eles eram limpos até onde se acreditava terminar. Entre consultas o dente recebia um curativo de formocresol, paramonoclorofenol ou tricresolformalina e era fechado. Semanalmente o curativo era trocado, e se não tivesse sintomatologia, nem cheiro ruim (!) era obturado. Em casos de abcesso, a exo era quase sempre a escolha.

Claro que estou falando no geral, e que nem sempre era assim.

Hoje, com a Radiografia digital, Localizador Apical, Tomografia Computadorizada e Microscopia,  se tem quase que dominio sobre a anatomia interna.

Limas com secções variadas que cortam  mais ou menos, e que são mais ou menos flexíveis.

Brocas de Gattes e Largo, Limas Rotatórias e oscilatórias.

Conhecimento sobre a ação e a efetividade das substancias quimicas auxiliares (hipoclorito de sódio 2,5 ou 5%, Clorexidina 2%, EDTA, etc), com defensores apaixonados para cada uma delas.

Cones de guta percha e cimentos obturadores bem aceitos pela região periapical.

Manter 2mm de coto pulpar, instrumentar até o limite radiográfico ou fazer a patência do foramem tbem rendem boas controvérsias.

Sessão única ou sessões múltiplas.

Mas de uma coisa temos certeza, tudo isso leva a maior qualidade final e a manutenção do elemento na boca.

E foi assim que a Endodontia passou a ter mais sucessos que insucessos.

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Published in: on 26 de março de 2012 at 09:00  Comentários (1)  
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