Patologia

Quando se entra numa faculdade de Odontologia, salvo algumas exceções, os estudantes acreditam que vão apenas estudar os dentes e suas doenças. Ledo engano!

O foco central é o sistema Estomatognático, ou seja, todas as estruturas envolvidas no processo da mastigação, deglutição, digestão, alem da fonação , respiração etc.

Cada função, para ser executada depende direta ou indiretamente da outra.

E quando não está tudo ok???

Doença sistemicas, más formações, heranças genéticas, as coisas nem sempre estão em harmonia. Temos então na faculdade uma cadeira que trata desses disturbios.

No meu tempo essa cadeira chamava Semiologia e Patologia.

Pacoccideóideomicose, miíase, amelogênese imperfeita, síndrome de Jögren,  carcinoma epidermóide, parotidite, ameloblastoma, etc para falar de algumas alterações .

Foi nessa cadeira que tomamos o primeiro contato com os pacientes.

Ainda hoje lembro o quanto non sense era essa clínica.

Na real,  era muito chato!!!

Nós esperávamos pelo contato com o paciente há meses. Fomos para nossa primeira clinica.

Todos de branco. Sapatos, calças, camisas ou blusas que davam um ar imponente. Na grande maioria era tudo novo, e por isso limpinho.  Alguns desses sapatos foram a todas as clinicas e, imagine se puder, o estado deles ao final do quinto ano :)

Luvas, máscaras (nesse tempo não usávamos touca), um espelho, uma espátula de madeira e uma ficha de anamnese beeeeemmmmm detalhada.

Dados pessoais preenchidos, passávamos as perguntas de saúde, e aí, começavam os problemas.

Algumas respostas eram, digamos, inverdades.

Quantas vezes por dia o Sr. escova os dentes?

>Sempre que como (então o Sr come pouco pq escova pouco os dentes, heim?), ou 3x dia (seu dia tem quantas horas?)

Fuma?

>Um pouco. (Ã-hã!)

Há quanto tempo não vai ao dentista?

> Um ano. (Um ano luz!!!)

Com quanto tempo troca sua escova de dentes?

>Mais ou menos a cada 6 meses (a cada 6 janeiros, né!)

Mas o pior era a anamnese semiológica. Nem sempre o paciente entendia o que nós estávamos perguntando, e claro, nós também nem sempre sabíamos o que estávamos perguntando :/

As vezes tínhamos certeza que a resposta estava incorreta. Dizer que não tinham hipertensão, diabetes, cardiopatias, aterosclerose e etc., e terem,  não era necessariamente mentira, eles apenas desconheciam.

O exame intra/extra oral era outra odisseia. Analisar simetria facial não é nada fácil.

Cor e textura dos tecidos. Motilidade lingual. Numero e posição dos dentes. Uso de próteses. Hábitos parafuncionais.

A saída do ducto parotídeo era frequentemente confundido com uma lesão.

Esse foi o nosso primeiro contato com o paciente.

Nessa cadeira aprendemos a ver o paciente como um todo. Como as disfunções, ainda que a distância, influem no equilibrio do sistema. Manifestações orais de doenças sistemicas e o comprometimento da saúde geral por disturbios bucais.

Foi nessa aula também que aprendemos, ou tentamos, auferir a PA dos pacientes. E nada de aparelho digital que o Sidney vende na Ultrafarma. Era na base de auscultar com estetoscópio e esfigmomanômetro os ruídos produzidos pela sistólica e diastólica. Demorávamos tanto que frequentemente os pacientes sentiam dormência na mão :(

É, tratar de dentes ainda estava longe do nosso dia a dia.

Publicado em: às 24 de maio de 2012 em 15:42  Comentários (2)  

Fisiologia

Sabe gente, eu não sou São Tomé. Se eu acredito em você, acreditarei no que você diz.

Ta bom, vez ou outra posso ficar com o pé atrás, mas de um modo geral, acredito.

Baseado nisso, sempre achei um absurdo as aulas de laboratório de Fisiologia.

Para quem não sabe, Fisiologia  é o ramo da biologia que estuda as múltiplas funções mecânicas, físicas e bioquímicas nos seres vivos. De uma forma mais sintética, a fisiologia estuda o funcionamento do organismo (wikipédia).

Estudar os órgão e sistemas é de suma importância para quem se dispõe a tratar de saúde.

É sabido que cada órgão tem sua importância e, ao conjunto de suas funções se deve o perfeito funcionamento do corpo humano.

A produção de bili pelo figado para digestão das gorduras e a produção de insulina pelo pâncreas para que a glicose entre na celula.

A ação dos rins na filtragem do sangue e na excreção de toxinas ou a absorção dos nutrientes pelo intestino, tudo estudado pela Fisiologia.

Em alguns casos, a fisiologia humana tem semelhanças com a animal. E aí é que entra a minha implicância com o laboratório de fisiologia.

Foram algumas aulas, mas, admito, só assisti quando era obrigada.

Em um laboratório o estudado era um rato. Sim, um rato!

Ta bom, uma cobaia de laboratório. Dessa aula, eu lembro muito bem. Foi a primeira, e eu não tive tempo de fugir.

As “cobaias” eram sedadas e presas em decubito dorsal, numa prancha de madeira.

O abdomem era aberto pelo professor (claro, nós mataríamos a cobaia na incisão, antes de estudar) e, um eletrocardiograma artesanal era feito. Um anzól, que estava ligado ao elotrocardiógrafo era preso ao pericárdio, claro, ainda batendo. Analisava-se a frequência cardiaca da cobaia. Num segundo instante depositávamos adrenalina sobre o coração e observávamos a reação. Claro, que a frequência aumentava.  Em seguida depositávamos um inibidor da adrenalina e o coração diminuia a frequência.

Éramos grupos de 4 ou 5 alunos debruçados sobre as bancadas. Terminada a exposição do professor, nossas anotações, e dirimidas as possíveis dúvidas, a cobaia era enfim sacrificada com uma dose alta de adrenalina e depois jogada no lixo do canto do laboratório.

Ok, as pesquisas precisam ser feitas, e as cobaias são necessárias, mas pra que essa exposição toda???

É nesse caso que eu me digo crédula. Não é necessário ministrar arsênico a ninguém pra eu acreditar que ele mata. Me diga que eu acredito.

Na aula que a cobaia era sapo, eu nem na sala entrei.

Honestamente, espero que estas aulas tenham mudado!

Publicado em: às 18 de maio de 2012 em 13:06  Comentários (1)  
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Histologia

www.presenteparahomem.com.br/

Fazer Odontologia pra mim foi uma decisão sem data certa.

Um dia, durante uma daquelas intermináveis discussões do que eu vou ser quando crescer, uma colega me perguntou: Célia, já que você vai fazer Odonto, esse ano vai ter técnico em Prótese Dentária, por que você não presta?

Eu também não sabia muito bem o que era prótese dentária, mas isso conto outra hora.

Pois bem. Nunca me interessei pelas disciplinas que teria, mas imaginava que teria Biologia. E tive mesmo, fracionada em muiiitas sub-matérias.

Odontologia é um curso caro. Mas as listas de materiais são MUITO piores. A maioria da população não sabe, mas todo o material utilizado, sim TODO, é comprado pelo aluno. Na minha época, na OSEC, o material de consumo era fornecido, mas hoje, quase nada.

Mas no primeiro ano, a lista não tem muitos itens. As aulas são muito teóricas. O peso ficava por conta dos livros e apostilas xerocadas (numa época  em que isso não era crime), mas um item da lista de Histologia chamou atenção pelo inusitado: UMA CAIXA DE 12 LAPIS DE COR? Oi? Cuma?

Bem, para isto eu tinha dinheiro e pude comprar à vista. Comprei logo um FABER CASTELL!

Histologia  é o estudo dos tecidos biológicos, sua formação, estrutura e função. É uma das disciplinas fundamentais dos cursos das áreas biológicas e de saúde (wikipedia).

Por exemplo: alguns anestésicos utilizados em odontologia são metabolizados no figado, então, saber as propriedades hepaticas se faz necessário.

Tecido conjuntivo, nervoso, epitelial, etc.,  é o tema nessa disciplina. Mas e os LAPIS??

Ah, os lapis!!!

Aula de laboratório de histologia. Um microscópio, uma lâmina preparada com o tecido tema e, voilá!

Com os tais lápis nós tínhamos que reproduzir, em DETALHES e com FIDELIDADE, o que víamos no microscópio.

http://blog.clickgratis.com.br

Para odontoblastos, amelobrastos e dentinoblastos, o rosa caía bem!

Para epitelio plano estratificado, ocre (se você tivesse comprado a caixa de 24 cores) ou marrom.

Para tecidos musculares, as variações do azul!

Prolongamentos odontoblásticos, túbulos de dentina, neurônios, fase de germe, fase de capuz, tudo isso visto nas lâminas e reproduzidos no sulfite.

E,  MARAVILHA das MARAVILHAS, a prova prática.

Sentado em frente ao microscópio, você era confrontado com uma LÂMINA!

Acho que mentalmente todos pediam: Tomara que seja de dente! Tomara que seja de dente! Claro que era para nós o mais familiar, mas nem sempre dava certo :(

Neste caso não precisava desenhar, bastava lembrar de todos os desenhos que tínhamos feito, de cada camada, analisar  a imagem e nomeá-las.

Essa disciplina não me deixou traumas, a não ser a confirmação de que eu não tenho nenhuma aptidão artística, mas até hoje reconheço uma fase de campânula :)

Não sei se hoje ainda é assim. Você acadêmico ou recém formado, deixe nos comentários como são as aulas atuais e quais matérias são dadas ano a ano.

Valeu! :)

Publicado em: às 10 de maio de 2012 em 14:34  Comentários (2)  
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Bioquimica

http://www.dicasagora.com/wp-content/uploads/2011/04/glicose.jpg

Dando continuidade a série: As matérias que nos tiravam o sono :) que iniciei com Anatonia, hoje vamos lembrar da Bioquimica.

Imaginem alguém que fez ensino médio publico e técnico, onde Biologia teve lugar somente no primeiro ano, e  que todo conhecimento da área limitava-se a celenterados, reprodução assexuada e sexuada, fotossíntese (raiz, caule, fruto e flor), ou no máximo mitose e meiose, se deparar com o mapa metabólico.

Eu não sei, honestamente, como alguém pode entender o mapa metabólico.

Pra quem não conhece, e acredite, vc não está perdendo nada, é a representação gráfica de todas, sim TODAS as etapas do metabolismo.

O mapa “diabólico”  como é carinhosamente conhecido, é uma mistura de letras, flechas, e numeros que sozinhos não dizem nada.

Na real, juntos também não :(

Ali estão representadas as  reações químicas, as cadeias, vias metabólicas, sínteses que ocorrem a nível celular.

Carboidratos, Lipidios, Enzimas, Hormônios, etc.

Aquilo tudo que você usa basicamente pra… Sobreviver.

Glicose, Acetil colina, Cetonas, Ciclo de Krebs, perda e ganho de Carbono, transporte de energia, ligações co-valente, entre outros temas que para minha alegria uniam Biologia e Quimica. Ta certo que eu até que gosto, mas se eu entendesse seria melhor :(

O professor sempre com aquela cara de obvio e nós com cara de horror!

Acho que o pior é a aula não ser prática. Imaginem uma visão direta da celula, perdendo e ganhando energia, dando as mão pra fazer ligação e se despedindo quando desfeitas??? É, mas não é assim…

Aquilo que era carboidrato vira glicose, a ação das enzimas digestivas ou dos hormônios tireotróficos simplesmente escrito e nós debruçados sobre o tal mapa “tentando” entender.

Eu, como boa traumatizada que fui, fiz todas as provas que foram aplicadas. Mensais, bimestrais, exames e segunda época.

Na boa, eu deveria saber a matéria muito bem pelo tanto que estudei, mas não foi bem assim.

Passei, bem dizendo, raspando! Acho que muito  mais pelas orações.  Sim, porque só com muita fé pra enfrentar Bioquimica e sobreviver.

Alguns podem achar que eu estou exagerando, então, dê uma olhada nesta imagem do tal mapa e reavalie sua opinião.  E esse nem é o mais completo.

Brincadeiras à parte, sempre que digo ou ouço que a digestão começa na boca rendo homenagens a Bioquímica. Mais uma peça nesse quebra cabeças chamado Graduação em Odontologia.

Enfrentei e venci mais esse fantasma, mas o caminho até o tão sonhado diploma, ainda seria bem longo!

Publicado em: às 3 de maio de 2012 em 22:46  Comentários (3)  
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Anatonia

http://www.sogab.com.br/anatomia/miologiajonas.htm

Qualquer aluno de área de saúde tem nas aulas de anatonia seus principais temores.

Tem sempre alguém que questiona: Mas você vai ter que mexer com cadáver. Não tem medo???

Eu particularmente, não perdi meu tempo com esse temor. Entrar na faculdade ou não, era a questão. Uma vez dentro, eu enfrentaria o que viesse.

Tive como todos a famosa aula trote (17/03/1986). Veteranos com jalecos, barba e óculos pra passarem credibilidade, passando uma lista de material cheia de ítens, que nós só saberíamos depois, absurdos. Seria cômico não fosse trágico. Um monte de adolescentes de cara borrada, cabelo picotado e farinha até dentro da roupa íntima, olhando pra lousa com ar de: Onde é que eu fui me meter???  :/

Mico devidamente pago, fomos dispensados e avisados sobre a aula verdadeira do dia seguinte: Anatomia.

No segundo dia  tivemos nossa primeira aula efetiva, e depois do intervalo, descemos pro laboratório. Lá fomos apresentados pelo Prof Luis Altruda a uma mesa com algo coberto por um lençol. Depois de uma breve exposição do que veríamos e do respeito que deveríamos ter pelas peças anatomicas, ele sugeriu que a peça fosse descoberta por algum de nós. Antes ele disse que se alguém ali não estivesse preparado para o momento, poderia ir embora, mas na próxima aula seria inevitável. Ninguém arredou pé, e alguém teve a feliz idéia de sugerir que ele mesmo levantasse o lençol. O que ele aceitou e o fez.

Lançou-se um silêncio sepulcral…

Salvo exceções eramos todos desconhecidos e os olhos ficaram fixos.

Como tínhamos sido bem preparados, vi alí uma peça anatômica. Seguimos então para a aula de laboratório propriamente dita, mas como era ossos, foi mais leve.  Fêmur, radio, ulna, tíbia, fibula, etc.

Se a aula tinha esta intensão ou não, nunca vou saber, mas acho que foi a melhor forma de apresentar os calouros. Ao fim do laboratório nós já éramos muito mais próximos. Naquele dia eu arranjei minha primeira carona, uma dádiva pra quem estudava no extremo sul da capital.

Não sei se houve alteração nesse item, mas na OSEC/UNISA as peças eram conservadas em grandes tanques de formol, e passada a fase dos ossos, o estudo no laboratório era invariavelmente acompanhado de lágrimas pelos olhos irritados com o cheiro forte. Raramente as peças eram de corpo inteiro. Essas peças eram “exclusividade” da medicina. A Odonto ficava com as peças já dissecadas e fatalmente parciais. Impressionava bem menos.

Entrar no laboratório, com várias peças inteiras, expostas lado a lado, impressionava muito mais.

Daí vieram as aulas de anatonia dental. Eu que havia feito prótese, já os conhecia, mas era muito engraçado ver os alunos procurando a diferença entre o 31 e 0 41, ou entre o 16 e o 26. Cúspides, fossas, paredes mais arredondadas para distal ou mais retas para mesial. De um modo geral só diferenciavam os incisivos centrais, os caninos  e molares, os outros eram apenas “dentes”. E a aula de escultura em bloco de cera??? Ao final tínhamos um festival de molares que mais pareciam amoras :) (Inclusive os meus!!!)

Bons tempos!!!

Nunca fui boa nessa coisa de esternocleidomastoideo, veia cava superior, nervo oftálmico, ulna, tarso, esfenóide, milohíodeo, entre outros com nomes nada fáceis. Foi, ao lado de Bioquímica, minha pior matéria do primeiro ano. Mas passei!!!

Quanto as peças, apenas numa situação me emocionou.

Num dia, fora de horário de aula, pedi para o técnico de laboratório uma peça para estudar anatonia interna de abdomem. A peça que ele me trouxe era apenas de tronco com a cabeça e um braço. Até aí tudo bem, isso era comum, mas o que me marcou foi as unhas esmaltadas de vermelho. Naquele instante eu me dei conta de que, antes de estar ali, como peça anatomica, auxiliando a formação de dentistas, aquela peça tinha tido uma vida. Vaidosa, fez as unhas e esmaltou. Não sei como aquela peça chegou até o laboratório, mas fiquei pensando na nobreza da situação. Dizem que a maioria das peças são de corpos não reclamados, ou seja, ela estava ali ajudando a formar uma sociedade que pouco lhe foi favorável.

Respeitar a peça anatomica é respeitar a si mesmo.

Publicado em: às 23 de abril de 2012 em 08:31  Comentários (3)  

“Se dar valor = Valorização”

Esta semana, pela brilhante idéia do colega Luis do blog Dicas Odonto vamos iniciar uma campanha pela Valorização do Profissional Dentista e pela Ética na Odontologia, e na real, infelizmente, esse assunto é bem nostálgico.

Explico:

Durante muito tempo, os dentes não eram vistos como órgãos, e sua saúde era negligenciada. A estética dava as cartas e a ausência dos dentes, com o passar dos anos, era dada como certa.

Com o aumento da expectativa de vida e o avanço nos estudos e pesquisas sobre e importância dos dentes, a Odontologia passou a gozar de prestígio. Em alguns países o Odontólogo é conhecido como Médico-Dentista.

Mais informada, a população passou a reconhecer a importância dos dentes, de mantê-los, recuperá-los ou substituí-los. E, como era de se esperar, as grandes empresas de grupos de saúde, cresceram os olhos para esse nicho próspero de mercado.

Com o know how  da Medicina de Grupo, avançaram sobre a Odontologia como abutres. Atuam com algumas variantes.

Vendem o plano chamado “Odontológico” muitas vezes casado com a venda do plano de saúde (entenda-se médico, pq plano odontológico também é de saúde!);

Credenciam clinicas e colegas,

E daí passam a dar as cartas.

Impõem regras e normas, para execução de trabalhos, que nem sempre tem cabimento. Pagam em cima de tabelas de honorários aviltantes. Esse é o ítem que desencadeia outro ainda pior.

Mal remunerado o dentista precisa atender maior numero para ganhar na quantidade. Diminui o tempo de consulta e atende mais clientes por dia. Agenda cheia, faz com que os retornos sejam demorados, o que desagrada o cliente. E, por vezes, a “seguradora” resolve não concordar com o trabalho executado e se nega a pagar.

Irritados com a situação os colegas se descredenciam. O cliente, que gostava de tal profissional precisa escolher outro. Na grande maioria, os credenciados são recém formados (e aqui não vai nenhum sentido pejorativo, todos fomos recém formados um dia, é apenas uma constatação). Em busca da primeira oportunidade profissional, os recém saídos das faculdades são presa fácil para as operadoras.

Do outro lado, o colega que optou por atendimento particular passou a ser visto como ganancioso. Cobra uma fortuna por algo que o convênio faz de graça (Oi?).

Com esta campanha, nós, DENTISTAS, que amamos o que fazemos e temos orgulho da profissão, esperamos levar ao conhecimento da sociedade a real situação.

Todo profissional deve ser bem remunerado e ter seu valor reconhecido, TODO!

O estudo é árduo. O investimento grande, e salvo exceções, a dedicação é quase exclusiva.

Somos profissionais, na grande maioria, liberais, sem direitos trabalhistas. As vezes donos de pequenas empresas, e por consequência, responsável pela manutenção de outros empregos.

Portanto, a meu ver, a Valorização da Odontologia passa pela conscientização da população sobre as aviltantes condições de trabalho impostas pelas operadoras, mas, principalmente pela negativa dos colegas de atendê-las. Do lado das operadoras, atitudes “Éticas: é o conjunto de normas morais pelas quais um indivíduo deve orientar seu comportamento profissional”  devem prevalecer. De nosso lado, boas atitudes certamente reverterão em reconhecimento.

Fazer somente o que se sente preparado para, respeitar o paciente com nas suas vontades e necessidades e ver o colega como parceiro e nunca como rival ou concorrente. Em tese, estamos todos do mesmo lado: O lado da saúde oral.

Não faça com o outro, o que você não quer que façam com você.

Outros colegas falaram sobre o tema. Vale a pena conferir:

Odontodivas

(mais…)

Publicado em: às 18 de abril de 2012 em 10:30  Comentários (6)  
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Resíduos Sólidos de Saúde – O que você faz com o seu???

http://www.portalsaofrancisco.com.br/

A polêmica sobre as proibição da  distribuição das  sacolinhas plasticas pelas redes de supermercados na cidade de São Paulo, ainda deve render muito.

Isso me fez pensar sobre o nosso lixo “contaminado” de cada dia.

As normas para descarte de lixo hospitalar estão dispostas na Resolução n° 306 da ANVISA de dezembro de 2004.

Foi nesta época que os dentistas da cidade de São Paulo passaram a ter coleta especial. O cadastro é feito junto a prefeitura, e a coleta é feita de acordo com o perfil do produtor. No meu caso, a coleta passa duas vezes por semana.

Quando foi instituída a cobrança da “taxa do lixo” pela prefeitura, nós passamos a ser taxados com um valor de R$44,30 mensalmente (atualmente é R$ 59,11) porque sou  Estabelecimento Gerador de Resíduos Sólidos de Serviços de Saúde (EGRS) Especial, ou seja, gero até 20Kg de residuo por dia, mas a taxa está sendo revista porque ela é injusta em alguns casos, como na maioria dos tributos :( .  O não pagamento leva a inclusão na dívida ativa do município. Atualmente esta cobrança é trimestral.

Mas e como era antes?

Eu particularmente, não me lembro de nenhuma ação especial dos colegas para com o destino do lixo contaminado.

Na década de 70 o lixo domestico era acondicionado em latas de 18l  forradas com jornal e eram colocadas na rua para serem recolhidas pelo lixeiro. Era característica da passagem do lixeiro, o barulho das latas sendo jogadas no chão depois de serem esvaziadas. Cada um então, saía a rua para recolher sua lata.

Daí vieram as lixeiras plasticas, os sacos de lixo, e as sacolinhas, que agora são vilãs, e a dúvida que não quer calar: Não pode distribuir sacolinha pq o pessoal usa pra por lixo. Mas vender saco de lixo pra pia, banheiro, de 15l, 30l, 50l etc pode???

Enquanto isso nos consultórios…

Desde que me lembro, os materiais perfuro cortantes eram acondicionados em frascos rigidos, mas depois eram descartados junto com o lixo geral, e recolhido junto com a coleta domestica, inclusive a gase, algodão e todos os demais materiais contaminados. Em alguns casos os resíduos de amálgama eram acondicionados em potes com água e entregues a coletores que passavam de tempos em tempos, com a explicação do reaproveitamento do mercurio (!), mas eu acredito que muitos colegas jogavam direto no lixo mesmo, que acabavam nos aterros.

Hoje, a consciência ecológica e as multas, fizeram muitos repensarem estas atitudes.

Eu, para ser honesta, estou tentando me adaptar a todas as normas, o que não é muito fácil.

Neste post/entrevista do Sofá do Dentista, tivemos uma aula de o que, e como, acondicionar e descartar os dejetos, de acordo com o Plano de Gerenciamento dos Resíduos de Serviços de Saúde (PGRSS) e a  Política Nacional de Resíduos Sólidos

Eu já pratico a maior parte das ações, mas devo admitir, que para estar 100% dentro das normas ainda levo um tempo.

E, de novo, pensando no tamanho e nas distâncias deste país, pergunto: A sua cidade tem coleta especial para os Resíduos Sólidos de Saúde? Se não, informe-se de quais atitudes você pode tomar para agir o mais ecologicamente correto possível.

Lembre-se do bom e velho “Faça a sua parte”.

Publicado em: às 15 de abril de 2012 em 18:39  Comentários (2)  
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A Odontologia e o Soropositivo

Esta semana numa conversa com um estudante de Odontologia me espantei ao saber que ele tem clinica “de AIDS”.

Como???

A primeira vez que ouvi falar de AIDS (Sïndrome da Imunodeficiência Adquirida) foi em 1985. A doença era tida como de “homossexuais”. Na faculdade ela foi tratada com a pouca informação que se tinha a época. A ênfase era dada a proteção do profissional. Transmissão via saliva ou não, era o maior medo.

Quando me formei, em 1990, já se sabia um pouco mais sobre a sindrome, mas ainda era pouco. O coquetel anti AIDS era o unico tratamento disponível e o Hospital Emilio Ribas era responsável pela maioria dos atendimentos. Ainda hoje, acredito que seja referência. Lá é mantido um serviço de atendimento odontológico para os portadores e doentes.

Foi em 1995, que atendi então, meu primeiro paciente portador (pelo menos que eu soubesse).

Ele veio com dor e fiz uma emergência endodôntica no 46.

Na segunda consulta, ele usou de toda coragem e honestidade, e me contou sobre sua condição.

Muito equilibrado, disse que entenderia se eu não quisesse atendê-lo.

Para mim foi uma surpresa. Disse que iria refletir sobre o assunto e entraria em contato.

Eu já era mãe do Pedro, então com 3 anos e estava grávida da Laura.

Busquei informações com a pessoa que eu sabia ser a mais indicada, meu professor de Patologia Dr. Arthur Cerri.

Tivemos uma conversa longa e esclarecedora. Ao fim desta conversa eu sabia o que fazer.

O colega e disse: Célia, se vc se negar a atendê-lo, ele sairá e talvez conte pra mais outro colega. Se ele receber mais um não, ele passará a mentir. É muito melhor sabermos da condição de um portador, e assim tomarmos todos os cuidados. Se não soubermos, será muito pior. Ele me orientou a ser clara e direta com o cliente. Atender em horários finais para poder fazer a assepsia da sala com mais cautela, e o dia que não estiver bem emocionalmente, não atender.

Isso me convenceu.

Desde então o atendo. Já se vão 15 anos.

Hoje sabemos que não precisamos ter mais cuidado com o portador da AIDS do que com o portador da HepatiteB, por exemplo. O uso de EPI’s e cuidados com a Biossegurança tem que ser os mesmos.

O tratamento mudou, já não é preciso 10 comp/dia, e a terapia já não judia tanto. Os exames estão muito mais eficientes e acessíveis. Os portadores hoje tem boa qualidade e expectativa de vida.

Com tratamento correto e disciplinado é possível se viver bem.

Nunca me arrependi da decisão.

Saber que as faculdades tem atendimento para pacientes com este perfil me deu um alento. Afinal, eles apenas são Pacientes com Necessidades Especiais.

Fonte Imagem: blog.marcosdaniel.com.br

Publicado em: às 2 de abril de 2012 em 12:45  Comentários (3)  

Endodontia é o canal!

Como gosto de dizer, eu não escolhi a endodontia. Ela me escolheu!!!

Como já contei pra vc minha incursão pelos meandros da Odontologia, se deu como auxiliar de dentista, numa época em que ACD e THD não existiam.

Fui contratada pra ser recepcionista, mas auxiliava o colega durante os atendimentos. Fiquei lá por seis anos e saí formada. Depois de algum tempo, cuidar do instrumental era uma das minhas funções. Ele fazia muita endo.

Era eu quem limpava e arrumava as limas, numa época em que, “heresia das heresias”, as limas eram arrumadas na ordem e acondicionadas em esponjas com solução de Germekyl. Olhando de longe todas as limas pareciam #40, já que a ação da estufa no cabo era implacável. Eu esterilizava os cones de papel em grupos de 5 envolvidos por gaze. Espatulava o endomethazone e revelava as Rx. Era eu também que preparava o Pasta3 de Guedes como medicação intra canal. Como antinflamatório local ele usava Otosporin, e como substancia quimica auxiliar, para necro, o liquido de Dakin. Posteriormente passou a usar a Solução de Milton. Para bio usava Soro. Era eu também quem anotava as medidas iniciais e finais nas fichas clinicas.

Ele viajava muito, e a gaveta de estoque de  limas parecia um oásis. Cores, tipos, tamanhos diversos. Algumas, japonesas ou alemãs, eu até hj não sei pra que serviam.

Pois bem, quando cheguei na endo, aquilo tudo, que arrepiava os meus colegas, era muito familiar pra mim. Não que eu tenha tirado de letra, longe disso, mas eu dormia nas noites anteriores as clinicas. As olheiras dos outros comprovavam suas noites insones.

Esta suposta habilidade levou alguns colegas a me chamarem pra enfrentar este monstro, a endo, em seus consultórios depois que nos formamos. E eu, sem muita escolha… Gostei e fui estudar. Mas não fiz especialização.

Como tudo na Odontologia, a Endodontia  está muito diferente.

Num passado não tão distante, a pouca informação sobre anatomia interna e  microbiota, tornavam os insucessos maiores que os sucessos.

A qualidade dos instrumentos e a pouca informação sobre as subst. quimicas auxiliares, colaboravam com isso.

Não que não houvessem estudos, mas pouco chegava aqui.

Uma situação comum era o paciente (que podia e queria pagar pela manutenção do dente), depois de ter ido ao consultório por dezenas de vezes, trocar o curativo, recebia o diagnóstico de insucesso.

O tratamento era basicamente feito na remoção da polpa (qdo bio), limpeza até parar o sangramento e se conseguir alguma ampliação e em seguida era obturado. Muitas vezes com cone de prata.

Os necro davam mais trabalho. Os aparelhos de Rx não estavam presentes em todos os consultórios e, sem saber o tamanho do dentes eles eram limpos até onde se acreditava terminar. Entre consultas o dente recebia um curativo de formocresol, paramonoclorofenol ou tricresolformalina e era fechado. Semanalmente o curativo era trocado, e se não tivesse sintomatologia, nem cheiro ruim (!) era obturado. Em casos de abcesso, a exo era quase sempre a escolha.

Claro que estou falando no geral, e que nem sempre era assim.

Hoje, com a Radiografia digital, Localizador Apical, Tomografia Computadorizada e Microscopia,  se tem quase que dominio sobre a anatomia interna.

Limas com secções variadas que cortam  mais ou menos, e que são mais ou menos flexíveis.

Brocas de Gattes e Largo, Limas Rotatórias e oscilatórias.

Conhecimento sobre a ação e a efetividade das substancias quimicas auxiliares (hipoclorito de sódio 2,5 ou 5%, Clorexidina 2%, EDTA, etc), com defensores apaixonados para cada uma delas.

Cones de guta percha e cimentos obturadores bem aceitos pela região periapical.

Manter 2mm de coto pulpar, instrumentar até o limite radiográfico ou fazer a patência do foramem tbem rendem boas controvérsias.

Sessão única ou sessões múltiplas.

Mas de uma coisa temos certeza, tudo isso leva a maior qualidade final e a manutenção do elemento na boca.

E foi assim que a Endodontia passou a ter mais sucessos que insucessos.

Publicado em: às 26 de março de 2012 em 09:00  Comentários (1)  
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PORTADORES DE NECESSIDADES ESPECIAIS

A que te remete a frase  ”Portadores de necessidades especiais”?

Para a grande maioria das pessoas, a frase acima remete aos portadores de deficiências físicas, motoras. Aquelas pessoas que tem vaga reservada nos estacionamentos ou preferência de atendimento nas filas (direitos nem sempre respeitados).

Mas o tema é muito mais abrangente.

Para nós, dentistas, o tema “Pacientes com necessidades especiais” é muito  amplo, abrange uma gama enorme de perfis. Para nós, profissionais da saúde, diabéticos, hipertensos, fóbicos, cardíacos, imunodeprimidos, hiperativos, só pra citar alguns, todos necessitam de atenção especial. Cada um a seu modo. Claro que os portadores de mobilidade reduzida, temporária ou definitiva, também se enquadram.

Eu por exemplo, tenho uma dificuldade para atender pacientes muito idosos, pois na sua maioria, apresentam dificuldade pra enfrentar os 23 degraus que me separam do nível da rua :(

E um paciente surdo. Você já pensou na dificuldade de comunicação? Certa vez precisei atender um jovem surdo e, sem experiência nem informação, desenvolvemos a nossa linguagem. Ele tinha também uma deficiência intelectual, o que piorava as coisas, mas conseguimos. Quando eu batia levemente no queixo ele abria a boca, no ombro ele podia cuspir, se ele piscava duas vezes seguidas é pq sentia dor, e assim fizemos. O pai, uma pessoa simples, sem estudo, ajudava com a linguagem usada em casa, quando não nos entendíamos.

Mas felizmente a Odontologia hoje conta com profissionais dedicados as mais diversas necessidades.

A psicologia, aliada as tecnologias favorecem o atendimento nesses casos.

Anestésicos bem indicados para cardíacos ou diabéticos, consultas mais curtas para idosos e gestantes, sedação consciente para fobicos, etc.

Mas este post é para lembrar que hoje, 21/03, é Dia Internacional da Sindrome de Down.

Eu tenho o prazer e o privilégio de conviver com um portador da síndrome, meu cunhado, o Ricardo, que completará 38 anos em junho, e de quem  falei um pouco em “Sindrome de Up”. Leia e vc o conhecerá um pouco.

Tenho também um primo, o Paulo Henrique de 33 anos, com Síndrome de Asperger (Autismo).

Apesar de não ser especialista, atendo os dois, e devo dizer, que me dão muito menos trabalho que muitos ditos “normais”. O vínculo familiar e amoroso facilita muito.

Que esta data ajude a eliminar o preconceito contra as diferenças, e que muitos outros colegas possam estudar as necessidades e possibilidades de cada paciente especial. Estar preparado é o mais importante.

Apesar dos avanços, nem sempre elevadores ou rampas são necessários para atendermos um paciente com necessidades especiais.

Publicado em: às 21 de março de 2012 em 19:40  Deixe um comentário  
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