Cicatriz

Paciente com medo é corriqueiro, e nem sempre eles sabem o porque.

Mas a Solange* sabe.

Quando criança foi chamada pra uma consulta com o dentista da escola (sim, nos anos 70 isso existia!!!).

Na ante sala, com cara de poucos amigos ela aguardava como outros, a sua vez.

Pequenos procedimentos eram executados e a porta do consultório ficava entreaberta.

Lá pelas tantas, a criança que estava sendo atendida moveu o rosto bruscamente, o que fez o dentista machucar o seu rosto com o motorzinho (sic). Sangrou!

A Solange entrou em choque. Fugiu.

O trauma criado foi imenso.

Durante anos ela lutou contra ele.

Como desgraça pouca é bobagem, sofreu uma queda e fraturou os dois ICS.

Endodontia, núcleo coroa e muitos encontros com seu “algoz”.

Recentemente eu a conheci pra retratar uma endo num dos Incisivos que agora fraturou sub gengival.

Ela me contou esta passagem e diz que não consegue esquecer a cena, e o pior é imaginar a “cicatriz” que o menino carrega no rosto (?). Algo parecido com essa maquiagem do Russell Crowe.

Então eu disse:

_Cicatriz??? Não meu bem, o menino deve ter tido um pequeno arranhão. Você viu o sangue e, naquela idade, aquilo lhe pareceu horrível. Uma broca de alta rotação não tem o poder de fazer um corte da magnitude que vc está imaginando. O choro do menino e o sangue foram superdimensionados na sua mente.

Tenho certeza que ele ficou com um arranhão que uma semana ou dez dias depois, tratado com um pouco de  Nebacetin® sumiu!

Então, ela visivelmente aliviada disse:

_Ah, se tivessem me explicado assim, em algum momento desses anos todos! Obrigada, me sinto mais aliviada agora!

Pois é, anos de medo, e uma frase de menos de 70 palavras resolveu tudo.

Não sei até que ponto minha explanação foi realmente capaz de aliviar sua mente, mas acredito ter contribuído muito pra que ela enfrente, doravante, sem medo, nós, os dentistas.

Por mais esforço que os terapeutas tenham empenhado para acalmá-la por todos estes anos, nem eles realmente entendem o que aconteceu, naquele dia, há mais de 35 anos numa ante sala do dentista da escola.

Entender o problema, é uma porcentagem enorme da sua solução.

*nome ficticio

Published in: on 14 de maio de 2013 at 14:11  Deixe um comentário  

Anatomia. As provas práticas!

 

 

Quem fez uma dessas jamais esquece.

Como já contei no outro post sobre anatomia, a matéria não é assim uma Brastemp, mas sobreviver a ela tem o maior de todas as provações, a temida “Ciranda”.

Você não sabe o quanto é assustador, até passar por ela o.O

Ta bom, estou exagerando um pouco, mas a descrição se encarregará de me dar razão.

As provas práticas de Anatomia Humana eram aplicadas em grupos de 30 alunos.

Esse grupo entrava numa sala com 30 peças anatômicas delicadamente colocadas sobre carteiras, circundando a sala, e separadas uma da outra por tapumes, tipo baias.

Entrávamos, nos posicionávamos na frente de uma baia qualquer e anotávamos qual o numero da questão inicial, na folha de prova, com linhas numeradas de 1 a 30.

Em cada peça tinha um alfinete numerado, espetado num determinado ponto. Essa estrutura anatomica deveria ser nomeada na frente do numero correspondente. Simples né?

Só que não!

Entravamos e nos posicionávamos. Tínhamos então 30 seg pra analisar a peça e nomeá-la. Terminados os 30 seg, uma voz gritava “TROCA”!!!

A esse singelo sinal, seguia-se o giro no sentido anti-horário. Cada um avançava pra baia seguinte e tinha outros 30 seg pra analisar a outra peça.

30 vezes e 30 peças depois, era então permitido sentar. Que bom!

Só que não, outra vez!

Sentados recebíamos um pote de filme fotográfico (sim, isso existia) com 10 dentes, que também deveriam ser analisados e nomeados.

Pra essa etapa eu não sei que tempo era destinado, mas sei que sempre era pouco.

Mas, pra mim, o pior era mudar de baia, exatamente na hora que eu estava quase lembrando o nome da estrutura. Eu seguia os giros analisando a nova peça e tentando ao mesmo tempo lembrar daquela. Quando eu conseguia, tudo bem, o que era raro, a se basear pelas notas que eu colecionei durante o ano.

Os primeiras provas não foram muito complicadas, afinal era só osso, e apesar de tudo ser novo pra nós, estavam completamente a mostra, pior foi que, com o passar do tempo, as estruturas estavam em peças parcialmente dissecadas e invariavelmente escondidas.

Numa baia vc encontrava um braço com o alfinete no tríceps.

TROCA!!!

E vc se deparava com o pterigoideo lateral.

TROCA!!!

Nervo Bucal.

TROCA!

Artéria Pulmonar

Até porque, não imagine vc que o professor camarada ficasse satisfeito com um simples “Estomago” como resposta. Isso nunca, jamais, em tempo algum, seria o suficiente. Ele punha o tal malfadado alfinete no óstio pilórico.

Mas o legal mesmo eram as conversas pós “trauma” avaliação. Quando eu tinha certeza da minha resposta, tinha sempre alguém, com uma cara de “imagine se era isso?”

Bom, e foi assim que eu e meus colegas fomos apresentados ao “Fantástico Mundo da Odontologia”.

E acreditem, a máxima “Nada nunca está tão ruim que não possa piorar” cabe muito bem na graduação, but I survived!

Published in: on 5 de maio de 2013 at 19:41  Comentários (2)  
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ILUMINAÇÃO

 

refletor

desculpem a qualidade, mas foi a unica foto que encontrei.

 

Hoje, como faço a grande maioria dos meus dias, comecei o retratamento endodôntico de um 17, que foi tratado há mais de 30 anos, e na radiografia o tratamento parece insatisfatório.

Aumento de espaço pericementário , dor espontânea que cedia parcialmente a AINES mas que era exacerbada na percussão vertical.

A imagem sugeria ter cone de guta nos canais palatino e mesio vestibular.

Raízes fusionadas e camara pulpar preenchida por uma retenção de prótese fixa. O remanescente se esconde atrás do 16.

O colega indicador já havia removido a prótese, o que facilitou minha vida.

Abri, limpei a câmara pulpar e iniciei minha inspeção.

A posição dos canais tratados deixava clara a existência de um canal disto vestibular. Mas onde???

Munida de meu super hiper ultra explorador de ponta reta, saí em busca e 40 min depois,  Achei!

Mas,você, meu caro leitor, deve estar se perguntando, onde entra o tema do post?

Então, o leitor mais jovem não deve ter nem a informação sobre a existência do artefato da foto acima.

Este refletor consistia numa pequena caixa retangular com dois buracos numa das faces, que eram fechados com vidro. No interior havia uma lâmpada atrás de um anteparo que direcionava a luz para um jogo de espelhos, que posicionados de forma tal, faziam a luz que saía pelos tais buracos, convergirem num ponto comum. A boca!

A intensidade da iluminação, comparada as atuais, parecia com uma vela.

Eu, claro, apesar de jovem, tive um desses que veio junto com a cadeira FUNK que eu comprei de segunda mão.

Agora, imagine se for capaz, ter que localizar o canal que eu descrevi acima, às 19h com esta iluminação? Ou num dia nublado, numa sala sem iluminação natural?

Há muito que eu aprendi não criticar o trabalho alheio, e isso não é corporativismo.

Hoje, especialmente eu me peguei pensando nas condições que o colega tinha na época, e vamos combinar, durou mais de 30 anos.

Por isso, com esse post eu rendo HOMENAGENS aos colegas que praticavam uma odontologia de qualidade, ainda que sem os recursos que temos hoje.

 

Published in: on 17 de abril de 2013 at 23:14  Deixe um comentário  
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PROTÉTICA

diploma

 

 

Nos idos 1980, quando eu estava para terminar o ensino fundamental, então ginásio, me deparei como todo mundo com a pergunta que mais atormenta o jovem,

_O que você vai ser quando crescer?

Eu, que nunca tinha me preocupado muito com isso, me vi pressionada a decidir.

Estudante de uma escola publica municipal, a realidade, minha e de meus colegas era pensar em algo que nos desse alguma possibilidade profissional. Quem ali não trabalhava, ainda, teria que começar logo. Com 15 para 16 anos, todos já pensavam em trabalhar pra ajudar em casa. A decisão passava pelo vestibulinho das escolas publicas mais bem cotadas na região (Zona Norte de São Paulo). A maioria ia fazer o ensino médio convencional (antigo colegial).

Eu, por indicação de uma colega, fui fazer prótese. Segundo ela, eu havia aventado o interesse pela odontologia, e naquela ocasião, prótese pareceu o caminho mais sensato. Eu nunca descobri em qual momento disse isso a ela. Tenho pra mim, até hoje, que foi conspiração do Universo.

Como a maioria dos mortais, eu não tinha a menor idéia do que fazia um protético. Ou melhor, sabia que eles faziam dentadura.

Fiz a prova e passei. Era a primeira turma de Técnicos em Prótese Dentária do EMPSG Prof Derville Allegretti. Fomos cobaias.

O primeiro ano era básico, com as matérias convencionais, mas no segundo, quanta diferença!

Finalmente eu estava livre de historia e geografia, mas meu calvário passou a atender pelo nome de Fisica e Quimica. Tudo bem, eu sobrevivi!

Mas o mais interessante era o universo que se abria na nossa frente. A maioria de nós estava ali como trampolim para a odontologia, mas tinha os que queriam seguir a carreira de protético e ainda os que estavam ali sem saber muito o por que.

Eu, por exemplo, nunca tinha parado pra pensar em quantos dentes tem um adulto ou uma criança. A diferença que existia entre os molares e incisivos, ou que cada um tinha uma finalidade. Pra mim, dente era dente, e servia pra comer e sorrir.

Fomos solenemente apresentados a essa nova realidade, e a qual, devo admitir, adorei.

O laboratório era “novíssimo”, e tinha até um inclusor a vácuo, modernidade das modernidades para a época.

Lá, nós fomos  apresentados ao LeCron, espatula 7, mufla, troquel, articulador, RAAQ e RAAT, pedras e lixas diversas, ligas metálicas, ceras, gessos, etc., etc., etc.

Como era um curso recém montado, muitas foram as falhas, mas nós as superamos. Os dois anos de formação técnica não foram suficientes. A burocracia, por exemplo, demorou a liberar verba para que fosse montado o setor de PPR. Nos formamos sem termos aprendido a encerar e fundir armações. Ficamos só na montagem e acrilização. Fornos de metalo cerâmica também eram muito caros e ficamos limitados a metalo-plasticas, tipo venner.

Eu, particularmente tive um pouco de dificuldade na cadeira de Anatonia e Escultura Dental. Esse carma me perseguiria por anos.

Nunca exerci a Prótese como profissão, mas as bases e o conhecimento que adquiri naqueles anos, nortearam muitas das minhas conquistas.

Hoje, no ano que completarei 30 anos de formada, não consigo me imaginar em outro caminho.

Encerar uma coroa total metálica, incluir, fundir e dar o acabamento é uma das memórias mais gratificantes que tenho daquele período.

E de pensar que hoje eu sou fruto da escolha que fiz aos 15 anos.

Bendita escolha!!!

Published in: on 5 de março de 2013 at 20:04  Deixe um comentário  
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Coroas metálicas

Republicação de Odontostalgia:

Clique para visitar o post original

Poucas pessoas podem se dar ao luxo de usar os  adereços que o Chris Brown está usando nesta foto.

Suponho que seja de ouro, e apenas adereços mesmo (gosto duvidoso, é verdade), capas removíveis. Pose pra foto :/

Mas recobrir dentes com coroas totais metálicas foi uma prática muito utilizada antes do advento dos materiais estéticos. E olha que não era pra qualquer um!

Leia mais… 218 mais palavras

Published in: on 8 de fevereiro de 2013 at 20:50  Deixe um comentário  

CIOSP 2013

 

Entre 31/01 e 03/02/2013  estaremos reunidos no EXPO Center Norte pra celebrar a Odontologia durante o CIOSP 2013 da APCD!

Buscar e dividir conhecimentos, fazer e rever amigos.

Absorver tudo que a Odontologia tem de bom.

Pra mim, que sou de sampa, onde se tem acesso a tudo, com facilidade, o evento tem um porte, mas pra colegas que vem de outras cidades, nem sempre com as facilidades de uma cidade grande, o contato com as empresas do ramo e a possibilidade se comprar direto do fornecedor,  o evento tem outro porte. Sem falar do contato com expoentes de cada especilidade.

Que a cidade de São Paulo seja capaz de recebê-los e tratá-los com carinho, fazendo que cada um dos visitantes tenha vontade de voltar.

E aos que não puderam vir, os blogs de colegas, certamente os manterá atualizado.

O ponto alto, para nós Dentwistas é o 2ºForum de Midias Sociais mediado pelos managers do DicasOdonto, VidadeDentista e OdontoDivas, dia 01/02/2013 às 8h.

Até lá!

 

 

Published in: on 31 de janeiro de 2013 at 11:22  Deixe um comentário  

Implantodontia

Bem leitores, espero que tenham sentido minha falta.

Do tema de hoje eu sei pouco, e como de costume, vou me basear no meu conhecimento para escrevê-lo, portanto, se algo não estiver correto, aceito correções.

Meu contato com a Implantodontia é anterior a minha formatura, e como na faculdade ainda não se falava sobre o tema, minha fonte de informação inicial foi o colega com quem eu trabalhava (sim, ele de novo!).

Certa vez ele  atendeu uma paciente com a prótese sobre implante com mobilidade. Esta era cimentada e para removê-la, foi usado o saca prótese. Neste caso, saca implante!

A prótese fixa veio com um dos implantes preso a ela.

Foi aflitivo, mas a paciente não esboçou dor.

Eu, ainda engatinhando na faculdade, achei estranho, mas o colega me disse que aquilo era comum.

Naquela época, meados dos anos 1980, os implantes eram feitos de aço inoxidável, na forma de agulhas, e instalados como se fossem pregos. Tipo Tripé.

SCIALOM (década de 70)

Eram colocados em duplas ou trios, divergentes. As pontas externas eram unidas com resina para se assemelhar a um núcleo  Sobre estes eram cimentadas as próteses  Devido ao trauma da colocação,  o fato de não serem biocompatíveis, além da carga mastigatória, o osso adjacente reabsorvia, que era substituído por fibras e comumente “esfoliavam”, como decíduos. Mas durante muito tempo era uma ótima solução, e em alguns casos se mantinham por muitos anos. Como este que o VidadeDentista publicou e parece estar bem.

Outra opção eram os laminados.

Estes eram instalados em fendas abertas no osso, o que, naturalmente causava um dano ainda maior. Eram feitos em tamanhos pequeno, médio e grande, sem moldagem óssea   Devido ao seu desenho e extensão apresentavam maior estabilidade. Havia também os que eram fabricados a partir da moldagem do osso.

LINKOW (década de 70)

Mas o grande nome da Implantodontia atual é o de Branemarck que introduziu o conceito da osseointegração. Ele começou a utilizar pinos rosqueáveis de titânio, que  além de causarem menor dano ao osso, durante a colocação, são de titânio, material biocompatível.

Os primeiros que eu vi serem feitos, tinham uma seleção criteriosa, mas os critérios eram falhos.

Confeccionava-se um guia cirúrgico sobre o modelo de gesso, em resina com bolinhas metálicas, fixadas com cola rápida nas regiões edêntulas. Fazia-se  uma radiografia panorâmica com o artefato posicionado, que auxiliava na avaliação da altura óssea e a proximidade com estruturas nobres. No trans operatório as bolinhas eram removidas, e com a alta rotação perfurava-se a resina e marcava-se no rebordo o local da perfuração do implante. Infelizmente a radiografia é bidimensional, não dá a largura óssea, e era comum, principalmente na região anterior inferior, o rebordo estar em lâmina de faca e, após todos os passos, o implante não podia ser feito. Pena!

O guia cirúrgico merece um parênteses.

Sem referência anteriores, a forma encontrada pelo colega foi utilizar bolinhas metálicas dos rolimãs (rodinhas de aço). Num dia, saímos pela cidade, numa dessas ruas temáticas de sampa, a fim de comprar rolimãs. Daí elas eram desmontadas só pra ficar com as bolinhas. Compramos diversos tamanho. Lavei e autoclavei cada uma delas. O técnico em prótese também sofreu bastante. Algumas conexões não eram pre fabricadas, e precisaram ser fundidas diversas vezes até se chegar ao almejado produto final.

Lembro bem da saga que foi, num caso de edêntulo inferior, fundir a barra metálica que unia os dois implantes, e a adaptação do clip na prótese total (overdenture).

Numa época de importações fechadas, o colega, que tinha comprado todo o sistema (motor, brocas, implantes, etc) num dos congressos da ADA, teve na  língua a maior dificuldade. Ele usava o sistema  IMZ, e tudo  vinha explicadinho, só que em alemão :( A pessoa que o ajudava nas traduções não era dentista, e a dedicação dele era um capitulo a parte.

Naquela época as opções de pinos eram muito limitadas. Lembro apenas dos diâmetros com medidas, de 4,0 mm e 3,3 mm, e no comprimento as opções também eram poucas.

Hoje, felizmente, tem-se pra todo gosto e desejo. E melhor ainda, de industrias brasileiras, o que barateou os custos e facilitou, em muito, a leitura dos manuais :)

Tem desde os mini até os bem grandes. Com hexágono interno e externo. Diversas angulações. Para próteses cimentadas e parafusadas.

Com o auxilio das tomografia, hoje coloca-se implantes “empurrando” o soalho do seio maxilar, faz-se esvaziamento do foramem incisivo e até “deslocam” o nervo alveolar inferior, sem falar nos implantes “zigomáticos”. Apesar de ainda existirem casos onde a colocação é impossível.

Eu, como usuária de dois implantes osseointegrados na mandibula (região de 35 e 36), feitos por um querido e competente amigo, rendo aqui, minhas homenagens a Implantodontia.

Imagens: http://dc177.4shared.com/doc/YqacSoLC/preview.html

Boas Festas!

Eu não sei desde quando se tem o hábito de enviar cartão de boas festas no final do ano, mas isso eu também vi mudar.

Quando era assistente, meu chefe era mega chique e antenado. Pelo menos eu achava :)

Numa época que quase ninguém decorava a fachada da casa, ele já o fazia no consultório. Influencia americana.

A casa em que o consultorio estava instalado era um belo sobrado no Brooklin. Sem placa, numa área predominantemente residencial, tinha uma árvore em frente de mais ou menos uns 4m de altura, que era decorada com luzes coloridas.

Ok, nenhuma novidade, só que não.

Nada de pisca pisca made in taiwan, nem luzinhas em fios verdes.

O “artefato” consistia num fio grosso, duplo, de 5 ou 7 m, com um bocal para lampada a intervalos de 5ocm mais ou menos.

Sim, bocal para lampadas, deste tipo, pequenas e coloridas para abajour. 

Este pequeno mimo decorativo ficava guardado no sótão por 11 meses, e no inicio de dezembro, voilá, recebia o status de decoração natalina.

Levemente empoeirado, era aberto na sala,  e ligado, para se verificar quais lampadas ainda ascendiam. Trocadas as queimadas, o artefato era colocado na árvore, também muito facilmente.

Com o carro estacionado proximo para proteger o instalador e a escada posicionada “bem” no tronco da árvore, o fio ia sendo distribuído com o auxilio de uma vassoura. Ele subia e eu ficava embaixo, segurando a escada :/

Daí, no final da tarde ligavamos e reavaliavamos as posições.

Se estivesse mal distribuídas a escada era reposicionada e com a tal vassoura, distribuiamos melhor.

Os cartões era outra odisséia.

Já em outubro, o colega se vestia de Papai Noel (isso eu nunca testemunhei) e tirava fotos em vários locais da clinica.

Revelava, escolhia a melhor, e fazia dezenas de cópias. Nada de impressora, scanner ou gráfica rápida. Revelação mesmo. Filme de rolo Kodak.


A mensagem já vinha impressa, mas o colega individualizava para cada familia e rubricava. Muito delicado.

E, maravilha das maravilhas: os envelopes eram DA-TI-LO-GRA-FA-DOS  por essa que vos escreve, e fechados  com cola bastão

Um a um.

E olha que o arquivo dele não era nada modesto.

Cumprida esta etapa, era só enfrentar a fila dos Correios (acho que isso mudou pouco), sendo fuzilada pelo olhar dos outros na fila quando viam a quantidade que eu tinha pra postar.

É, acho que hoje ele deve fazer tudo muito diferente, mas devo admitir que ele era um visionário. Muito do que sei e faço hoje, aprendi com ele.

E rendo minhas homenagens aos chineses e taiwaneses pelas lampadinhas minusculas.

Ah, sem falar nas facilidades da informática.

Boas Festas a todos os leitores.

Que o Ano Novo nos traga milhares de motivos pra sorrir!

Published in: on 20 de dezembro de 2012 at 20:22  Deixe um comentário  
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Alô!

Ficha telefonica local. tinha a opção para DDD =D

Alguém liga pro seu consultório e ouve:

_Consultório do Dr.Super Mega Blaster, boa tarde!!! Numa voz feminina em 95% das vezes.

É sua secretária. Prestativa, atenciosa, num aparelho que nem sempre esteve ali. O telefone.

Num passado não muito distante, ter telefone era algo difícil.

Até final dos anos 90 (1996/97 se não me falha a memória) as linhas telefonicas eram concessão da Telebrás. Quando você adquiria uma linha, adquiria na verdade, ações da empresa. As linhas eram disponibilizadas de tempo em tempo, nos chamados Plano de Expansão. O cidadão se inscrevia numa fila e aguardava. Quando os tais planos eram abertos, a empresa avisava o interessado, que tinha então uma linha instalada na sua casa. O valor da linha era transformado em  ações da empresa. Depois de alguns anos ele podia resgatar essas ações. Tinha gente que distribuia suas linhas telefônicas no testamento o.O

Como tudo no Brasil, deu-se um jeitinho. Alguns se inscreviam com vários documentos e quando recebiam as linhas, as alugavam ou vendiam. Minha primeira linha eu comprei assim. Aliás a tenho até hoje. Paguei R$ 3000,00 em seis parcelas.

Através do telefone, o cliente agenda a consulta, desmarca (quando lembra), relata seu pós operatório, pede um  ”remedinho” pra gengiva que esta sangrando, ou mesmo um atestado pra escola porque perdeu a prova :(

E antes do telefone, como se fazia?

Atender com horário marcado nem sempre foi regra.

Os horários de atendimento do dentista eram conhecidos e, quando o cliente tinha dor ou quebrava o dente, era só chegar e aguardar a sua vez. Num tratamento mais longo o colega mandava voltar na próxima semana, ou depois de dois dias. O dentista não tinha telefone, mas o cliente também não.

O tempo passou e o telefone virou objeto de desejo. Era chic!

Os atendimentos por ordem de chegada, aos poucos foram substituídos pelos agendados. O fato do cliente não ter telefone em casa impedia confirmações, mas o cliente podia ligar do “orelhão” publico. Todo mundo sempre tinha uma “ficha telefônica” no bolso. E toda esquina tinha um orelhão. Afinal, vai que…

Com a mudança no modelo da telefonia durante o governo do Fernando Henrique Cardoso (1995-2002), e a privatização da Telebrás, ter uma linha telefônica ficou mais simples. O modelo passou a ser algo como uma concessão temporária. Não se compra mais ações, mas também não se é dono da linha. Faz-se o pedido junto a concessionária que instala a linha e cobra pelo serviço prestado.

Mas entre um modelo e outro surgiu o pager, que ficou carinhosamente apelidado de bip, por causa do som que emitia quando do aviso de mensagem. Não dava pra alterar o som, e pôr a musica do Michel Teló, por exemplo. Graças a Deus!

Você que é mais jovem talvez não o conheça, mas eu tive um.

Funcionava mais ou menos como um sms.

O cliente assinava o serviço com uma operadora e recebia um codigo numérico e um aparelho receptor, como o da foto. Ele divulgava esse numero como seu contato.

Quando alguém queria localizá-lo, ligava pra central, e deixava o recado para o bip numero tal. A central mandava uma mensagem para o assinante, que corria até o orelhão mais próximo e ligava para a central pra saber qual o recado, e não raro você percebia que não tinha uma ficha no bolso. Toca sair pedindo pros outros ou caçar moedas pra comprar uma. #Mico

Simples assim.

Daí vieram os que já mandavam por mensagem de texto o numero que tinha te procurado e os Tops, onde se lia no visor a mensagem deixada. No meu caso o retorno foi muito pequeno. Meu perfil de cliente não se adaptou muito ao formato, eu acho.

Era como uma secretária eletrônica, mas você não precisava chegar em casa pra recolher os recados.

Este modelo caiu em desuso muito rápido, porque logo chegaram os celulares ao mercado.

Alguns colegas ainda atendem por ordem de chegada, mas a grande maioria se utiliza do agendamento, e é inimaginável que um consultório não tenha telefone.

Com a chegada do celular o contato ficou mais fácil e rápido. Para diminuir os custos com conta telefônica e otimizar o tempo, alguns já confirmam ou cancelam consultas via mensagem de texto. Sem falar nos serviços de email. Estes só possíveis,  por causa do telefone, ou da telefonia. E claro, isso também agora, com internet banda larga. Na época da discada era mais fácil mandar um menino de recado do que enviar um email.

E sobre celulares eu não preciso falar, aliás, se quiser saber algo posso perguntar para uma criança de 6 anos, e ela me falará sobre celulares, smatphones e tablets com conhecimento de expert.

Published in: on 22 de novembro de 2012 at 20:30  Comentários (2)  
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Clareamento

Bem amigos, o tema de hoje está na moda. Clareamento, ou branqueamento como preferirem.

A estética dental teve mudanças com o passar dos tempos e a  moda do dente branco, feito estrela global, acabou por colocar a Odontologia na mídia ainda que por caminhos sinuosos.

Ter dentes bonitos e o mais branco possível passou a ser sonho de consumo.

Na carona deste desejo, surgiram os sites de compra coletivas divulgando e vendendo o clareamento simplesmente como cosmética. O tal “faça você mesmo”. Não requer prática nem tão pouco habilidade, e menos ainda o acompanhamento de um PROFISSIONAL DENTISTA.

Pela módica quantia de alguns reais você compra o kit e aplica em casa a técnica. Economiza com o dentista. Vantagem!

Só que não!

Na minha época de faculdade, o clareamento era aplicado somente em casos de polpa morta, quando o dente tinha grande alteração de cor. Normalmente esta alteração era por hemorragia ou resto de cimento endodontico na camara pupar.

Era feito com uma mistura de perborato + peroxido + fonte de calor.

Mas veja bem, nada de seringuinhas, barreira gengival ou LED.

Dente endodonticamente tratado, cortava-se a obturação um pouco abaixo da entrada do canal e fazía-se uma barreira de hidroxido de calcio PA. Sobre este uma camada de fosfato de Zinco. A câmara pulpar era então ampliada e bem limpa.

Levava-se o perborato com o auxilio de um porta amalgama e sobre ele gotejava-se o peroxido. Daí um calcador de Paiva era aquecido “ao rubro” e colocado sobre a mistura que borbulhava e acelerava a reação quimica. Se tudo fosse feito sem isolamento absoluto, coitada da gengiva palatina =(

Eram feitas sessões semanais e o resultado era bastante bom, principalmente nos incisivos. Em caninos, com maior quantidade de dentina o resultado não era tão bom. Não tenho informação se era feito clareamento nos pré-molares, mas, acho que não.

Numa outra fase foi desenvolvido um clareador já pronto, em seringa, para uso interno que se utiliza como um curativo.

O preparo do dente é o mesmo, mas o produto é aplicado com algodão e o dente é selado, ficando assim por uma semana, quando é trocado. Repete-se quantas vezes for preciso.

Mas o advento do clareamento para dentes vitais é que mexeu definitivamente com a Odontologia Estética.

Para uso profissional, existem várias opções no mercado, e para cada caso o DENTISTA seleciona o mais indicado.

Peroxido de hidrogênio, de carbamida, concentrações de 9%, 16%, 22%, 35%, etc. Moldeiras individuais que impedirão o contato do gel com a gengiva. O uso de dessensibilizante, e o mais importante: “SE A SAÚDE DENTAL E BUCAL ESTÁ EM ORDEM, CAPAZ DE RECEBER O CLAREAMENTO”.

Restaurações mal adaptadas, dentes cariados, doenças gengivais, lesões na mucosa, etc. contra indicam o procedimento.

A presença de próteses ou restaurações podem interferir no resultado final, e isso só um PROFISSIONAL tem condições de avaliar e orientar.

Ainda na rabeira do modismo, empresas fabricantes de produtos de higiene aproveitam pra ficar com uma fatia desse “mercado” . Lançam dentifricios que prometem branquear os dentes em poucos dias. Tem o azul, o vermelho, o 3D e logo vai ter o Tooth Paste Double Surround Sound que vai fazer você ter o sorriso de uma modelo e a voz de um cantor. É esperar pra ver.

Published in: on 28 de outubro de 2012 at 15:00  Comentários (3)  
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